Olho mágico

  • Rogério Mesquita escolheu a fotografia em 1991, fez as malas e partiu rumo à Napa Valley College, na ensolarada Califórnia para estudar
Por Osmar Régis Fotos Rogério Mesquita
Uma câmera fotográfica é praticamente uma réplica do olho humano. Enquanto, no olho a retina é capaz de traduzir a luz em imagens, na câmera fotográfica analógica, esse procedimento é realizado pela combinação de processos químicos e mecânicos, que funcionam a partir dos componentes responsáveis pela entrada de luz e captura das imagens.
Entre a invenção da fotografia e o momento em que uma máquina dessas caiu nas mãos de um certo garotinho, se passaram muitos anos. Foi em 1978 que Rogério Mesquita, na época com seis anos de idade, se apaixonou. Ele ia com a mãe para a Faculdade de Artes Visuais e ali brincava com sua câmera.
Aos 19 anos, depois de um pequeno flerte com a música, Rogério voltou seus olhos para a velha máquina e com ela, em 1991, fez as malas e partiu rumo à Napa Valley College, na ensolarada Califórnia. Lá estudaria para se tornar um profissional. “Em 1993, consegui meu primeiro trabalho pago, que foi o pontapé inicial da minha carreira”, relembra.
Desde então, foram inúmeros trabalhos. “Um dos momentos chaves da minha carreira foi quando recebi um prêmio pela revista Photo, em 1997”, conta. Foi nesse momento que Rogério entendeu que era possível viver de fotografia.
Entre 1998 e 2002, o fotógrafo se dedicou a um viés mais artístico. “As coisas começaram a mudar quando voltei para o Brasil. Em 2009, minhas fotos tiveram um reconhecimento comercial”, diz. Daí em diante, Rogério entrou de cabeça nas campanhas de grandes marcas, clicando muitos famosos dentro e fora do País. Além de cobrir desfiles importantes de moda, suas fotos já estamparam a capa de várias edições de revistas como Elle, Trip e Uma, além da edição mais recente da FFWMAG – publicação da São Paulo Fashion Week.
Identidade
Ele conta que sempre se preocupou em imprimir uma assinatura própria nas fotos. “Admirava vários fotógrafos, mas evitava acompanhá-los para não vincular minha visão à deles”, conta.
Para alcançar sua autenticidade, Rogério diz que procurou inspiração nas artes plásticas. “Admiro modernistas e renascentistas”, revela. Ele se derrete ao falar do seu quadro favorito: O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli. “Quando o vi, fiquei uma hora olhando para ele. Mudou meu senso de estética.”
Uma vez seguro de seu estilo, o fotógrafo passou a observar melhor outros profissionais. Seus preferidos são o alemão Helmut Newton, a americana Sally Mann e o francês Patrick Demarchelier. Entre os brasileiros está o paulista Bob Wolfenson.
Na hora de fotografar, Rogério conta o segredo para arrancar o melhor de seus modelos: não falo muito durante a sessão, explico detalhadamente tudo o que ocorrerá durante o trabalho e, no caso de fotos comerciais, entrego à equipe o layout da campanha com os objetivos a serem atingidos. “Ter paciência e confiança, e saber explicar são ferramentas essenciais”, explica.
A quem deseja entrar nesse universo, ele diz que o primeiro passo é se perguntar se é isso mesmo que se quer da vida. “Não é uma profissão fácil. Os resultados são demorados. É preciso ter paciência e também muito amor para persistir”, avisa. Ele ainda lembra que é necessário ir além da fotografia. “Estude arte, ganhe senso estético, viaje muito e aprenda a observar!”

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