O Governo de Goiás tem ampliado os investimentos em programas de formação tecnológica e pesquisas científicas voltados à participação feminina. Entre as iniciativas estão editais de fomento, capacitação de estudantes e apoio a projetos coordenados por pesquisadoras. As ações são desenvolvidas pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), por meio do programa Goianas na Ciência e Inovação.
A política estadual ganha destaque durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, realizada de 26 de outubro a 1º de novembro, que neste ano tem como tema Ciência Delas. Em Goiás, os investimentos contemplam desde meninas da educação básica até pesquisadoras que atuam em áreas como engenharia, computação e nanotecnologia. Duas chamadas públicas lançadas em 2024, com previsão inicial de R$ 2 milhões, integram as ações para incentivar o ingresso, a permanência e o desenvolvimento profissional de mulheres na ciência.
Uma das frentes de financiamento aproxima a pesquisa científica das políticas públicas de proteção social. Em parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds), a Fapeg destinou R$ 1 milhão a dez estudos aplicados ao enfrentamento da violência contra meninas e mulheres. Os projetos envolvem universidades, órgãos governamentais e comunidades, com propostas para aperfeiçoar a prevenção, o acolhimento e a atuação dos serviços públicos.
Entre as pesquisas contempladas está Proteção Integrada e Prevenção de Risco Letal, coordenada por Jéssica Traguetto, da Universidade Federal de Goiás (UFG). Previsto para 45 municípios goianos, o estudo pretende desenvolver ferramentas gratuitas para identificar situações de maior risco e orientar o trabalho conjunto das redes de segurança pública, Justiça, assistência social e saúde.
A proposta inclui uma matriz para identificação e priorização de casos e um guia destinado aos profissionais que atuam na proteção de mulheres, com atenção também a meninas e idosas. “Investir na ciência feita por mulheres é investir em respostas mais próximas da realidade de quem mais precisa delas”, afirma Jéssica.
Formação tecnológica na educação básica
O incentivo à presença feminina nas áreas de ciência e tecnologia também passa pela formação de estudantes. O programa Start, que oferece cursos de robótica e programação, reserva 50% das vagas a meninas e mulheres e recebeu R$ 4,42 milhões em investimentos desde 2024. No empreendedorismo, os editais do programa Eleve, lançados em 2024 e 2026, somam R$ 670 mil em apoio a empreendimentos.
Outra iniciativa é o STEAM4Girls: Aprendizagem Criativa para Estímulo de Meninas Cientistas, coordenado por Thamise Sampaio Vasconcelos Vilela, do Instituto Federal de Goiás (IFG), campus Goiânia. Com financiamento de R$ 100 mil da Fapeg, o projeto levou atividades de robótica, programação e aprendizagem criativa a cerca de 120 alunas de seis escolas públicas entre 2024 e 2026.
As participantes tiveram contato com impressão 3D, sensores, realidade virtual e construção de sistemas de automação. Além das atividades destinadas às estudantes, a iniciativa capacitou pelo menos 30 professores e promoveu mentorias entre alunos do IFG e meninas da educação básica, aproximando diferentes etapas da formação científica.
O IFG também desenvolve o programa Meninas Cientistas, no campus Uruaçu, com apoio da Fapeg por meio de bolsas de iniciação científica júnior e de desenvolvimento tecnológico e inovação. As iniciativas procuram ampliar o contato de meninas com áreas nas quais a participação feminina ainda enfrenta barreiras de acesso e permanência.
Pesquisadoras em computação quântica
O financiamento estadual também contempla pesquisas conduzidas por mulheres em áreas avançadas da ciência. Na UFG, as professoras Danielle Cangussu de Castro Gomes e Andreia Luisa da Rosa coordenam o projeto Materiais Moleculares Multifuncionais rumo à Spintrônica e Informação Quântica, que recebeu R$ 54 mil da Fapeg e duas bolsas de iniciação científica.
A equipe investiga materiais com propriedades que podem contribuir para o desenvolvimento futuro de tecnologias em nanotecnologia, eletrônica molecular, spintrônica e computação quântica. O estudo exemplifica a presença de pesquisadoras goianas em campos estratégicos para o avanço tecnológico e a formação de novos profissionais.
Entre 2019 e 2026, a Fapeg destinou R$ 448,1 milhões à sua área finalística, considerando recursos executados e empenhados. Desse total, R$ 354,8 milhões, equivalentes a 79,2%, concentram-se no período de 2023 a 2026. Os valores correspondem ao financiamento científico geral da fundação, que inclui as iniciativas voltadas à participação feminina.
Além do apoio financeiro, a política estadual aborda desafios relacionados à continuidade das carreiras acadêmicas, como a conciliação entre maternidade e produção científica, o acesso a bolsas e recursos e a presença de mulheres em funções de liderança. A proposta é atuar em diferentes etapas da trajetória profissional, desde o primeiro contato com a tecnologia até o desenvolvimento de pesquisas e a consolidação da carreira científica.


































