As goianas Hérika de Noronha, que já estampou a capa da revista Zelo e Ludmila Lobo e, voltam a se encontrar no circuito internacional, desta vez pelas artes visuais. As duas artistas participam da Art Shopping Paris, feira internacional de arte contemporânea que acontece de 23 a 25 de outubro de 2026 no Carrousel du Louvre, em Paris. A participação marca uma nova etapa nas trajetórias das duas, que levaram para a produção artística experiências acumuladas em diferentes países, culturas e paisagens.
Em sua 38ª edição, a Art Shopping reúne mais de 300 artistas e galerias de diferentes países no espaço cultural localizado na Rue de Rivoli, ao lado do Museu do Louvre. O evento recebe, segundo a organização, mais de 10 mil visitantes a cada edição, entre público interessado em arte, colecionadores e profissionais do setor. A proposta da feira é aproximar artistas e visitantes, criando um espaço para apresentação de diferentes linguagens da produção contemporânea.
Corpo e liberdade

Radicada em Maiorca, na Espanha, Ludmila Lobo apresenta em Paris duas obras da série Breaking Free: Society e Fearless Heart / Passionate Soul, ambas com 60,3 × 81,2 cm. O conjunto investiga a tensão entre as expectativas impostas pela sociedade e o desejo de construir o próprio caminho, acompanhando visualmente a passagem de um corpo recolhido e contido para outro que se expande por meio da cor, do gesto e do espaço.
Em Society, uma figura feminina aparece encolhida, atravessada por linhas escuras que remetem a amarras. A composição torna visível a sensação de pressão e contenção. Na segunda obra, Fearless Heart / Passionate Soul, a figura se apresenta estendida, cercada por cores mais intensas e por uma sensação ampliada de espaço. A artista propõe que as duas imagens sejam observadas como momentos de um mesmo percurso emocional, entre vulnerabilidade, identidade e liberdade.
A pesquisa de Lobo parte do corpo humano como território de memória, identidade e transformação. Sua produção reúne aquarela, técnica mista, carvão, pintura e desenho figurativo, com a figura feminina, a natureza e o gesto ocupando lugares centrais. Em outra frente de sua produção, a série Botanical Bodies aproxima corpo e paisagem mediterrânea por meio da incorporação de flores secas e elementos botânicos recolhidos em Maiorca às próprias aquarelas.
Antes de se dedicar à prática artística, Lobo trabalhou internacionalmente como modelo e viveu em diferentes contextos culturais. Essa experiência entre países e paisagens continua presente em sua produção. “Tudo pode ser fonte de criatividade quando você está aberta e observa em todas as direções”, afirma a artista.
Arte e natureza

Nascida em Inhumas, no interior de Goiás, Hérika de Noronha também possui uma trajetória internacional na moda e encontrou nas artes visuais um ponto de convergência entre diferentes áreas de sua formação e experiência. Depois de trabalhar como modelo em diversos países, ela se dedicou aos estudos relacionados à sustentabilidade, passando por disciplinas em Cambridge e aprofundando conhecimentos em sistemas alimentares naturais e crus, agricultura regenerativa, Ayurveda e práticas artísticas em estúdio.
Em Paris, ela vai expor obras da coleção Geologies of Unseen, em que constrói a própria tela, a partir de papel reciclado fermentado e reconstruído com casca de árvore, raiz, extrato de alga marinha, coral, lama, areia, casca de ovo e mineral semiprecioso triturado. se desdobra em dois movimentos, Galactic Terrain e Orbital Bodies, tratando a geologia terrestre e a imaginação celeste como uma única linguagem material contínua. “Não começo com uma tela em branco. Começo com um material que já tem uma história. Meu trabalho é uma tentativa de escutar essa história, transformá-la e dar a ela uma outra vida,” diz ela
Sua produção parte de imagens, formas e estruturas associadas à memória da infância e aos ritmos da vida rural. Esculturas táteis, pinturas e instalações compõem uma pesquisa em que corpo, terra e imaginação aparecem conectados. A sustentabilidade também orienta o processo de criação: Hérika prioriza materiais naturais, reaproveita e recicla elementos encontrados e produz as próprias cores a partir de pigmentos extraídos de plantas, solos e outras fontes naturais sempre que possível.
A relação com a natureza aparece, assim, tanto no conteúdo quanto na materialidade das obras. A artista cria uma paisagem que busca transmitir tranquilidade e encantamento, aproximando conceitos como cura, beleza, reciprocidade e resiliência. O trabalho é construído a partir de processos lentos de observação e transformação, em diálogo com conhecimentos ecológicos e com a própria experiência de vida.
Antes das artes, Hérika construiu uma carreira internacional na moda. Foi descoberta aos 13 anos, durante o concurso The Look of the Year, e aos 16 anos recebeu o título de Miss Goiás, chegando ao Top 5 do Miss Brasil Beleza Internacional. Ao longo da carreira, viveu e trabalhou em mercados como Estados Unidos, Inglaterra, Turquia, Grécia, Itália e África do Sul, representada por agências como Mega Model Brasil, Elite Lisboa e Uno Models.
Sua trajetória inclui ainda campanhas para marcas como Louis Vuitton, MAC Cosmetics, H&M, Triumph e Valisere, além de uma campanha mundial da Pantene, com exceção do Brasil, onde a marca era representada por Gisele Bündchen. Hérika também esteve em páginas e capas de publicações como Marie Claire, GQ e V.I.P.. Agora, a experiência acumulada entre diferentes culturas e paisagens encontra nas artes visuais outra forma de expressão.
















