O Festival Bananada inicia nesta terça-feira (18) uma nova etapa de sua trajetória em Goiânia com uma garantia para o futuro: pelo menos dez novas edições serão realizadas na capital. O compromisso foi anunciado por Fabrício Nobre, sócio e idealizador do festival, durante a coletiva de imprensa realizada na segunda-feira (17), no Coletivo Centopeia, e acompanha a entrada de novos sócios e a expansão das atividades para o mercado internacional.
A confirmação ocorre no momento em que o Bananada retoma uma grande edição presencial depois de um hiato de seis anos. Até domingo (23), mais de 100 atrações ocupam diferentes espaços da cidade, em uma programação que reúne nomes de diferentes gerações e vertentes da música brasileira.
Para Fabrício, a nova configuração do festival preserva a relação com Goiânia ao mesmo tempo em que abre novas possibilidades de circulação. “Goiânia continua sendo a casa do festival. A gente firmou um compromisso de longo prazo para garantir a realização de pelo menos 10 edições do Bananada na capital goiana. Vão ter que me aguentar por mais 10 anos”, afirmou o fundador e diretor artístico do evento.
Conexão Goiânia-Berlim
A nova sociedade também está ligada à estratégia de internacionalização do Bananada. A entrada de Daniela Cantagalli e Rodrigo da Matta, criadores do Psicotrópicos Festival, na sociedade do Bananada aproxima Goiânia e Berlim e amplia a atuação internacional do evento. A parceria prevê troca de experiências, desenvolvimento de projetos conjuntos e novas possibilidades para a circulação da música brasileira no mercado europeu.
As primeiras ações já começam em 2026, com showcases realizados nos dois festivais e iniciativas voltadas à circulação de artistas entre Brasil e Europa. A proposta é fortalecer a conexão entre as duas cenas e criar novas oportunidades para artistas independentes. “Percebemos que existia uma sinergia muito forte entre os projetos e que poderíamos construir algo maior juntos. O objetivo é fortalecer os dois festivais e criar novas oportunidades para a música brasileira dentro e fora do país”, explicou Rodrigo da Matta.

Pluralidade de estilos
Criado em 1999, o Bananada se desenvolveu a partir da cena independente de Goiânia e ampliou sua programação ao longo dos anos. O festival passou a reunir diferentes gêneros e públicos, além de criar espaços de circulação para artistas de diversas regiões do país. “Nosso line-up tem 15 linhas. Os artistas que estão sempre aí, que vendem ingressos, que garantem o público, estão nas primeiras quatro linhas. Mas o que faz o festival sero que ele é há 27 anos são os artistas da quinta linha para baixo,” disse Fabício.
O produtor destacou a pluralidade de gêneros presentes no Bananada, mas reconheceu que algumas cenas fortes em Goiás ainda não estão representadas no line-up. Entre elas, citou o jazz, o blues, o punk e o samba. Ele também apontou o momento de destaque vivido pelo eletrofunk e defendeu uma aproximação maior entre essa cena e a produção independente. “O eletrofunk é o que a gente tem de mais próximo do próprio funk carioca, do tecnobrega, do brega funk. Vale a pena a gente tentar conectar toda essa cena indie e alternativa com eles”, afirmou.
Para Dai Dias, uma das sócias do festival, o Bananada contribui para dar visibilidade e fortalecer a cena musical, mas ainda não consegue alcançar toda a produção que acontece no interior de Goiás. Segundo ela, ampliar essa conexão depende também de políticas públicas e de mecanismos de incentivo que apoiem a circulação e a produção dos artistas. “Tem que ter edital de circulação, tem que ter edital de gravação de disco, porque senão essa galera não consegue chegar aqui”, afirmou.
A retomada do Bananada acontece de terça-feira (18) a domingo (23), com mais de 100 atrações distribuídas por diferentes espaços de Goiânia. A programação passa pelo Centro Cultural Martim Cererê, Centro Cultural Oscar Niemeyer, bares, boates, pontos de cultura e restaurantes. Entre os nomes confirmados estão BaianaSystem, Gaby Amarantos, Arnaldo Antunes, Tulipa Ruiz, Don L, Boogarins, Tuyo, Tássia Reis, Jadsa, Julia Mestre, Sophia Chablau & Felipe Vaqueiro, Giovani Cidreira e Vitor Araújo & Kiko Dinucci.
A edição de 2026 também retoma a relação do festival com diferentes espaços e manifestações da vida urbana. Além dos shows, a programação inclui festas, showcases e experiências que ampliam a presença do Bananada pela cidade. A organização estima ainda a presença de cerca de 5 mil pessoas de fora de Goiânia. O projeto foi aprovado na Seleção Petrobras Cultural, com recursos da Lei Rouanet.
















