O Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás (UFG) abre na quinta-feira (6), às 19h, a exposição Assentamentos – Arte Sacra em Terreiros de Goiânia e Entorno, primeira mostra pública em Goiânia dedicada a uma coleção de arte sacra afro-brasileira formada por peças de terreiros da capital e da região metropolitana. A exposição reúne mais de 40 objetos sagrados e culturais de 16 comunidades religiosas e permanece aberta até 9 de outubro, com entrada gratuita.
A mostra apresenta peças ligadas a tradições como ifá, candomblé, umbanda, omolocô, terecô e jurema. O projeto, realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc e operacionalizado pelo Governo de Goiás por meio da Secretaria de Estado da Cultura, propõe uma reflexão sobre as contribuições africanas e indígenas na formação estética, simbólica e espiritual da cultura goiana.
O acervo resulta de um levantamento realizado ao longo de dois anos em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Trindade e Abadia de Goiás. Os bens reunidos incluem objetos rituais, imagens sacras, indumentárias, documentos históricos, registros fotográficos e referências a cerimônias, cantos, orações e espaços religiosos.
Patrimônio dos terreiros
As peças expostas foram produzidas a partir da década de 1950 e incluem trabalhos de santeiros anônimos e objetos que atravessaram o Atlântico trazidos por povos africanos escravizados. O público encontrará obras em ferro, bronze, madeira, argila, cerâmica, ossos, chifres e cocares de pena.
Segundo o curador e idealizador do projeto, o arquiteto Ricardo Braudes, o conjunto evidencia a riqueza do campo religioso afro e indígena existente em Goiás desde meados do século XX. Dados da Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de Goiás (FUCEG) apontam cerca de 18 mil espaços religiosos em funcionamento no estado, dos quais aproximadamente 4 mil estão na capital.
Braudes afirma que a exposição busca valorizar a contribuição artística, cultural e histórica dos terreiros e ampliar a compreensão pública sobre o significado dessas peças, muitas vezes alvo de preconceito e intolerância religiosa. “Ao lançar luz às peças, objetivamos trazer a público a sua real função e simbolismo agregados, no sentido de propor uma valorização dos cultos afro-brasileiros perante a sociedade goianiense, além de consolidar uma nova referência de pesquisa sobre o patrimônio estudado, contribuindo para o resgate da história goiana no cenário religioso, e para o ensino de história afrodescendente no Brasil”, destaca.

Fotografias históricas
Além dos objetos sagrados, a mostra apresenta duas coleções fotográficas do acervo do Museu Antropológico. A primeira, Procissão dos Pretos-Velhos de Goiânia, registra manifestações religiosas entre 1972 e 1977, período marcado pela perseguição a práticas afro-brasileiras durante a ditadura militar. As imagens mostram o cortejo que saía da região da Pecuária, no Bairro Vila Nova, reunia centenas de fiéis e seguia até o centro de Goiânia, ocupando vias como a Avenida Goiás.
A segunda coleção, Terreiro de Candomblé Rei Congo Inhumas-GO, 1972, documenta práticas religiosas desenvolvidas no Centro de Candomblé Rei Congo, em Inhumas. Os registros revelam aspectos da organização do espaço ritual, das vestimentas, dos instrumentos musicais e da participação coletiva dos fiéis, além de evidenciar o interesse da universidade em documentar manifestações da cultura popular e do patrimônio imaterial goiano.
O projeto inclui atividades de educação patrimonial, palestra pública e visitas guiadas com participação de integrantes dos terreiros e coordenadores da exposição. Os visitantes também receberão um catálogo com o acervo selecionado, que pretende servir como referência para pesquisas sobre patrimônio religioso e história afrodescendente no Brasil.
Todos os integrantes da equipe responsável pela exposição são praticantes de religiões de matriz africana e frequentadores de terreiros de Goiânia, condição considerada fundamental para o diálogo com as comunidades e para a construção coletiva da mostra.
Serviço: Exposição “Assentamentos – Arte Sacra em Terreiros de Goiânia e Entorno”
Abertura: quinta-feira (6), das 19h às 21h
Local: Museu Antropológico da UFG
Endereço: Av. Universitária, 1166, Setor Leste Universitário, Praça Universitária
Visitação: de 11 de agosto a 9 de outubro de 2026
Horário: terça a sexta-feira, das 9h às 17h
Entrada: gratuita















