O Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (Ceia-UFG) apresentou o Lumi, um novo modelo de linguagem de inteligência artificial desenvolvido em português e adaptado à realidade brasileira. O lançamento ocorreu nesta quarta-feira (28), durante o AI Brasil Experience 2026, em São Paulo. A tecnologia oferece às empresas uma alternativa gratuita para desenvolver aplicações próprias de IA, com mais autonomia e flexibilidade no uso de infraestrutura computacional.
A proposta é facilitar o acesso à tecnologia por empresas que possuem conhecimento técnico e dados para desenvolver soluções, mas enfrentam dificuldades para arcar com os custos de ferramentas internacionais, muitas vezes cobradas em moeda estrangeira. Com o Lumi, a intenção é ampliar as possibilidades de desenvolvimento de aplicações próprias e reduzir a dependência de serviços de terceiros. “É uma ferramenta para cobrir aquela etapa em que o empreendedor ainda não consegue fluir. Muitas vezes ele tem o know-how, os dados, mas não consegue bancar em dólar as soluções”, explica Arlindo Galvão, diretor de Inovação do Ceia-UFG.
Investimentos em IA
Durante o evento, o governador eleito de Goiás, Daniel Vilela, destacou o trabalho desenvolvido pelo Ceia-UFG e os investimentos estaduais na área. Entre as iniciativas mencionadas estão o programa IA Contra o Crime, a criação do Pequi Bank, apresentado como o primeiro banco digital público do Brasil, e o uso de ferramentas de inteligência artificial em serviços públicos e no campo.
O Governo de Goiás investiu cerca de R$ 91 milhões no centro de pesquisa, por meio de dois convênios: o primeiro, de R$ 13 milhões, e o mais recente, de R$ 78 milhões. Atualmente, o Ceia-UFG reúne mais de mil pesquisadores e atende mais de 100 clientes.
Segundo os dados apresentados, as soluções desenvolvidas pelo centro contribuíram para atrair mais de R$ 500 milhões em investimentos privados. Entre as empresas que utilizam tecnologias resultantes dos projetos estão Google, iFood, Itaú, Natura, Vivo, WEG, Cemig e Volkswagen Caminhões.
Vilela também ressaltou a expectativa de ampliar o impacto econômico dos investimentos e fortalecer Goiás como polo de pesquisa em inteligência artificial. “A gente tem uma expectativa, se seguir a proporção do primeiro convênio, de chegar em R$ 3 bilhões de atração em investimentos, mas somos comedidos. O fato é que estamos apostando e acreditando muito que esse distrito vai consolidar Goiás e a pesquisa de inteligência artificial”, afirmou.
O lançamento do Lumi marca mais um passo na atuação do Ceia-UFG para aproximar pesquisa e desenvolvimento tecnológico das necessidades do setor produtivo, com foco na ampliação do acesso a ferramentas de inteligência artificial. O trabalho desenvolvido pelo centro e os destaques da equipe de pesquisadores são tema de uma reportagem especial da Revista Zelo, que será publicada na próxima edição impressa, com lançamento em breve.


































