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A FARGO TÁ ON

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Fábio Setti – A Casa da Luz Vermelha/DF

Trabalhos remotos, distanciamento social, quarentena, toques de recolher, escassez de produtos, lock down. Novas expressões, novos modos de interação, novas logísticas de operação, novos hábitos. Ou seja, passamos por uma reformatação nas configurações sociais e, consequentemente, culturais. O planeta sofreu (e ainda sofre) com os gigantescos impactos e suas irrefutáveis consequências. Não sucumbir aos efeitos da pandemia de COVID 19 tem sido, não apenas para a produção cultural, um exercício diário de resignação. E, olha só: a arte assumiu seu protagonismo na rotina das pessoas ao redor do mundo. Peças de arte e de cultura adquiriram um caráter de alento, acolhimento, afeto, entretenimento, esperança; e serviram como bálsamo diante da triste nebulosa deixada pelo vírus. Os artistas produziram em profusão. Mas escoaram muito menos do que poderiam e gostariam.

Chegamos à terceira edição da FARGO- Feira de Arte Goiás. E chegamos num momento atípico da história, num desses períodos que, sem resiliência e sem as práticas de cooperação mútua, nada acontece.  Todos os segmentos da sociedade precisaram encontrar formas de continuar resistindo. Após duas edições presenciais e uma trajetória de implantação do formato no Estado, a FARGO continua se preocupando em representar para o segmento mais que um espaço expositivo, mas, para além disso, servir como local e um momento de reflexão e debate.

As reflexões  contemporâneas inevitavelmente passaram a resvalar nesse contexto atual e as premissas se somaram às questões  já concernentes ao ambiente das artes.  Refletindo sobre o que há para se pautar hoje, quais são as narrativas e demandas? O que urge? Produção, ensino  e escoamento em tempos de pandemia? Ativismo cultural? Diversidade e gênero, rumos do mercado artístico, produção textual e crítica?  Do que a produção cultural vai precisar para se manter nos próximos anos? E quem, para responder, a não ser a própria arte?  Há, naturalmente, mais perguntas que respostas no horizonte da produção artística e, na diletância, há a percepção da arte como redenção.

Para 2021, a FARGO – a primeira feira de arte do Centro-Oeste voltada para as plataformas digitais – propõe um olhar para as pluralidades, imaginando seu alcance ampliado pelo eco da internet; os encontros não deixarão de acontecer, assim como também estão preservadas as redes de relacionamentos que se formam e, apesar da virtualidade, não haverá comprometimento das suas principais características de difusão e escoamento de produção artística. O evento foi pensado para otimizar a experiência do visitante, com variedade de atrações: market place, espaço de interatividade, ação educativa e conteúdos de formação e pesquisa (lives, entrevistas, vídeo-aulas).

Fica o convite para o deleite, ainda que virtual; fica o convite para a celebração, ainda que remota; fica o convite para a fruição, ainda que via telas; fica o convite para a arte, e para a arte não tem ressalva.

Yara Dewatcher – S/Título/SP
Talles Lopes – Cleandro Elias/GO
Vanderlei Lopes – Casa Albuquerque/DF/MG
Antonio Guerreiro – Carcará Photo Art/SP


Por Wanessa Cruz – Produtora Executiva, desde sua entrada no meio das artes em 2007, tem como principal característica a estratégia, trazida da experiência como
administradora de empresas, e Sandro Tôrres – Graduado em Direito e Artes Visuais, mestre em História (UFG), possui uma carreira plural, com incursões pela
literatura, cinema, publicidade, TV e artes visuais.