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Arquiteta e designer goiana Ana Bach lança coleção de móveis autorais

Coleção traz peças em madeira, pedra, couro e palha que partem do conceito “Design antes do Design” e unem criação em Goiás à produção da Arbosso Mobiglia, no Rio Grande do Sul
ARCA Coleção
(Foto: Divulgação)
ARCA Coleção
(Foto: Divulgação)

A arquiteta e designer goiana Ana Bach lança a coleção de móveis Arca, novo projeto de mobiliário autoral que reúne cadeiras, poltronas, bancos, mesas e espelhos desenvolvidos a partir do conceito Design antes do Design. Com criação concebida em Goiânia e produção da Arbosso Mobiglia, no Rio Grande do Sul, a coleção marca uma nova etapa da atuação da designer ao aproximar pesquisa conceitual, desenvolvimento técnico e indústria moveleira brasileira.

Segundo a criadora, o conceito do projeto parte da ideia de que a necessidade humana, a matéria e a técnica construtiva antecedem a forma final. “Não se trata de negar o design, mas de buscar sua origem: compreender por que um objeto precisa existir antes de decidir como ele será”, explica Ana, em entrevista à Zelo. A partir desse pensamento, as peças foram desenhadas com poucos elementos e linhas livres de excessos, privilegiando estrutura, proporção e presença material.

A coleção reúne desenhos como a Cadeira Rito, o Banquinho Ora, o Banco Sacra, o Espelho Alvorada e as mesas Triarca, Elo e Mono. Madeira maciça, pedra natural, couro, palha natural e tecidos compõem a base material do conjunto, escolhido pela designer por sua capacidade de envelhecer bem e criar diferentes experiências táteis. “Uma coleção brasileira não é apenas aquela desenhada no Brasil, mas também aquela que reconhece e valoriza nossos materiais”, afirma.

ARCA Coleção
(Foto: Divulgação)

O nome Arca nasce da palavra “arquétipo”, conceito associado às imagens universais que atravessam o inconsciente coletivo. Para Ana, a coleção busca formas essenciais, capazes de despertar uma memória comum, ao mesmo tempo em que a palavra evoca abrigo e proteção. “O móvel acolhe o corpo, os objetos, os encontros e as memórias. Quis reunir essas duas dimensões: a origem da forma e a ideia de abrigo.”

Um dos aspectos mais marcantes da coleção é a presença recorrente de estruturas apoiadas em três elementos. Na Cadeira Rito e no Banquinho Ora, a designer optou por apenas três pés, partindo do triângulo como forma estrutural simples e estável. O desafio foi conciliar síntese formal, estabilidade e conforto. “Não queria uma cadeira com quatro pés se ela pudesse existir com três. Foi um longo estudo de proporções, ângulos e distribuição de peso até encontrar o equilíbrio entre estrutura, função e leveza visual.”

ARCA Coleção
(Foto: Divulgação)

Criação goiana, produção gaúcha

Embora os desenhos tenham nascido em Goiânia, a prototipagem e a produção acontecem no Rio Grande do Sul, pela Arbosso Mobiglia, responsável pela fabricação dos primeiros exemplares físicos da coleção. O processo exigiu um diálogo constante entre criação e indústria. “Essa distância tornou o trabalho mais rico. Confio neles quanto à execução, e eles confiam em mim quanto à criação”, comenta.

Natural de Goiânia, Ana Bach é formada em Arquitetura e Urbanismo, possui MBA em Design de Mobiliário e teve experiência profissional em Portugal antes de atuar no desenvolvimento técnico de peças no Brasil. Em 2026, apresentou a Poltrona Jungo na ABIMAD e também levou seu trabalho a Paris, ampliando sua presença no circuito internacional de design.

As experiências no exterior influenciaram a coleção, mas também reforçaram seu vínculo com o Brasil. Em Portugal, a designer trabalhou com arquitetura de luxo e observou diferentes formas de habitar. Em Paris, aprofundou o contato com peças icônicas da história do design. “Foi estando fora que passei a valorizar ainda mais a riqueza do Brasil. Sou uma brasileira apaixonada por ser brasileira.”

A coleção é apresentada inicialmente por meio de catálogo e imagens, enquanto a produção física das peças avança. Com o projeto, Ana aproxima criação, desenvolvimento técnico e produção industrial, estabelecendo uma ponte entre o desenho concebido em Goiás e a tradição moveleira do Rio Grande do Sul.

Mais do que objetos, a designer deseja criar relações. “Quero que as pessoas sintam luz. Não apenas a luz física, mas uma sensação de leveza, presença e bem-estar. As peças foram pensadas para participar da vida, serem usadas, tocadas e transformadas pelo cotidiano. Talvez o que eu mais queira seja criar móveis capazes de nos aproximar de nós mesmos, do outro e do espaço que habitamos.”

Ana Bach
Ana Bach ((Foto: Divulgação)

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