Mais de 100 obras de Siron Franco ocupam a Vila Cultural Cora Coralina em nova exposição

Exposição em cartaz destaca a fase formativa de Siron Franco e propõe reflexão sobre política, memória e desigualdades sociais
Siron Franco
Cachorro Premiado, óleo sobre tela, 130x155, Siron Franco,1978 (Foto: Divulgação)
Siron Franco
Cachorro Premiado, óleo sobre tela, 130x155, Siron Franco,1978 (Foto: Divulgação)

Goiânia passa a receber, a partir de 6 de maio, a exposição “Expressões”, dedicada à obra de Siron Franco. Em cartaz até 6 de julho na Vila Cultural Cora Coralina, a mostra reúne mais de 100 trabalhos produzidos entre as décadas de 1960 e 1980, período decisivo na formação estética e política do artista.

Com forte carga expressionista, as obras evidenciam o olhar crítico de Siron sobre o contexto social brasileiro, traduzindo em imagens o desconforto diante de temas como repressão, desigualdade e violência. O recorte curatorial privilegia trabalhos que dialogam com episódios marcantes da história recente, como a ditadura militar e o acidente com o Césio-137 em Goiânia, este último representado em um ambiente imersivo que remete à cápsula do material radiológico.

Outro destaque é a instalação dedicada ao feminicídio, composta por dezenas de Madonas produzidas pelo artista nas décadas de 1970 e 1980, em uma reflexão sobre violência de gênero e religiosidade. As obras revelam uma fase em que Siron Franco começa a ganhar projeção nacional e internacional.

A exposição se estrutura a partir da arte como ferramenta de leitura e intervenção no mundo, estabelecendo diálogos com questões como fome, desigualdade e resistência cultural. O percurso inclui ainda a instalação “Fome”, do artista e curador Aguinaldo Coelho.

Idealizador da mostra, Leopoldo Veiga Jardim destaca a força simbólica do conjunto apresentado. “Siron Franco não pinta apenas quadros, ele realiza verdadeiras biópsias do tecido social brasileiro. Expressões reúne o trauma da ditadura, o luto radioativo do Césio 137, as tensões do sincretismo religioso e a persistência da desigualdade contemporânea”, afirma.

Para o artista, a exposição propõe uma experiência formativa e provocadora. “A ideia é estimular reflexões sobre acontecimentos históricos que ainda reverberam na sociedade. É uma oportunidade de aproximar o público de obras que dialogam com a cultura, a identidade e a história goiana e brasileira”, diz Siron.

Nascido na cidade de Goiás em 1947, Siron Franco é pintor, escultor, desenhista, gravador, ilustrador e diretor de arte. Ao longo de sua carreira, acumulou importantes reconhecimentos, incluindo prêmios em bienais e salões nacionais e internacionais, consolidando-se como um dos nomes mais relevantes da arte contemporânea brasileira.

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