O designer de joias Antônio Henrique realiza, nesta quarta-feira (6), em Goiânia, uma apresentação exclusiva das peças que levará à Maison Bazaar, programação da Harper’s Bazaar durante a Paris Fashion Week. O encontro, intitulado Paris Preview, acontece a partir das 16h, na casa de Sissi Calixto, no Jardins Viena, para convidados.
Antes de embarcar para a França, o joalheiro escolheu a capital goiana para mostrar, em primeira mão, a coleção que representa sua leitura de brasilidade, sustentabilidade e luxo contemporâneo. A programação inclui uma meditação conduzida pelo próprio designer, seguida da apresentação das joias selecionadas e de um menu especial de fim de tarde.
Segundo Antônio Henrique, o convite para participar da programação em Paris surgiu após um projeto realizado em Trancoso no verão passado, que reuniu joalheria autoral de diferentes estados brasileiros. “O que chamou atenção foi justamente a integração de materiais orgânicos produzidos na Amazônia, como madeira esculpida, coco tucum e caramujo, além de fósseis e pedras brutas, combinados ao ouro, diamantes e gemas brasileiras”, disse, em entrevista à Zelo.
Essa combinação de elementos naturais e técnicas de alta joalheria despertou o interesse da curadoria internacional, que viu nas peças uma expressão de “joias com alma brasileira” adequada ao contexto da Semana de Moda de Paris. A coleção será exposta no Museu da América Latina, na capital francesa, nos dias 29 e 30 de setembro.

Luxo e ancestralidade
Antônio Henrique desenvolve essa linguagem autoral desde a criação da marca, em 2008. Para ele, o reconhecimento internacional que chega agora não é apenas resultado de uma trajetória consistente, mas também de uma mudança mais profunda na forma como a moda e o luxo são percebidos. “Sempre acreditei no potencial e no significado do que produzo. Acredito que o reconhecimento chegou agora pela urgência dos tempos que vivemos”, afirma.
Segundo o designer, a moda sempre moda sempre reflete o espírito do tempo. Em uma época marcada por debates sobre sustentabilidade, autenticidade e consumo consciente, o feito à mão, o único e o original ganham novo valor. “O meu trabalho traz justamente as características do que está em evidência hoje: o feito à mão, o único, o original. Mas, acima de tudo, ele busca ressignificar o luxo nos dias atuais”, diz.
Essa ressignificação aparece na escolha dos materiais. Madeira esculpida, coco tucum, fósseis e outros elementos orgânicos produzidos por povos originários são incorporados à alta joalheria ao lado de ouro, diamantes e gemas brasileiras. “Os materiais orgânicos produzidos pelos nossos povos originários significam floresta em pé, ancestralidade e, o mais importante, sustentabilidade”, explica.
O designer defende que o novo luxo está menos associado à raridade mineral e mais à preservação da vida e dos recursos naturais. Ele contrapõe a abundância cósmica dos diamantes à singularidade da natureza terrestre. “Diamantes existem em vários outros corpos celestes. Mas madeira existe apenas no nosso planeta Terra. Integrar esses elementos à joia contemporânea é uma atualização do conceito de luxo.”
Na visão de Antônio Henrique, luxo deixou de ser apenas ostentação para se tornar uma ideia ligada à qualidade de vida, ao equilíbrio e à permanência. “Luxo é ter qualidade de vida, ter ar para respirar, água potável. Esses elementos carregam todo esse processo”, conclui.

Retorno às raízes
Antônio Henrique mantém forte vínculo com a capital goiana, onde começou sua carreira e onde costuma lançar coleções em eventos privados e espaços ligados à arte e ao design. Ele atua há 40 anos no setor joalheiro em Goiânia, e a empresa foi fundada por sua mãe, Miriam Paiva, há seis décadas. “Existe uma tradição familiar que está sendo renovada e atualizada. Fazer esse encontro aqui é uma forma de agradecer e honrar os relacionamentos, os clientes e as pessoas que tornam essa trajetória possível há tanto tempo”, afirma.
O evento também reflete a influência da filosofia indiana e da espiritualidade em seu processo criativo. A meditação de abertura, segundo ele, não tem caráter apenas contemplativo. “Minha intenção é que o encontro funcione como uma experiência que possa ser levada para o dia a dia das pessoas. A meditação é uma ferramenta para desenvolver discernimento e fazer escolhas mais conscientes”, explica. A proposta, segunfo ele é unir beleza, bem-estar, sensibilidade e reflexão, ampliando a experiência da joia para além do objeto de adorno.
Depois da apresentação na Paris Fashion Week, Antônio Henrique inicia a preparação da próxima coleção, que será lançada no verão em Trancoso. “O trabalho teve uma aceitação incrível por lá”, diz ele. Com peças feitas à mão, ouro reciclado, materiais orgânicos da Amazônia e referências que transitam entre Oriente e Ocidente, o designer leva a Paris uma proposta de joalheria que combina tradição familiar, experimentação estética e uma visão contemporânea de sustentabilidade.
















