Casos de câncer de pele aumentam no Brasil por falsa sensação de segurança ao sol

Especialista afirma que erros no uso do protetor solar e busca pelo bronzeamento aumentam os casos mesmo com ampla informação
câncer
(Foto: Pexels)
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O câncer de pele permanece como o tipo mais frequente no Brasil e representa cerca de 30% dos tumores malignos, com mais de 220 mil novos casos por ano apenas na forma não melanoma. Em abril, mês mundial de combate ao câncer, especialistas alertam que, apesar da ampla divulgação de informações, a doença continua avançando principalmente devido a falhas nos hábitos de proteção solar.

Para a dermatologista Gislaine Sales Gomes Lara, que atende no Órion Complex, em Goiânia, o problema está menos na falta de conhecimento e mais no comportamento cotidiano. “A informação não significa mudança de hábito”, afirma.

Segundo ela, muitas pessoas reconhecem a importância do protetor solar, mas não o utilizam corretamente ou restringem o uso a momentos de lazer, como praia e piscina. No entanto, a exposição acumulada ao longo do dia, em atividades rotineiras como dirigir ou caminhar, é a que mais contribui para o desenvolvimento da doença.

A médica destaca ainda que o Brasil apresenta índices elevados de radiação ultravioleta durante todo o ano, o que aumenta os riscos. “É uma combinação de ambiente com hábitos inadequados”, resume.

Outro fator cultural relevante é a associação entre pele bronzeada e aparência saudável ou estética desejável. Gislaine afirma que não existe bronzeamento seguro. “O bronzeado é uma resposta da pele a uma agressão. Quando a pele bronzeia, ela já sofreu dano”, explica. Buscar esse efeito estético, seja ao sol ou por métodos com radiação, implica algum nível de risco.

Nesse contexto, o bronzeamento artificial em cabines surge como prática ainda mais preocupante. Segundo a especialista, esses equipamentos emitem radiação UVA em alta intensidade e de forma contínua, o que pode gerar falsa sensação de segurança por não provocar queimaduras imediatas. “O UVA penetra mais profundamente na pele, acelera o envelhecimento e também aumenta o risco de câncer”, alerta. Esse tipo de exposição foi classificado como carcinogênico pela Organização Mundial da Saúde e é proibido no Brasil para fins estéticos.

A popularização de métodos de bronzeamento divulgados por influenciadores também contribui para a desinformação. A dermatologista diferencia as técnicas. Enquanto as cabines utilizam radiação ultravioleta, o bronzeamento a jato consiste apenas na aplicação de um pigmento superficial, sem relação com câncer de pele. “O problema é colocar tudo no mesmo pacote. O bronze a jato não substitui proteção solar. É apenas estética”, pontua.

No dia a dia, erros aparentemente pequenos se acumulam e aumentam o risco ao longo dos anos. Entre os mais comuns estão uso irregular do protetor solar, ausência de reaplicação, quantidade insuficiente e esquecimento de áreas como orelhas, pescoço, colo e mãos. Também é frequente a crença equivocada de que dias nublados não oferecem perigo, além da negligência com proteção física, como chapéus e óculos com filtro UV.

Por fim, Gislaine chama atenção para sinais que costumam ser ignorados e podem indicar câncer de pele. Feridas que não cicatrizam, lesões que sangram com facilidade, crostas recorrentes e manchas ou pintas que mudam de cor, formato ou tamanho devem ser avaliadas. “Muita gente ignora porque não dói. E, no início, o câncer de pele realmente não dói”, alerta.

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