Terceiro dia do Rio Fashion Week amplia diversidade de olhares na moda

Programação no Píer Mauá reúne nomes como Patricia Viera, Hisha, Handred e Blueman e reforça a pluralidade criativa da moda brasileira
Rio Fashion Week
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A Rio Fashion Week 2026 chega ao terceiro dia de desfiles nesta quarta-feira (16), no Píer Mauá, no Rio de Janeiro, consolidando sua retomada no calendário oficial da moda nacional e ampliando o diálogo com o mercado internacional. Desde a abertura, o evento apresenta uma passarela marcada por diferentes abordagens criativas e estratégias de posicionamento. As coleções exibidas até agora transitam entre propostas autorais e referências contemporâneas, conectando elementos da moda brasileira a uma leitura atual do setor.

Na terça-feira (15), o segundo dia reuniu desfiles de Aluf, Normando, Salinas e PIET + Pool. Já a programação desta quarta mantém o ritmo e amplia o repertório criativo com apresentações de Patricia Viera, Hisha, Handred e Blueman.

Patricia Viera

No desfile apresentado no dia 16, Patricia Viera transforma o Rio de Janeiro em eixo narrativo da coleção de inverno, consolidando um novo momento da marca sob direção criativa compartilhada com Andrea Vieira Baptista. A coleção homenageia Vera de Magalhães, mãe da estilista, aos 94 anos, reforçando o elo entre gerações que sustenta a identidade da maison. Mesmo com foco no inverno, o desfile apresentou uma energia leve e solar, em sintonia com o estilo de vida carioca.

O couro, material central da marca, surge em diálogo com bordados, rendas, crochê e técnicas a laser, formando um patchwork de texturas. A cartela de cores incorpora referências culturais, como os tons de verde e rosa em alusão à Estação Primeira de Mangueira, além de equilibrar brilho e casualidade.

A coleção amplia seu caráter coletivo com colaborações de diferentes regiões do país. Bordados da marca mineira Vivaz ultrapassam 300 horas de execução, enquanto pinturas manuais sobre couro, assinadas por Klaucia Badaró e Giovanna Vieira, retratam paisagens cariocas. No Rio, os bordados foram desenvolvidos pelo artista Alexandre Mattos com uma equipe de bordadeiras da marca. Já os artistas Natalia Reys e John Reys, do coletivo Cosmonauta, trouxeram uma leitura contemporânea inspirada em mosaicos urbanos, conectada ao projeto zero waste.

A linguagem urbana aparece também nas intervenções de Bruno Bogossian, criando contraste entre grafite e couro. A coleção inclui ainda calçados de Marcela B e acessórios da Guê, além de um filme exibido durante o desfile, assinado por Ari Kayne, ampliando a experiência visual. Na beleza, Daniel Hernandez apostou em cabelos soltos e naturais. Na plateia, nomes como Vera Fischer, Lele Burnier e Gabb acompanharam a apresentação.

Hisha

A Hisha faz sua estreia na passarela com a coleção Doura, assinada por Giovanna Resende. A marca mineira constrói sua identidade a partir do bordado como elemento central. O desfile apresenta 40 looks que combinam peças inéditas e reedições, cruzando referências de inverno e verão para dialogar com diferentes mercados. A coleção reforça uma narrativa que une tradição artesanal, experimentação e força feminina. Os calçados foram desenvolvidos em parceria com a marca catarinense Le Borô, ampliando o repertório colaborativo da apresentação.

Handred

Na passarela do Píer Mauá, André Namitala apresenta o inverno 2026 da Handred a partir de uma construção mais sensorial do que literal, inspirada na ideia de registros akáshicos, um campo de memória que atravessa consciente e inconsciente. A trilha ao vivo da Companhia de Ópera da Lapa acompanha essa atmosfera e conduz o desfile com uma cadência mais densa. As peças apostam em camadas, volumes e recortes, com tecidos como couro, veludo, gazar e shantung estruturando as silhuetas.

Em contraste, crepe e algodão aparecem em momentos de maior fluidez. Laços e modelagens orgânicas sugerem proteção e acolhimento, enquanto bordados e aplicações, incluindo elementos em cerâmica, se integram à construção das roupas. A cartela de cores concentra-se em marrons, verdes escuros, preto e cobre, com pontos de rosa que quebram a densidade visual. O resultado é uma coleção que trabalha textura, proporção e materialidade de forma precisa.

 

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Blueman

Encerrando o terceiro dia, a Blueman retorna às passarelas após dez anos com a coleção Rota 72, sob direção de Thomas e Sharon Azulay. A proposta percorre simbolicamente os mais de 11 mil quilômetros do litoral brasileiro. O desfile ganha força com a presença de Helô Pinheiro, que abre a apresentação com um look all jeans e retorna no encerramento com um maiô e capa com a bandeira do Brasil, dançando ao lado da bateria da Viradouro e de sua neta.

Deborah Secco também participa do desfile com sobreposições de biquínis, reforçando o caráter performático da apresentação. O elenco inclui ainda nomes como Pocah e Jonathan Azevedo, conectando a coleção ao imaginário carioca contemporâneo. Com o terceiro dia, a Rio Fashion Week reafirma sua proposta de reunir diferentes linguagens e territórios criativos, mantendo o evento como vitrine da moda brasileira e espaço de articulação com o cenário internacional.

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