A arte contemporânea produzida em Goiás ganha espaço internacional com a exposição Antes que Desapareça, em cartaz de 9 de abril a 10 de maio de 2026 na Sala de Exposições da Universidade de Oviedo, na Espanha. A mostra reúne 30 obras dos artistas Adriano Moraes, Gerson Fogaça e Sophia Pinheiro, em diferentes linguagens, e integra um intercâmbio cultural com a Universidade de León.
Com curadoria de Dayalis González Perdomo, interlocução internacional de Silvia Medina e produção de Malu da Cunha, a exposição ocupa o edifício histórico da universidade e amplia o diálogo entre instituições acadêmicas, ao mesmo tempo em que projeta a produção artística brasileira no circuito europeu.
A exposição parte da percepção de um cenário contemporâneo marcado pela aceleração e pelo esvaziamento de sentidos. Imagens, vínculos e formas de existência parecem ameaçados pela indiferença e pelo apagamento constante. Nesse contexto, a mostra propõe uma pausa e um reposicionamento do olhar. Para a catedrática de História da Arte da Universidade de Oviedo, María Pilar García Cuetos, o projeto se insere em um campo cultural que se contrapõe à lógica de exclusão. Ela observa que a exposição dialoga com o conceito de culturas híbridas, formulado por Néstor García Canclini, ao propor mais do que tolerância: “um espaço de encontro, diálogo e reconhecimento mútuo, onde é possível coincidir e também divergir sem ódio ou exclusão”, escreve a pesquisadora no site da instituição.
Encontro de olhares
Embora partam de pesquisas distintas, os três artistas compartilham inquietações comuns sobre o presente, aspecto que também aparece na análise da historiadora. Sobre Gerson Fogaça, García Cuetos aponta o interesse do artista pelas relações humanas e pelos espaços urbanos em transformação. Em sua leitura, as obras revelam tensões entre integração e marginalização, com uma linguagem de forte carga expressiva. As cores intensas e os traços enérgicos traduzem a velocidade e a complexidade das cidades contemporâneas, aproximando referências do expressionismo abstrato e do muralismo urbano.
No trabalho de Adriano Moraes, a crítica identifica uma abordagem igualmente reflexiva, marcada por questões políticas e identitárias. Ela observa que o artista se volta para os limites da cultura oficial e do mercado, explorando autorias marginalizadas e a relação entre arte e representação. Em suas imagens, o corpo e a natureza aparecem de forma simbólica, evocando referências ancestrais e propondo reflexões sobre a relação com o planeta diante de uma cultura cada vez mais tecnológica.
Já Sophia Pinheiro, segundo a catedrática, constrói uma linguagem que articula ecologia, memória e cultura. Sua produção integra elementos associados às chamadas culturas populares, ressignificando-os em composições de forte dimensão simbólica e filosófica. As obras combinam intensidade cromática e tensão temática, ao mesmo tempo em que dialogam com saberes tradicionais, como os têxteis indígenas, e com reflexões contemporâneas sobre existência e memória.
Resistência como permanência
Ao reunir esses três olhares, Antes que Desapareça propõe uma reflexão sobre aquilo que permanece vivo mesmo diante da erosão simbólica contemporânea. A leitura de María Pilar García Cuetos reforça essa perspectiva ao situar a exposição como um espaço de articulação cultural, onde diferentes referências se cruzam e produzem novas possibilidades de entendimento. A mostra reafirma o papel da arte como território de resistência e construção de sentido, convidando o espectador a desacelerar e a reconhecer, nas obras, formas de permanência que resistem ao apagamento.


Serviço: Exposição Antes que Desapareça
Abertura: Quinta-feira (09)
Visitação: Até 10 de maio de 2026
Onde: Sala de Exposições da Universidade de Oviedo, Asturias, Espanha














