A relação entre humanos e animais de estimação vai muito além da companhia. No Dia do Amigo, pesquisas científicas reforçam que o vínculo com os pets produz efeitos positivos para a saúde física e emocional, ao mesmo tempo em que acompanha a expansão de um dos segmentos mais aquecidos da economia brasileira. A expectativa é que o mercado pet ultrapasse R$ 80 bilhões em faturamento em 2026, impulsionado por uma mudança no comportamento dos tutores e pela crescente valorização do bem-estar animal.
Segundo a coordenadora do curso de Medicina Veterinária da UniCesumar, Patrícia Campos, a explicação para essa conexão está na neurobiologia. O contato visual, o carinho e a interação cotidiana estimulam a produção de ocitocina — hormônio relacionado ao vínculo social e ao bem-estar — enquanto reduzem os níveis de cortisol, conhecido como o hormônio do estresse. “A interação com os pets ativa o sistema de recompensa do cérebro, estimulando a liberação de ocitocina na corrente sanguínea. Esse hormônio regula o estresse e sinaliza para o organismo interromper a produção excessiva de cortisol. O resultado prático é a sensação imediata de acolhimento, redução dos batimentos cardíacos e relaxamento muscular”, explica Patrícia Campos.
A resposta fisiológica, segundo a especialista, acontece também com os próprios animais. Durante momentos de interação positiva, cães e gatos apresentam aumento da ocitocina e redução do cortisol, indicando um estado de segurança, conforto e fortalecimento do vínculo afetivo. De acordo com a professora, atividades simples realizadas diariamente, como passeios, escovação e brincadeiras que estimulem mentalmente os animais, já são suficientes para promover benefícios para ambos. O mais importante é manter uma rotina consistente e momentos de atenção dedicada.
Saúde emocional
Em um cenário marcado pelo aumento dos casos de ansiedade, estresse e esgotamento profissional, os animais passaram a desempenhar um papel ainda mais relevante no cotidiano das famílias. Diferentemente das relações humanas, permeadas por cobranças e expectativas, os pets oferecem uma convivência baseada na presença constante e no afeto incondicional. Segundo Patrícia Campos, a rotina de cuidados também ajuda os tutores a interromper ciclos de pensamentos negativos, funcionando como um importante recurso de apoio emocional.
Ao mesmo tempo, a especialista alerta para a necessidade de equilíbrio. A humanização excessiva dos animais pode provocar problemas comportamentais, como ansiedade de separação e agressividade. “O pet precisa de espaço para manifestar os comportamentos naturais de sua espécie, mantendo uma rotina clara e limites definidos”, destaca.
O fortalecimento desse vínculo também se reflete na economia. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) e do Instituto Pet Brasil apontam que o setor movimentou R$ 77,96 bilhões em 2025. Para este ano, a projeção é de crescimento de 9,6%, ultrapassando pela primeira vez a marca de R$ 80 bilhões.
Hoje, o Brasil abriga aproximadamente 160,9 milhões de animais de estimação, com média de 1,6 pet por residência. O país ocupa a terceira posição entre os maiores mercados pet do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Essa transformação também impacta o planejamento urbano, com a ampliação de espaços pet-friendly, serviços especializados e uma oferta crescente de produtos voltados à saúde preventiva, alimentação premium e bem-estar animal.
Evolução do cuidado
Segundo Patrícia Campos, embora esses ambientes favoreçam a socialização, é importante respeitar o perfil de cada animal. “Nem todo pet é sociável ou se sente confortável em locais barulhentos e com grande fluxo de pessoas. O tutor deve conhecer o temperamento do seu animal e garantir que o ambiente ofereça segurança, higiene e áreas de descanso”, orienta.
Nos últimos anos, a forma de cuidar dos animais também evoluiu. A medicina veterinária preventiva, a nutrição especializada e a preocupação com a saúde mental dos pets passaram a ocupar papel central na rotina dos tutores. Mais do que ampliar a expectativa de vida, o objetivo é garantir longevidade com conforto, autonomia e qualidade, acompanhando uma mudança de paradigma em que cães e gatos deixaram de ser apenas animais de estimação para ocupar um lugar cada vez mais importante na dinâmica familiar.















