O artista Glauber Rodram apresenta uma obra inédita na CasaCor Goiás, em Goiânia. A instalação integra o ambiente da Vero Festas em parceria com a O.M. Incorporadora e foi desenvolvida especialmente para a mostra, com execução parcial no próprio espaço. A mostra vai ocupar uma espaço na Rua 1131, no Setor Marista entre os dias 30 de abril a 21 de junho de 2026.
O artista afirma que a obra marca um novo momento na sua trajetória. “Faço minha estreia na CasaCor Goiás com uma obra diferente de todas que já expus, com uma intensidade e proporções jamais vistas”, diz. À Zelo, ele adiantou que se trata de uma estrutura de 4m de altura por 5m de diâmetro. O ambiente da OM tem como tema O que Sustenta o Futuro e é assinado pela Vero Festas, de Cristal e Tana Lobo.
Parte da peça, batizada de Gameleira foi construída in loco devido à escala. “É uma obra que foi montada no local. Nem eu sabia exatamente como seria até a instalação ser concluída.” Glauber conta que foram 60 dias produção no ateliê mais 6 dias de montagem na CasaCor. “Foram usados na obra diversos materiais que incluem algodão, veludo, viscose, chenile, seda entre outros, totalizando quase 2mil kilometros de fios”, descreve ele.
Natural de Tupã (SP) e radicado em Curitiba, Glauber não tem formação acadêmica em artes. Sua produção nasce de um percurso autodidata e de referências que vêm desde a infância. “Cresci em um ambiente musical e com uma avó restauradora de arte sacra. Via ela pintar, costurar, misturar cores. Isso ficou comigo”, afirma.
Antes de se dedicar à arte, Rodram trabalhou no meio corporativo. A mudança de carreira impulsionou a criação do Borboletário, projeto que consolidou sua linguagem. “Abri mão de tudo e passei por um processo de redescoberta. Foi uma metamorfose”, resume.

Técnica e linguagem
As obras são desenvolvidas a partir da técnica fiber emballage, que consiste em encapar fios com outros fios, criando estruturas têxteis complexas. “Entre todas as técnicas que conheci, essa me permitiu ir além do óbvio”, explica. O artista destaca que o processo é manual e exige tempo, em contraste com a lógica de produção acelerada. “A sociedade se moldou para peças em larga escala, mas a arte pede tempo. Hoje há uma busca maior por trabalhos únicos, detalhados e com propósito”, afirma.
As borboletas são o elemento central de sua obra e também a marca pela qual o artista se tornou reconhecido. Para Rodram, elas sintetizam tanto a estética quanto o conceito da sua produção. “Me vejo muito representado por esse arquétipo. Minha trajetória também é uma transformação.” Além do simbolismo, o tema também carrega uma dimensão ambiental. O artista incorporou ao projeto a preocupação com a preservação das espécies, trazendo o debate para dentro do universo da arte.
Mas, na CasaCor Goiás, ele propõe um desvio: deixa as borboletas de lado para apresentar uma instalação inédita que ocupa um amplo espaço vertical, do chão ao teto, em diálogo direto com o ambiente. A proposta, segundo o artista, é provocar o público. “A arte tem uma missão de fomentar debates. Não pode ser comedida.” Com passagens por edições da CasaCor em Brasília, Salvador, Curitiba e Florianópolis, Rodram amplia agora sua presença em Goiânia. “Com essa obra, subo mais um degrau na minha trajetória”, afirma.
















