A obra Cinema Negro no Feminino: afeto e pertencimento além das telas, organizada pelas pesquisadoras e cineastas Ceiça Ferreira e Edileuza Penha de Souza, está entre as finalistas da terceira edição do Prêmio Jabuti Acadêmico 2026, na categoria Artes. O anúncio foi feito pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói (RJ).
Publicada pela Nau Editora, a coletânea reúne ensaios e reflexões sobre trajetórias, produções e experiências de mulheres negras no cinema e no audiovisual brasileiro. A indicação coloca em evidência uma produção intelectual que articula pesquisa acadêmica, curadoria, formação e criação artística.
Ao todo, o prêmio recebeu 2.085 inscrições e selecionou 135 obras finalistas, distribuídas em 27 categorias. Os vencedores serão anunciados em 11 de agosto, em cerimônia no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo.
Produção do Centro-Oeste
Natural de Goiás, Ceiça Ferreira é doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB) e professora do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás (UEG). Seu trabalho se concentra no resgate e na difusão de narrativas afro-diaspóricas, especialmente no contexto do Centro-Oeste.
A pesquisadora também é cofundadora do Sertão Negro Ateliê e Escola de Artes e idealizadora do Cineclube Maria Grampinho, iniciativas sediadas em Goiânia que se tornaram referências na circulação e formação em cinemas negros.
Já Edileuza Penha de Souza é historiadora, cineasta, documentarista e professora universitária. Doutora em Educação e pós-doutora em Comunicação pela UnB, possui trajetória consolidada na pesquisa e na realização audiovisual voltadas à negritude e à educação.
Entre seus trabalhos de destaque estão os documentários Filhas de Lavadeiras (2019), vencedor do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro em 2021, Vão das Almas (2023) e o longa Vozes e Vãos (2025). Ela também criou a Mostra Competitiva de Cinema Negro – Adélia Sampaio, primeiro festival competitivo do país dedicado exclusivamente a realizadoras negras.
Cinema, afeto e pertencimento
O livro finalista propõe uma leitura do cinema negro produzido por mulheres a partir das dimensões do afeto, da memória e do pertencimento. Em vez de restringir a discussão à representação nas telas, a obra investiga também os processos de criação, circulação, formação de público e construção de redes entre realizadoras negras.
A indicação ao Jabuti Acadêmico reforça a presença de autoras negras em diferentes áreas do conhecimento. Levantamento divulgado pelo portal Observatório Afro identificou 13 obras de autoria negra entre os finalistas desta edição, distribuídas por 11 campos distintos, como geografia, teologia, economia, história, comunicação e artes.
Na categoria Artes, Cinema Negro no Feminino concorre com obras dedicadas à curadoria, ao teatro negro, ao cinema latino-americano e à história da música no Brasil.
A cerimônia do Prêmio Jabuti Acadêmico 2026 será realizada no dia 11 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, com transmissão ao vivo pelo canal da Câmara Brasileira do Livro (CBL) no YouTube. Mais informações estão disponíveis no site oficial da premiação: www.premiojabuti.com.br
















