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Com cinema, música e afroempreendedorismo, Festival Diaspóricas volta a Goiânia em novembro

Segunda edição do evento acontece de 12 a 14 de novembro, no Centro Cultural da UFG, com mostras de filmes e videoclipes, shows, oficinas e feira
festival diaspóricas
(Foto: Divulgação)
festival diaspóricas
(Foto: Divulgação)

Goiânia recebe, de 12 a 14 de novembro, a segunda edição do Festival Diaspóricas de Cinema e Música Negra, no Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás (CCUFG). Com entrada gratuita, o evento reúne cinema, música e afroempreendedorismo em uma programação que inclui mostras de curtas-metragens e videoclipes, shows, oficinas, feira de afroempreendedoras e o 1º Encontro de Mulheres Negras do Cinema de Goiás.

Realizado pela Coletiva Diaspóricas, em correalização com a Aniz Produções e o Labamba Estúdio, o festival é voltado à produção artística de mulheres negras. A programação deste ano terá um dia a mais e reunirá obras de diferentes regiões do país, com atenção especial à produção do Centro-Oeste. As s afroempreendedoras interessadas em participar da Feira Anadir Cezario podem se inscrever gratuitamente até 9 de outubro.

O festival terá duas mostras. A Mostra de Videoclipes, de caráter não competitivo, receberá produções dirigidas por mulheres negras que tenham a música autoral de artistas independentes como elemento central da narrativa. Já a Mostra Marta Cezaria de Curtas-Metragens terá caráter competitivo e selecionará filmes de ficção, documentário, animação, experimental ou híbridos, dirigidos ou codirigidos por mulheres negras. As obras devem ter entre cinco e 30 minutos e ter sido finalizadas a partir de janeiro de 2023.

Os trabalhos selecionados receberão taxa de licenciamento. Na Mostra Marta Cezaria, haverá ainda premiação em dinheiro e troféu assinado pela artista visual goiana Dara. Os filmes concorrem nas categorias de Melhor Filme, escolhido pelo júri popular, Melhor Direção, Melhor Roteiro, Melhor Montagem e Melhor Trilha Sonora.

A mostra homenageia Marta Cezaria, pioneira do movimento negro feminista em Goiânia. A cineasta estreou na área aos 60 anos e percorreu quilombos goianos para entrevistar 152 mulheres no documentário Se Eu Fosse Uma Flor (2013). Ela também fundou a ONG Grupo de Mulheres Negras Dandara no Cerrado. As duas mostras terão cotas regionais de seleção e debates com as realizadoras após as sessões. As cineastas selecionadas receberão hospedagem, alimentação e transporte oferecidos pela organização.

Profissionais do cinema negro

Entre as atividades formativas estão oficinas e mesas temáticas com participação confirmada de cineastas como Juh Almeida, Glenda Nicácio e Renata Diniz. A programação também marca a realização do 1º Encontro de Mulheres Negras do Cinema de Goiás, que reunirá profissionais do cinema e do audiovisual goiano e integrantes da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan).

A proposta é discutir estratégias para ampliar a valorização, a visibilidade e a atuação do cinema negro produzido no Centro-Oeste. Segundo Ana Clara Gomes, diretora e idealizadora do festival, a segunda edição parte do encontro entre diferentes formas de criação artística. “Buscamos fortalecer o cinema negro pela experiência do encontro, que será potencializado pela presença de cineastas negras de todo o Brasil. A ideia é que o Festival seja um local de trocas sobre formas diversas de se pensar a vida, de fazer cinema e música”, afirma.

A música também ocupa espaço central no festival. O Palco Afrogoianidades terá nove apresentações musicais ao longo dos três dias, com artistas e grupos regionais e nacionais e destaque para o protagonismo negro feminino. Os shows começam sempre às 18h30. A programação completa de artistas será divulgada posteriormente pela organização.

Outra frente do evento é a Feira Anadir Cezario de Afroempreendedoras, que reunirá expositoras goianas de áreas como artesanato, gastronomia, vestuário e serviços de bem-viver. As participantes selecionadas terão estrutura para exposição dos produtos, ajuda de custo e acesso a uma formação realizada pelo Sebrae, parceiro do festival. As inscrições gratuitas ficam abertas até 9 de outubro.

A feira homenageia Anadir Cezario, assistente social, cofundadora da ONG Dandara no Cerrado e uma das lideranças do movimento de enfrentamento às discriminações de raça e gênero em Goiás. Ela também criou o Coletivo de Mulheres da Comurg e coordena o projeto Mulheres que Transformam Lixo em Lucro, que trabalha com garis e catadoras na transformação de materiais recicláveis em artesanato e renda. A Coletiva Diaspóricas é uma organização da sociedade civil formada majoritariamente por artistas negras e voltada à inclusão produtiva, capacitação e geração de renda para mulheres que atuam no audiovisual, na música e no afroempreendedorismo.

A iniciativa surgiu a partir do Projeto Diaspóricas, criado em 2022 como uma série audiovisual de cinco episódios sobre a resistência de musicistas negras ao racismo e ao sexismo. O projeto posteriormente se expandiu para diferentes linguagens e deu origem a dois longas-metragens premiados no Brasil e no exterior, além de pesquisas acadêmicas, shows, oficinas e cine-debates. A partir dessa articulação foi criada a Coletiva Diaspóricas, que atualmente coordena o festival e outras ações formativas e produtivas voltadas às mulheres negras nas artes.

Serviço – 2º Festival Diaspóricas de Cinema e Música Negra

Quando: 12 a 14 de novembro de 2026
Local: Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás (CCUFG)
Entrada: gratuita
Informações: @festivaldiasporicas

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