O empresário Bernardo Paz, fundador do Instituto Inhotim, anunciou a criação de um novo parque de arte contemporânea em Brumadinho, Minas Gerais, em um terreno vizinho ao complexo que transformou a região em um dos principais destinos culturais da América Latina. O projeto já reúne uma coleção pessoal de aproximadamente 3 mil obras de artistas reconhecidos internacionalmente e, segundo informações divulgadas pelo próprio empresário, recebeu investimentos da ordem de R$ 1 bilhão.
A proposta prevê a construção de até 40 pavilhões dedicados a artistas individuais, além de um amplo projeto paisagístico que já contabiliza o plantio de cerca de 15 mil árvores. O novo empreendimento surge quatro anos após Bernardo Paz ter doado o acervo, as galerias e o terreno do Instituto Inhotim para uma instituição independente, em 2022.
A operação foi considerada a maior doação privada da história dos museus brasileiros. Desde então, o empresário continuou adquirindo obras de arte e formando uma nova coleção, que agora ganhará um espaço próprio, separado da estrutura institucional do Inhotim.
A primeira etapa do museu tem inauguração prevista para setembro de 2027 e contará inicialmente com três artistas. A ítalo-brasileira Anna Maria Maiolino apresentará uma nova versão da instalação De Vita Migrare, obra que aborda temas ligados à migração, ao deslocamento e ao desenraizamento.
O norte-americano Michael Heizer, um dos principais nomes da land art, terá um pavilhão exclusivo dedicado à sua produção, marcada pela utilização da própria paisagem como matéria escultórica.
Já a mineira Sonia Gomes ocupará um espaço voltado às suas esculturas têxteis, conhecidas pelo uso de tecidos costurados, remendados e transformados em estruturas de diferentes escalas.
Modelo inspirado no Inhotim
A lógica curatorial repete o modelo que consagrou o Inhotim: cada artista recebe um pavilhão projetado especificamente para sua obra, integrado a um paisagismo concebido como parte da experiência estética.
Essa combinação entre arquitetura individualizada, natureza e percurso expositivo diferencia o projeto dos museus tradicionais, onde diferentes artistas costumam compartilhar o mesmo edifício institucional. Com previsão de chegar a 40 pavilhões, o novo parque terá uma escala comparável à do Inhotim original, considerado o maior museu a céu aberto da América Latina.
Fundado em 2006, o Instituto Inhotim permanece como uma das principais referências da arte contemporânea no Brasil. Em 2026, o complexo foi incluído na lista dos 52 lugares para conhecer no ano, publicada pelo jornal norte-americano The New York Times, ocupando a 24ª posição no ranking global. O anúncio do novo museu reforça a continuidade da atuação de Bernardo Paz no cenário da arte contemporânea e amplia a presença de Brumadinho como um dos mais importantes polos culturais do país.
















