Goiânia recebe, em outubro, uma programação de artes visuais que atravessa diferentes períodos, linguagens e perspectivas. Entre galerias, museus e centros culturais, a agenda reúne nomes fundamentais da arte brasileira, como Di Cavalcanti e Vik Muniz, além de artistas contemporâneos de Goiás e de outras regiões do país.
A programação inclui pinturas, fotografias, esculturas, instalações e trabalhos que investigam temas como memória, território, religiosidade, cotidiano e identidade. A seleção também apresenta exposições que permanecem em cartaz ao longo do mês e outras que estreiam em outubro, criando uma agenda diversa para quem acompanha a produção artística na cidade.
Di Cavalcanti: Lírico, brasileiro, modernista
A Cerrado Galeria apresenta uma exposição dedicada a Di Cavalcanti, um dos nomes fundamentais do modernismo brasileiro. A mostra reúne desenhos e pinturas realizados entre 1925 e 1972, permitindo acompanhar diferentes momentos de sua produção e a permanência de temas relacionados à cultura brasileira ao longo de quase cinco décadas.
O recorte também evidencia a relação do artista com o processo de modernização do país. Nascido no Rio de Janeiro, Di Cavalcanti incorporou à sua obra referências da paisagem urbana, das desigualdades sociais e econômicas e da presença afrodiaspórica. Sua trajetória esteve diretamente ligada à formação do modernismo brasileiro e à Semana de Arte Moderna de 1922.
Entre 1923 e 1925, o artista viveu em Paris, onde frequentou a Académie Ranson e teve contato com nomes como Pablo Picasso, Georges Braque, Fernand Léger e Henri Matisse. Ao retornar ao Brasil, desenvolveu uma produção voltada à identidade cultural do país. Ao longo da carreira, atuou também como desenhista, ilustrador, cartunista, gravador, muralista e jornalista.
Serviço: Di Cavalcanti: Lírico, brasileiro, modernista
Onde: Cerrado Galeria
Quando: Em cartaz até 14 de novembro de 2026
Entrada: Gratuita
Horário: Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h
Anímica e Estelar
A Cerrado Galeria também recebe Anímica e estelar, primeira exposição individual de Walter Pimentel no espaço. Nascido em Goiânia em 1998, o artista apresenta trabalhos produzidos entre 2025 e 2026, utilizando guache, têmpera e tinta a óleo sobre papel, tela e madeira.
A produção parte de fotografias feitas pelo próprio artista ou apropriadas de fotógrafos desconhecidos. Imagens de antigos álbuns, paisagens imaginadas e animais domésticos são reconstruídos pela memória e pela imaginação, adquirindo uma atmosfera de mistério e uma dimensão que ultrapassa o registro documental.
Segundo o curador Divino Sobral, os trabalhos também se relacionam a experiências espirituais e aos ciclos de vida e morte. A exposição articula tradição figurativa, memória e uma reflexão sobre a crise espiritual associada à cultura materialista e aos impactos do Antropoceno.
Serviço: Anímica e estelar
Onde: Cerrado Galeria
Quando: Em cartaz até 14 de novembro de 2026
Entrada: Gratuita
Horário: Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h
Vik Muniz – REVER: imagem e reflexão
Com 60 fotografias, Vik Muniz_REVER: imagem e reflexão percorre diferentes momentos da trajetória do artista e sua investigação sobre imagem, matéria e percepção. A exposição chega à Vila Cultural Cora Coralina com trabalhos construídos a partir de materiais como chocolate, pasta de amendoim, geleia, poeira, sucata e cinzas.
Com curadoria de Daniel Rangel, a mostra parte do conceito de “museu imaginário”, formulado pelo escritor francês André Malraux. A proposta aproxima obras e referências de diferentes épocas e tradições, mostrando como imagens conhecidas da história da arte aparecem na produção de Muniz. Entre os trabalhos estão releituras de O nascimento de Vênus, de Botticelli, e A Escola de Atenas, de Rafael.
A exposição também apresenta dois trabalhos da série Museu das Cinzas, desenvolvida a partir do incêndio que atingiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em 2018. As obras utilizam cinzas e fragmentos recuperados do local para reconstruir imagens de peças do acervo.
Serviço: Vik Muniz – REVER: imagem e reflexão
Onde: Vila Cultural Cora Coralina – Sala Grande
Quando: De 6 de outubro de 2026 a janeiro de 2027
Entrada: Gratuita
Das paisagens, dessas que vêm aos lábios
Anália Moraes, Maria Andrade e Raquel Garbelotti apresentam a coletiva Das paisagens, dessas que vêm aos lábios, na Sala Antônio Poteiro, na Vila Cultural Cora Coralina. Com curadoria de Galciani Neves, a exposição reúne esculturas, pinturas e instalações que investigam as relações entre corpo, território e paisagem.
Argila, vidro, latão, óleo sobre madeira e cimento estão entre os materiais empregados pelas artistas. A paisagem aparece na mostra não apenas como aquilo que pode ser observado, mas como uma experiência atravessada pelo corpo, pela memória e pelas formas de habitar o mundo.
A exposição também estabelece relações com questões ambientais e memórias afetivas, propondo uma reflexão sobre os espaços ocupados e as experiências construídas a partir deles.
Serviço: Das paisagens, dessas que vêm aos lábios
Onde: Vila Cultural Cora Coralina – Sala Antônio Poteiro
Quando: De 6 de outubro de 2026 a 31 de janeiro de 2027
Entrada: Gratuita
Ruídos do Silêncio
A Sala Sebastião Barbosa, na Vila Cultural Cora Coralina, recebe Ruídos do Silêncio, individual da artista paraguaia Lilian Camelli, com curadoria de Danilo Garcia e apoio da Contempo Galeria. A exposição reúne pinturas nas quais quartos, corredores, janelas e objetos cotidianos ganham protagonismo.
