Pouco lembrado nas campanhas de saúde, o câncer de bexiga é um dos tumores mais frequentes do trato urinário e deve registrar cerca de 13,1 mil novos casos por ano no Brasil, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Apesar da incidência, a enfermidade ainda é cercada por desinformação, o que faz com que muitos pacientes busquem atendimento apenas em estágios mais avançados. Durante o Julho Roxo, mês dedicado à conscientização sobre o tema, especialistas reforçam que reconhecer os primeiros sinais é essencial para aumentar as chances de cura.
Para o urologista Bernardo Barreira, um dos principais desafios é conscientizar a população de que alguns sintomas não devem ser ignorados. Segundo ele, o sangue na urina é o principal sinal de alerta do câncer de bexiga e exige investigação imediata, principalmente em pessoas acima dos 50 anos. “Mesmo que o sangramento desapareça espontaneamente e não seja acompanhado de dor, a avaliação médica é indispensável”, afirma.
Ao contrário de outros tipos de câncer, o tumor de bexiga não possui exames de rastreamento recomendados para pessoas sem sintomas. Por isso, observar alterações urinárias é fundamental. Qualquer mudança persistente deve motivar uma consulta com um urologista.
Entre os fatores de risco, o tabagismo é o mais importante. O cigarro está diretamente associado ao desenvolvimento do câncer de bexiga, elevando significativamente o risco entre fumantes e ex-fumantes. Também integram o grupo de risco pessoas que trabalham em contato frequente com produtos químicos, como tintas, solventes e derivados do petróleo. Nesses casos, o uso correto de equipamentos de proteção individual é fundamental para minimizar a exposição.
Além da prevenção da doença, Bernardo Barreira destaca que hábitos saudáveis contribuem para a saúde de todo o sistema urinário. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar o peso corporal e abandonar o cigarro são medidas que ajudam a reduzir o risco de diversas doenças urológicas.
O médico também chama atenção para um comportamento ainda comum entre os homens: adiar a procura por atendimento médico e exames preventivos. Segundo ele, essa resistência cultural faz com que muitas doenças sejam diagnosticadas apenas quando já estão em estágios mais avançados. “A participação da família, especialmente de esposas e filhos, costuma ser decisiva para incentivar o homem a procurar atendimento médico antes que os problemas apareçam”, observa.
Quando o diagnóstico é feito precocemente, o tratamento tende a ser mais eficaz e menos invasivo. No câncer de bexiga, a identificação da doença em seus estágios iniciais amplia significativamente as chances de cura e contribui para preservar a qualidade de vida do paciente.
Ao reforçar a campanha do Julho Roxo, Bernardo Barreira resume o alerta: “A bexiga não manda WhatsApp. Ela manda sangue na urina. Se a urina estiver avermelhada, não espere melhorar sozinha. Isso não é normal. Procure um médico. O diagnóstico precoce pode salvar vidas.”















