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Pão de queijo pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, afirma nutricionista

Especialista da Hapvida explica que o consumo moderado e o contexto da dieta são mais importantes do que classificar alimentos como vilões ou mocinhos
(Foto: Pexels)
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Poucas coisas no mundo provocam uma união tão imediata quanto o pão de queijo saindo do forno. Quente, crocante por fora e macio por dentro, ele tem cheiro de infância, gosto de casa e sensação de conforto. Ainda assim, o alimento frequentemente aparece no centro de debates sobre dieta, associado a frases como “engorda”, “tem muito carboidrato” ou “não posso comer”.

Em alusão ao Dia do Pão de Queijo, celebrado em 17 de agosto, o nutricionista Herik Guimarães, da Hapvida, propõe uma reflexão sobre a relação das pessoas com a alimentação.

“Vamos começar fazendo justiça ao pão de queijo. Ele não merece ser tratado como um vilão só porque é gostoso. O pão de queijo possui nutrientes, é fonte de energia e contém proteínas e gorduras provenientes do queijo”, afirma. Para o especialista, porém, a discussão mais relevante está relacionada aos hábitos alimentares como um todo. “A quantidade e a frequência fazem toda a diferença, mas fazer uma refeição com prazer também faz.”

Herik sugere enxergar a alimentação de forma integrada. “Não é um alimento isolado que determina se a alimentação de uma pessoa é boa ou ruim”, explica. Segundo ele, o contexto de consumo influencia diretamente a qualidade da refeição. Um pão de queijo no café da manhã, acompanhado de frutas e café, representa uma situação diferente de consumir vários pães de queijo acompanhados de refrigerante. “Comer vários pães, mais biscoito, mais refrigerante e depois declarar que ‘segunda-feira eu começo a dieta’ já é outro capítulo da novela”, comenta.

De acordo com o nutricionista, o problema não está no alimento em si, mas na forma como ele é inserido na rotina alimentar. “O problema começa quando o pão de queijo passa a ocupar um espaço recorrente na alimentação. É quando a gente come por ansiedade, por hábito automático ou por falta de tempo. Também acontece quando deixamos de observar a variedade do prato, com cores, texturas e diferentes grupos alimentares.”

Ele destaca que uma alimentação excessivamente repetitiva e baseada em alimentos mais calóricos pode reduzir o consumo de fibras, frutas, verduras, legumes e outras fontes importantes de vitaminas e minerais.

Herik resume sua visão em uma frase simples: “Comer também é prazer”. E acrescenta: “Não acho que a solução seja olhar para um pão de queijo e pensar: ‘isso vai acabar com a minha dieta’. Às vezes, o que acaba com a nossa paz é justamente transformar cada mordida em uma crise existencial.”

O especialista também chama atenção para a necessidade de equilibrar prazer e informação nutricional. Segundo ele, um pão de queijo pequeno possui cerca de 60 a 90 calorias, enquanto uma porção de 100 gramas pode chegar a 300 a 350 calorias.

“Não é exatamente um alimento com impacto calórico desprezível”, reconhece. “Mas não é necessário correr para a academia para compensar o consumo de pão de queijo. A alimentação não deveria funcionar como uma contabilidade de pecados.” Para Herik, o mais importante é observar o padrão alimentar ao longo do dia, além de fatores como prática de atividade física, qualidade do sono e equilíbrio geral do estilo de vida.

O nutricionista também esclarece dúvidas frequentes relacionadas à idade e ao colesterol. “Não existe uma idade mágica em que o organismo diga: ‘hoje você pode comer pão de queijo à vontade porque seu metabolismo está de férias’. O que muda são as necessidades de cada pessoa e de cada fase da vida. Em crianças, o foco deve ser a variedade alimentar. Em adultos, é importante observar quantidade e frequência.”

Ele reforça que o alimento não deve ser tratado como inimigo da saúde cardiovascular. “Não precisamos transformar o pão de queijo em inimigo público número um do colesterol. Uma alimentação saudável não é aquela em que nunca mais comemos aquilo de que gostamos. É aquela em que conseguimos fazer boas escolhas na maior parte do tempo e ainda manter espaço para o prazer à mesa.”

Ao finalizar, Herik deixa uma mensagem sobre equilíbrio alimentar. “No fim das contas, o pão de queijo não precisa ser o vilão, muito menos o mocinho. Ele pode ser simplesmente o pão de queijo. E talvez essa seja uma das relações mais saudáveis que podemos ter com a comida: comer, aproveitar e seguir a vida, sem precisar pedir desculpas para o nutricionista depois.”

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