Uma pesquisa inédita sobre o perfil, o comportamento de consumo e os hábitos turísticos da população LGBTQIA+ brasileira foi lançada nesta terça-feira (22), durante a abertura da 10ª Conferência Internacional da Diversidade, no Centro Cultural São Luiz, em São Paulo. Realizado pela Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil em parceria com o IEMI – Inteligência de Mercado, o levantamento reúne dados socioeconômicos e informações sobre consumo, relacionamento com marcas e empresas e experiências como viajantes.
Segundo a pesquisa, o Brasil possui 21.555.524 pessoas LGBTQIA+ com 18 anos ou mais. O levantamento dimensiona esse público a partir de diferentes aspectos, como poder de compra, estilo de vida, hábitos de consumo e relação com produtos e serviços, além de escolhas, motivações e experiências no turismo.
A proposta é reunir, em uma mesma abordagem, informações sobre consumo e turismo, permitindo observar como essas dimensões se relacionam. O estudo também aborda fatores como escolha de destinos, percepção de acolhimento e condições que contribuem para experiências mais seguras e respeitosas.
Para Marcelo Prado, diretor do IEMI, os dados ajudam a dimensionar a relevância econômica e social da população LGBTQIA+ e a identificar desafios enfrentados por esse público em diferentes ambientes de consumo e turismo. “Esta pesquisa é muito importante porque mostra a importância da população LGBT e quanto ela gasta no Brasil. O lado econômico também dessa população é enorme”, afirma.
Segundo Prado, compreender as necessidades desse público também é importante para o setor de turismo, já que a população LGBTQIA+ viaja pelo Brasil e para o exterior e consome diferentes produtos e serviços.
“E, do outro lado, são as necessidades como consumidor, como cidadão e, acima de tudo, como turista, que viaja pelo Brasil todo e para o exterior, consumindo uma série de produtos e serviços. Entender essas necessidades, seus desafios e, inclusive, os ambientes, né, em que ela às vezes tem que se mostrar invisível dentro desses ambientes, é muito importante para poder atender melhor e reconhecer melhor essa população e todas as suas necessidades”, ressalta.
Para Tania Neres, coordenadora de Afroturismo, Diversidade e Povos Indígenas da Embratur, a pesquisa amplia a compreensão sobre a população LGBTQIA+ ao abordar também sua dimensão econômica.
“É muito importante que a gente saiba isso, porque muitas vezes as pessoas só acham que a gente está falando de hospitalidade e acolhimento, sim, porque é necessário e obrigatório, mas a gente precisa mostrar isso como negócio, até para que os grandes empreendedores entendam o quanto é importante tratar toda a comunidade LGBT de forma realmente acolhedora, porque o retorno financeiro é muito importante”, destaca.
Tania também defende a continuidade da produção de dados para acompanhar as mudanças no comportamento desse público. A intenção, segundo ela, é estabelecer uma base que permita comparar os resultados ao longo dos anos e orientar investimentos de destinos e empresas do setor.
Experiências personalizadas
A presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV Nacional), Ana Carolina Medeiros, destaca a necessidade de transformar as informações levantadas em conhecimento aplicado pelos profissionais do turismo. “O trade, com o protagonismo do agente de viagens, precisa investir em capacitação e letramento para atuar com empatia, para que o setor cumpra sua essência fundamental de contribuir para que cada destino seja especial para todas as pessoas, atendendo às necessidades de cada viajante”, afirma.
Para Ana Carolina, os dados sobre perfil socioeconômico, poder de compra e estilo de vida podem ajudar os profissionais a compreender melhor cada cliente e desenvolver experiências mais personalizadas. “Compreender a fundo a personalidade de cada cliente significa ir além e abraçar todas as formas de inclusão. Ao identificar essas necessidades pontuais e moldar o roteiro ao indivíduo, e não o contrário, o profissional garante que toda e qualquer pessoa sinta um pertencimento real e um acolhimento genuíno nos destinos”, acrescenta.
Marina Marinho, presidente do Fornatur, também destaca o potencial da pesquisa para subsidiar políticas públicas e contribuir para a qualificação dos destinos turísticos brasileiros. “Para o Fornatur, esses dados serão fundamentais para orientar políticas públicas, qualificar destinos e preparar o turismo para acolher todas as pessoas. Inclusão não pode ser apenas discurso: precisa estar no planejamento, nas oportunidades e em cada experiência. Porque o turismo só transforma de verdade quando ninguém fica de fora”, afirma.
Além de reunir informações sobre turismo, o levantamento apresenta dados relacionados aos hábitos de vida, às preferências e aos padrões de consumo da população LGBTQIA+ em diferentes categorias de produtos e serviços. A produção de dados também busca contribuir para o debate sobre a diversidade desse público e reduzir a dependência de percepções baseadas em estereótipos. As informações podem ser utilizadas por empresas, marcas, destinos turísticos, entidades e instituições interessadas em compreender características e necessidades específicas dos consumidores LGBTQIA+.
Para Ricardo Gomes, presidente da Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil, a realização da pesquisa representa o reconhecimento da diversidade interna da comunidade e da importância de conhecer suas características sociais e econômicas. “Realizar essa pesquisa no Brasil é, portanto, motivo de celebração. É reconhecer a força, a diversidade e a importância da comunidade LGBTQIA+, além de reafirmar o nosso compromisso com um país que valoriza seus diferentes públicos e entende que inclusão também significa conhecer, respeitar e atender às pessoas em sua pluralidade, em sua diversidade”, afirma.
O lançamento do levantamento integra a programação da 10ª Conferência Internacional da Diversidade, que reúne representantes do poder público, empresas, entidades, profissionais do turismo, especialistas e lideranças para discutir diversidade, inclusão, economia e oportunidades para a população LGBTQIA+.















