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Ana Maria Pacheco, a visionária do abismo

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(Divulgação)

Imagine-se em um mundo onde as estranhezas sejam exacerbadas, os dramas acentuados, os esgares fixados nas expressões. Imagine-se abissalmente absorto nos escônditos lugares do íntimo do indivíduo. Imagine-se aparvalhado em admiração pela técnica. Agora imagine-se, enfim, diante de uma obra de Ana Maria Pacheco.

A artista goiana Ana Maria Pacheco (escultora, desenhista, pintora e gravadora), que após sua participação na 11ª Bienal de São Paulo (1971), se mudou para a Inglaterra (1973), onde está radicada desde então, recebeu recentemente mais uma homenagem simbólica em Goiás, através da 3ª edição da FARGO – Feira de Arte Goiás, pela sólida e destacada carreira, com representatividade no Brasil e exterior. O gesto foi recebido com alegria e entusiasmo pela mesma, que, em mais de 50 anos de dedicação às artes, após todas exposições, menções, premiações, homenagens, mostras comemorativas, condecorações, graduações e outras honrarias, mantem seu jeito humilde, polido e gentil de falar e, principalmente, mantem laços estreitos com suas origens em Goiás.

Sobre sua carreira impoluta e seus feitos, não são raras as adjetivações: impactante, soturno, dramático, instigante, profundo.  Todas essas expressões podem definir o trabalho de Ana Maria Pacheco. Mas não o resumem.

Muitos críticos e especialistas em arte já se debruçaram sobre a dramaticidade contida no trabalho da artista, cujo conjunto arquetípico de signos está para além da representação elemental da abstração dos sentimentos, mas ademais, remete a um lugar único da fruição: um lugar quase inevitável de aturdimento.  Tem-se a sensação da plenitude dos sentidos emanando de sua obra: um ruído gutural, um cheiro acre (com notas almiscaradas), ao tato, a aspereza de uma pedra-pomes envolta em veludo, um sabor complexo entre amêndoas e a carne mais vermelha, uma visão epifanesca de algo que nunca existiu, mas povoa a imaginação de cada um de uma forma quase palpável. É o teatro na mais sofisticada interpretação, com ingredientes fetichizantes e histriônicos das comédias bufas e dos dramas operísticos. O que dizer de uma obra que quase não há com o que se comparar, mas ao mesmo tempo, eclode em matéria, elementos plásticos, mitos e toda sorte de humores e afetos? Quantas exclamações caberiam numa resenha sobre o conjunto escultórico de Ana Maria Pacheco? Quantos esgares emotivos em reação às suas gravuras? Quantas narrativas há para se decifrar em seus desenhos?

Estar na Europa, particularmente no Reino Unido – um mercado demasiado exigente – , foi fundamental para a consolidação da carreira, iniciada ainda nos anos 1960; atribui-se grande crédito dessa performance aos seus galeristas da tradicionalíssima Pratt Contemporary Art, há quase quatro décadas. Mas claro que uma produção dessa grandeza teria lugar onde quer que fosse. Além das obras em museus e algumas coleções particulares muito bem guardadas, sobrou-nos, aos goianos, a admiração à distância, a amizade e uns parcos momentos dos encontros esporádicos de suas visitas à terra natal.

Ana Maria Pacheco é artista de ofício, de atelier, de pesquisa, de ferramental. Dilapida as ideias em fases de produção até o esgotamento que ganha formas e contornos. Se lança na criação de forma arrebatada como quem quer ganhar o mundo. E ganha. Nesse momento da vida, mantem a rotina da produção laboriosa em seu ateliê, preparando uma nova exposição para tão logo. Enquanto isso, nós, daqui, já estamos de pé, só aguardando o descortinamento, para aplaudirmos em cena aberta.

Congrats and thanks, Ms. Pacheco!

(Divulgação)
(Divulgação)
(Divulgação)
(Divulgação)

Por Wanessa Cruz – Produtora Executiva, desde sua entrada no meio das artes em 2007, tem como principal característica a estratégia, trazida da experiência como
administradora de empresas, e Sandro Tôrres – Graduado em Direito e Artes Visuais, mestre em História (UFG), possui uma carreira plural, com incursões pela
literatura, cinema, publicidade, TV e artes visuais