O artista britânico David Hockney morreu nesta quinta-feira (11), aos 88 anos. Considerado uma das figuras mais influentes e reconhecíveis da arte contemporânea, Hockney faleceu pacificamente em casa, segundo comunicado divulgado por sua assessora de imprensa de longa data, Erica Bolton. Conhecido por suas pinturas vibrantes, retratos intimistas e pelas icônicas representações de piscinas ensolaradas da Califórnia, Hockney construiu uma carreira que atravessou mais de seis décadas e ajudou a redefinir os limites entre tradição e experimentação artística.
Nascido em 1937, na cidade de Bradford, no norte da Inglaterra, Hockney estudou arte no Royal College of Art, em Londres, antes de se mudar para Los Angeles nos anos 1960. Foi nos Estados Unidos que consolidou sua linguagem visual marcada por cores intensas, linhas precisas e um olhar atento para o cotidiano.
Embora frequentemente associado à Pop Art ao lado de nomes como Andy Warhol, Hockney desenvolveu uma trajetória singular. Enquanto muitos artistas da época voltavam sua atenção para a cultura de massa e o consumo, ele preferiu explorar relações humanas, memórias, afetos e momentos aparentemente comuns da vida diária.
A vida como tema
Ao longo da carreira, Hockney produziu retratos de amigos, familiares e companheiros, além de registrar sua própria experiência como homem gay em uma época em que a homossexualidade ainda era criminalizada no Reino Unido. Suas obras abordavam desejo, intimidade e convivência com naturalidade e delicadeza, tornando-se referências para gerações de artistas.
Entre seus trabalhos mais famosos está a série de pinturas de piscinas, que se tornou símbolo de sua produção e uma das imagens mais reconhecidas da arte contemporânea. A mais célebre delas, Portrait of an Artist (Pool with Two Figures), foi vendida em 2018 por US$ 90,3 milhões, tornando-se temporariamente a obra mais cara já leiloada de um artista vivo.
Mas sua produção foi muito além da pintura. Hockney também trabalhou com fotografia, gravura, cenografia para óperas e balés, colagens fotográficas e, mais recentemente, arte digital.
Mesmo após os 80 anos, o artista manteve uma intensa rotina de criação. Durante a pandemia, enquanto vivia na Normandia, na França, produziu uma série de paisagens digitais utilizando iPads e tablets, demonstrando sua constante curiosidade por novas tecnologias e linguagens. “Estou perfeitamente feliz fazendo isso. Sinto-me com 30 anos quando estou no estúdio”, declarou em uma entrevista à CNN, em 2017.
A disposição para experimentar acompanhou toda sua trajetória. Ao longo da vida, Hockney recusou fórmulas prontas e seguiu reinventando sua produção, tornando-se uma referência não apenas pela qualidade de sua obra, mas pela capacidade de permanecer relevante em diferentes momentos da história da arte.
Legado duradouro
Além do reconhecimento do mercado, Hockney recebeu algumas das mais importantes honrarias do Reino Unido. Em 2012, foi convidado pela Rainha Elizabeth II para integrar a Ordem do Mérito, uma das distinções mais prestigiadas do país.
Suas obras fazem parte de acervos de instituições como o Museum of Modern Art (MoMA), a Pinacoteca de São Paulo e o Museu de Arte de São Paulo (MASP), além de terem sido tema de grandes retrospectivas em museus como a Tate Britain, o Centre Pompidou e o Metropolitan Museum of Art.
Ao anunciar sua morte, Erica Bolton definiu Hockney como uma das figuras mais importantes da arte contemporânea dos séculos XX e XXI. Seu legado permanece vivo em uma obra marcada pela observação sensível do mundo, pela liberdade criativa e por uma convicção que guiou toda a sua trajetória: amar a vida.















