Exposição na Cerrado Galeria revisita o modernismo goiano com obras de 25 artistas

“Um Modernismo no Oeste”, com curadoria de Divino Sobral, apresenta 80 obras produzidas entre 1940 e 1979 e abre ao público nesta quinta-feira (12), em Goiânia
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Amaury Menezes é um dos expoentes do Modernismo Goiano (Foto: @joaocarlos84)
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Amaury Menezes é um dos expoentes do Modernismo Goiano (Foto: @joaocarlos84)

A Cerrado Galeria, em Goiânia, inaugura nesta quinta-feira (12), às 17h, a exposição Um Modernismo no Oeste, que reúne cerca de 80 obras produzidas entre 1940 e 1979 por 25 artistas ligados às primeiras gerações da arte moderna em Goiás. Com curadoria do crítico e pesquisador Divino Sobral, a mostra propõe revisitar a formação do modernismo na região e permanece aberta ao público até 11 de abril.

A exposição apresenta pinturas, esculturas, gravuras, fotografias e desenhos que ajudam a compreender a evolução da produção artística no estado ao longo de parte do século XX. A seleção destaca artistas de Goiânia, Anápolis e da cidade de Goiás, evidenciando vínculos institucionais e trajetórias que contribuíram para a consolidação de um circuito artístico regional.

Entre os nomes presentes na mostra estão Amaury Menezes, Ana Maria Pacheco, Antônio Poteiro, Caetano Somma, Cleber Gouvêa, D. J. Oliveira, Heleno Godoy, Goiandira do Couto, Gustav Ritter, Iza Costa, Juca de Lima, Luiz Curado, Maria Guilhermina, Miriam Inez da Silva, Nazareno Confaloni, Neusa Moraes, Octo Marques, Oswaldo Verano, Péclat de Chavannes, Reinaldo Barbalho, Roos, Sáida Cunha, Siron Franco, Vanda Pinheiro e Zofia Stamirowska.

Muitos “Brasis”

A curadoria organiza a mostra em núcleos temáticos que conectam momentos importantes da formação cultural do estado, desde os primeiros anos de Goiânia até a década posterior à inauguração de Brasília. Para Divino Sobral, o modernismo goiano deve ser entendido em diálogo com os processos de transformação social e urbana vividos na região naquele período.

Segundo o curador, embora grande parte dessa produção tenha surgido a partir da segunda metade do século XX, ela não pode ser considerada tardia. “São plurais os tempos da modernidade, assim como são plurais os Brasis. O que ocorreu aqui foi um modernismo afinado com os movimentos de modernização do interior do país e que respondia às realidades culturais, sociais, econômicas e políticas de Goiás”, afirma.

Sobral observa ainda que essa produção artística dialogava com referências europeias, mas também incorporava saberes e experiências locais. “Trata-se de um modernismo sem ruptura, sem manifestos, sem confrontos com a tradição, e, em certo sentido, até caipira”, explica.

Ciclo de palestras

Além da exposição, a programação inclui o seminário Encontros Modernistas, que será realizado entre 19 de março e 2 de abril na própria galeria. O ciclo reúne quatro palestras e a exibição de um filme, abordando temas como artes visuais, fotografia e cultura popular.

A abertura do seminário contará com uma palestra de Divino Sobral sobre a formação do modernismo em Goiás. Nos encontros seguintes, o pesquisador Guilherme Talarico discute o trabalho do fotógrafo alemão Alois Feichtenberger durante a construção de Goiânia; a historiadora Jacqueline Siqueira Vigário aborda o papel do pintor Nazareno Confaloni na formação de artistas locais; e o pesquisador Givaldo Corcinio Júnior apresenta um estudo sobre os ex-votos da igreja de Trindade.

O ciclo será encerrado com a exibição do filme Mudernage, da cineasta e pesquisadora Marcela Borela, que reúne reflexões de artistas contemporâneos sobre a produção modernista em Goiás.

A exposição marca também a abertura da programação de 2026 da Cerrado Galeria. Intitulado Raízes Modernistas, o primeiro ciclo expositivo do ano ocorre simultaneamente nas unidades de Goiânia e Brasília. Na capital federal, a mostra Modernismos: uma e muitas Brasílias, com curadoria de Carlos Lin, segue em cartaz até 18 de março na Cerrado Cultural.

Serviço: Exposição “Um Modernismo no Oeste”

Onde: Cerrado Galeria – Rua 84, nº 61, Setor Sul, Goiânia
Abertura: 12 de março de 2026, às 17h
Visitação: até 11 de abril
Horários: segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 13h
Entrada: gratuita
Classificação: livre

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