Mercado imobiliário de Goiás entra em 2026 com previsão de crescimento

Mesmo com juros mais altos, Copa do Mundo e eleições, setor deve seguuir gerando empregos, ampliando lançamentos e incorporando inovações em 2026
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O mecado imiliário em Goiás tem motivos para começar 2026 com otimismo. Apesar do impacto da maior taxa básica de juros desde 2006, a construção civil e o mercado imobiliário brasileiros encerraram 2025 com crescimento, geração de empregos e sinais claros de adaptação. Além da resiliência financeira, o setor passou a incorporar tecnologia e inteligência artificial como ferramentas estratégicas para ganhar eficiência, aprimorar o atendimento e sustentar a confiança de investidores e consumidores em um cenário econômico mais restritivo.

Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) indicam que o setor cresceu 1,7% até o terceiro trimestre de 2025. O resultado ficou abaixo do desempenho registrado em 2024, quando o avanço foi de 4,4%, reflexo direto da manutenção dos juros em níveis elevados. A Selic acumulou alta de 2,75 pontos percentuais apenas no primeiro semestre e atingiu 15%, o maior patamar desde 2006, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizado com apoio da CBIC.

Mesmo diante das restrições ao crédito, a construção civil manteve papel relevante na geração de empregos formais. Dados do Novo Caged mostram que, entre janeiro e outubro, o setor criou 223.077 vagas no Brasil, o equivalente a 13% do total de postos de trabalho formais no período. Em Goiânia e Aparecida de Goiânia, o saldo foi de 6.429 novas vagas, o que representou 24% dos empregos criados nas duas cidades.

Acomodação em Goiás e valorização dos ativos

No mercado imobiliário nacional, os lançamentos somaram 307.366 unidades nos primeiros nove meses de 2025, crescimento de 8,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O programa Minha Casa, Minha Vida respondeu por 48,96% desse volume, com 150.497 unidades, reforçando o papel da habitação popular na sustentação do setor.

Após três anos consecutivos de crescimento, o mercado imobiliário goiano entrou em um período de acomodação. Dados da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO) apontam queda de 3% no número de lançamentos até setembro de 2025. Em contrapartida, o Valor Geral de Vendas (VGV) registrou aumento de 5%, enquanto a valorização média dos imóveis chegou a 13%, indicando um ajuste mais qualitativo do mercado. Mesmo com a insegurança típica de anos eleitorais, a expectativa entre empresários do setor é de que 2026 apresente um cenário mais favorável. A percepção é de que a demanda segue reprimida e pode ganhar força à medida que os juros iniciem um movimento de queda e o crédito volte a se expandir.

Lançamentos robustos e expansão planejada

Entre os destaques de 2025 está a FGR, que pelo segundo ano consecutivo figura entre as mil maiores empresas do Brasil, segundo ranking elaborado pelo jornal Valor Econômico. A companhia alcançou mais de R$ 1,5 bilhão em Valor Geral de Vendas, o maior já registrado pela empresa em Goiás, e apurou lucro líquido de R$ 394 milhões até setembro.

Os empreendimentos Jardins Grécia e Jardins Montreal, ambos localizados na região metropolitana de Goiânia, tiveram 100% das unidades comercializadas ainda no lançamento. Com mais de 2.300 trabalhadores nas obras e cerca de mil casas entregues em 2025, a expectativa é repetir o volume de entregas em 2026. “Estamos completando 40 anos de fundação, com 44 condomínios horizontais entregues, e seguimos otimistas. Dois novos projetos estão previstos para o primeiro semestre, um deles em Goiânia, na saída para Trindade”, afirma Camila Alcântara, diretora comercial e de marketing da FGR.

Juros altos e equilíbrio no mercado

À frente do Grupo Tropical, responsável pelo Portal do Sol Golfe, o empresário Felipe Pinho avalia que 2025 foi um ano desafiador, especialmente por conta dos juros elevados. Segundo ele, o controle da inflação evitou desequilíbrios mais profundos no mercado de loteamentos e condomínios fechados, permitindo a manutenção do equilíbrio nas vendas.

A última etapa do Portal do Sol Green, o Reserva dos Lagos, lançada em outubro de 2023, apresentou desempenho estável ao longo de 2025. Para o próximo ano, Felipe Pinho projeta novos lançamentos no complexo Portal do Sol, mas destaca que o ambiente político e econômico seguirá como fator de atenção. “O mercado responde melhor quando há confiança e previsibilidade”, afirma.

Mercado imobiliário como refúgio e oportunidade

O Grupo My Broker encerrou 2025 com crescimento superior a 25%. Para o sócio-fundador Ronaldo Dantas, o resultado reforça a percepção de que, em períodos de incerteza, o imóvel segue como uma das aplicações mais seguras e rentáveis.

Segundo ele, 2026 será marcado por eleições, Copa do Mundo e um calendário com muitos feriados prolongados, fatores que podem dispersar a atenção do consumidor, mas também criar oportunidades. “Com mais tempo disponível, o cliente tende a pesquisar e visitar imóveis. Trabalhando de forma estratégica, acreditamos em um desempenho ainda melhor”, afirma.

Segmento de alto padrão mantém ritmo

O mercado imobiliário de alto padrão também encerrou o ano em expansão. A Sim Incorporadora registrou crescimento nas vendas e ampliou seu portfólio em 2025, com destaque para o lançamento do Tonino Lamborghini Residences & Offices, realizado em novembro. O empreendimento alcançou 65% das unidades comercializadas logo após o lançamento, reforçando a presença de Goiânia no circuito internacional de residências de marca.

Para 2026, a incorporadora tem projetos em fase final de aprovação, com foco em empreendimentos que unem design, tecnologia e sustentabilidade. “A tendência de queda dos juros, o aquecimento do crédito imobiliário e a busca por imóveis bem localizados e de alto padrão devem impulsionar o mercado”, avalia Paulo Silas, diretor comercial da Sim Incorporadora.

Tecnologia e inteligência artificial ganham espaço

Além dos indicadores econômicos, a incorporação de tecnologia tem transformado a dinâmica do mercado imobiliário. O relatório The State of AI in 2024, da consultoria McKinsey & Company, aponta que mais de 60% das empresas do setor já utilizam inteligência artificial em etapas como atendimento, análise de dados e gestão comercial. A adoção dessas ferramentas reflete a busca por processos mais ágeis e decisões mais precisas, sem perder de vista a experiência do cliente.

Em Goiânia, a Consciente Construtora e Incorporadora integra esse movimento ao aplicar soluções de inteligência artificial de forma transversal à jornada comercial e ao relacionamento com o consumidor. Pioneira no uso integrado da tecnologia no mercado local, a empresa aposta na IA como apoio às equipes e à personalização do atendimento. “A inteligência artificial nos ajuda a manter qualidade e proximidade, mesmo com alto volume de interações. A tecnologia potencializa o humano, não substitui”, afirma Camila Inácio, diretora de empreendimentos da incorporadora.

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