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Museu de Arte de Goiânia apresenta exposição sobre memória do Césio-137

"Memórias de Dona Lourdes: Ver para não esquecer" reúne fotografias, documentos e relatos sobre a história de Leide das Neves e do acidente radiológico de 1987
Leide Das Neves, uma das vítimas do acidente com o Césio-136 (Foto: Divulgação)
Leide Das Neves, uma das vítimas do acidente com o Césio-137 (Foto: Divulgação)
Leide Das Neves, uma das vítimas do acidente com o Césio-136 (Foto: Divulgação)
Leide Das Neves, uma das vítimas do acidente com o Césio-137 (Foto: Divulgação)

O Museu de Arte de Goiânia (MAG) abre nesta terça-feira (15), às 19h, a exposição Memórias de Dona Lourdes: Ver para não esquecer. A mostra, realizada no Bosque dos Buritis, apresenta uma narrativa sobre o acidente radiológico com o Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987, a partir das memórias de Dona Lourdes das Neves Ferreira, mãe de Leide das Neves, uma das vítimas da contaminação.

Com fotografias, documentos jornalísticos e relatos, a exposição aproxima a memória pessoal da história coletiva. A proposta é apresentar Leide para além da condição de vítima, recuperando aspectos de sua infância, seus afetos e a convivência com a família antes do acidente que marcou a cidade.

Em 25 de setembro de 1987, Ivo Ferreira, marido de Dona Lourdes, levou para casa parte do material retirado de um aparelho de radioterapia abandonado em Goiânia. Sem conhecer os riscos associados ao Césio-137, a família se encantou com o brilho azul emitido pela substância.

A história de Leide

A menina Leide das Neves, então com seis anos, teve contato com o material e ingeriu parte dele durante uma refeição. Nos dias seguintes, os sintomas da contaminação alteraram a rotina da família, enquanto as autoridades identificavam a dimensão do acidente e adotavam medidas de emergência.

Os moradores foram retirados da residência. Dona Lourdes reuniu roupas, documentos e dinheiro em um lençol, acreditando que retornaria para casa. A família, entretanto, nunca mais voltou. A residência foi demolida e seus pertences foram destruídos como rejeitos radioativos.

Entre as poucas lembranças preservadas estavam fotografias de Leide. “Perguntaram o que eu queria que salvassem antes de demolir minha casa. Eu falei: as fotos da minha filha”, relata Dona Lourdes. Algumas das fotografias foram descontaminadas e devolvidas à família. São esses registros, associados a outros documentos e relatos, que ajudam a reconstruir a história da menina antes e para além da tragédia.

Leide morreu em 23 de outubro de 1987, após ser hospitalizada no Rio de Janeiro. A exposição, no entanto, procura deslocar o olhar exclusivamente concentrado no acidente e recuperar a vida que existia antes dele. A menina gostava de bonecas, sonhava em ser bailarina e compartilhava momentos de afeto com os familiares. Ao recuperar essas lembranças, a mostra propõe uma narrativa que considera a pessoa por trás dos registros históricos da contaminação.

Memória coletiva

A exposição também reúne registros produzidos por repórteres fotográficos que acompanharam o acidente radiológico. As imagens contribuem para apresentar diferentes perspectivas sobre um episódio que provocou perdas, deslocamentos e situações de preconceito contra pessoas atingidas pela contaminação.

Ao colocar essas imagens em diálogo com as memórias de Dona Lourdes, a exposição amplia a discussão sobre como acontecimentos traumáticos são registrados e lembrados. A proposta é reconhecer as experiências individuais dentro de uma história que passou a fazer parte da memória coletiva de Goiânia.

O título Ver para não esquecer reforça essa perspectiva. A mostra propõe compreender a memória não apenas como registro do passado, mas como uma maneira de manter presentes pessoas, experiências e acontecimentos que não podem ser apagados.

A exposição é assinada por Antônio da Mata e Denise Jácomo, com realização do Museu de Arte de Goiânia e apoio de SimplyFix e Eskema Produções. “A exposição carrega uma parte importante da nossa história”, afirma Antônio da Mata, diretor do MAG.

Serviço – Memórias de Dona Lourdes: Ver para não esquecer

Abertura: 15 de setembro de 2026, às 19h
Visitação: até 12 de outubro de 2026
Local: Museu de Arte de Goiânia (MAG), Rua 1, nº 605, Bosque dos Buritis, Setor Oeste, Goiânia
Horários: terça a sexta, das 8h às 12h e das 13h às 17h; sábados, domingos e feriados, das 8h às 18h

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