Goiânia recebe, pela primeira vez, uma exposição dedicada à trajetória de Vik Muniz. Vik Muniz – REVER: Imagem e Reflexão será aberta em 5 de outubro, na Vila Cultural Cora Coralina, no Centro, com a presença do artista e do curador Daniel Rangel. Segundo o jornal O Popular, a mostra reúne 60 fotografias produzidas ao longo de três décadas de carreira.
A exposição percorre diferentes momentos da pesquisa de Muniz sobre imagem, representação e os materiais utilizados na construção de uma obra de arte. Chocolate, açúcar, arame, linhas, pigmentos, sucata, poeira e cinzas estão entre os elementos que o artista já incorporou ao processo criativo.
Antes de fotografar suas obras, Muniz constrói as imagens com materiais que fogem do repertório tradicional da pintura e da escultura. A fotografia aparece como etapa final desse processo, registrando uma composição que existe antes dela. O resultado estabelece uma relação entre aquilo que é reconhecível e a matéria utilizada para reconstruí-lo.
Releituras
Esse procedimento aparece em releituras de obras e referências associadas a artistas como Botticelli, Raphael, Pablo Picasso, Andy Warhol, Joseph Beuys e Yves Klein. Ao reconstruir imagens conhecidas com elementos inesperados, Muniz desloca referências da história da arte e cria novas relações entre imagem, matéria e representação.
Um dos exemplos é A partir de Warhol – Duas Vezes Mona Lisa, em que o artista recria a conhecida imagem da Mona Lisa utilizando pasta de amendoim e geleia. Em outros trabalhos, materiais cotidianos também assumem papel central na construção das imagens.
Outro núcleo da exposição é formado por trabalhos da série Museu de Cinzas, criada a partir do incêndio que destruiu parte significativa do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em 2018. Em Goiânia, serão apresentados dois trabalhos de 2019 que integram o início da série: Vaso Marajoara, 400–1400 d.C., Norte do Brasil e Afresco Pompeia (Detalhe).
A utilização das cinzas acrescenta à discussão sobre imagem questões relacionadas à perda e à preservação do patrimônio. As obras partem de referências históricas e arqueológicas para refletir sobre aquilo que permanece depois da destruição.
Trajetória
Com curadoria de Daniel Rangel, REVER: Imagem e Reflexão também apresenta um percurso pela produção de Vik Muniz. Nascido em São Paulo, em 1961, o artista construiu uma carreira internacional a partir de trabalhos que transformam materiais cotidianos, objetos e resíduos em imagens elaboradas.
Suas obras integram coleções de instituições como o Centre Pompidou, em Paris, o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, e a Tate, em Londres. A relação entre arte e questões sociais também marcou parte de sua trajetória, especialmente a partir do trabalho desenvolvido com catadores do Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro.
O processo deu origem ao documentário Lixo Extraordinário (Waste Land), que acompanhou a criação de obras feitas com materiais recolhidos no então maior aterro sanitário da América Latina. O filme foi indicado ao Oscar de melhor documentário.
A exposição chega a Goiânia depois de passar pelo Rio de Janeiro com a retrospectiva Vik Muniz – A Olho Nu, também com curadoria de Daniel Rangel. Apresentada no CCBB Rio em 2026, a mostra recebeu mais de 210 mil visitantes.
Em Goiânia, Vik Muniz – REVER: Imagem e Reflexão permanece em cartaz até 31 de janeiro de 2027. A realização é do Sesc Goiás, com idealização da Entrearte.

Serviço: Vik Muniz – REVER: Imagem e Reflexão
Abertura: 5 de outubro de 2026
Visitação: até 31 de janeiro de 2027
Onde: Vila Cultural Cora Coralina – Rua 3, Centro
Entrada: gratuita