As cenas construídas pela artista não apresentam histórias completamente definidas. Ao preservar lacunas e elementos de ambiguidade, Camelli cria imagens relacionadas à ausência, à memória e à expectativa, permitindo que o visitante estabeleça suas próprias interpretações.
Nascida em Ypacaraí, no Paraguai, em 1958, e radicada em São Paulo desde a década de 1980, a artista desenvolve uma pintura figurativa intimista, principalmente em acrílica e óleo sobre tela.
Serviço: Ruídos do Silêncio
Onde: Vila Cultural Cora Coralina – Sala Sebastião Barbosa
Quando: A partir de 6 de outubro de 2026
Entrada: Gratuita
Horário: Segunda a domingo, das 9h às 17h
Vik Muniz – Dinheiro Vivo

Na Galeria Leo Romano, Vik Muniz – Dinheiro Vivo apresenta um conjunto de trabalhos em que fragmentos de cédulas brasileiras são transformados em imagens de animais e paisagens. A série começou em 2022, depois de uma visita do artista à Casa da Moeda do Brasil, onde conheceu o processo de fabricação do dinheiro.
Parte das cédulas com imperfeições, que seriam retiradas de circulação e trituradas, foi disponibilizada a Muniz. O artista passou a utilizar esse material como matéria-prima para construir suas imagens.
Um dos conjuntos reúne representações de animais estampados nas notas brasileiras, como mico-leão-dourado, arara, garça, garoupa, lobo-guará e onça-pintada. Cada imagem é composta por fragmentos da própria cédula em que a espécie aparece representada.
A segunda parte da série utiliza o papel-moeda para reconstruir paisagens brasileiras retratadas por artistas viajantes do século 19, entre eles Johann Moritz Rugendas e Franz Keller Leuzinger. O trabalho estabelece uma relação entre o dinheiro como símbolo de valor econômico e as imagens associadas à fauna e ao território brasileiros.
Serviço: Vik Muniz – Dinheiro Vivo
Onde: Galeria Leo Romano
Quando: De 6 de outubro de 2026 a 31 de janeiro de 2027
Abertura: 6 de outubro, às 19h
Entrada: Gratuita
Acervo Nara Roesler
A Galeria Leo Romano também apresenta uma seleção do acervo da Nara Roesler, distribuída entre o primeiro e o segundo pavimentos do espaço. A seleção reúne trabalhos de artistas de diferentes gerações, pesquisas e linguagens.
Entre os nomes presentes estão Abraham Palatnik, Tomie Ohtake, Daniel Senise, Lucia Koch, Julio Le Parc e Rodolpho Parigi. A exposição integra a programação realizada no ano em que a galeria Nara Roesler celebra 50 anos de trajetória.
Fundada em 1976, a galeria construiu sua atuação a partir da circulação da arte brasileira e da aproximação entre artistas, instituições e públicos de diferentes regiões. A relação com Goiás também aparece na trajetória da instituição, que já apresentou obras de Siron Franco, incluindo trabalhos da série Goiânia Rua 57, criada em resposta ao acidente com césio-137.
Serviço: Acervo Nara Roesler
Onde: Galeria Leo Romano
Quando: De 6 de outubro de 2026 a 31 de janeiro de 2027
Abertura: 6 de outubro, às 19h
Entrada: Gratuita
À grande festa
A Legado Galeria apresenta À grande festa, coletiva com curadoria de Thaís Pureza. A exposição reúne trabalhos de Camila Bardhele, Danilo Barbosa, Estudio Manus, Nino Cais, Tabatta Isecke, Vic Zuffo e Virgílio Neto em uma seleção construída a partir dos encontros e atravessamentos reunidos pela curadora ao longo de sua trajetória em São Paulo.
As diferentes linguagens e percursos dos sete artistas se encontram em Goiânia em torno de temas como amizade, memória e produção artística. A proposta da exposição parte justamente da ideia de encontro entre obras, histórias, artistas e público, criando uma seleção marcada pela diversidade de trajetórias.
Serviço: À grande festa
Onde: Legado Galeria — Rua 89, nº 437, Goiânia
Quando: De 10 de outubro a 7 de novembro de 2026
Abertura: 9 de outubro, às 18h
Entrada: Gratuita
Estrela Dançante
A Galeria ELO apresenta Estrela Dançante, exposição individual da artista Desirée Hirtenkauf realizada em parceria com a Galeria Tato. A mostra parte de processos, memórias e narrativas desenvolvidos pela artista em sua pesquisa, propondo uma reflexão sobre aquilo que permanece, se transforma e encontra novas formas de existir.
A programação da exposição inclui também uma conversa com Hirtenkauf, realizada na galeria, para apresentar ao público os processos que atravessam a produção reunida na mostra.
Serviço: Estrela Dançante
Onde: Galeria ELO
Quando: Em cartaz até 10 de outubro de 2026
Horário: Terça a sexta-feira, das 10h às 18h
Entrada: Gratuita
Quem não Toma Benção não Cresce
A Galeria Frei Confaloni, no Centro Cultural Octo Marques, recebe a partir de 15 de outubro a exposição Cada desenho é um santuário, individual do artista Estêvão Parreiras. Com curadoria de Bitu Cassundé, a mostra reúne cerca de 100 desenhos que articulam palavra, imagem, memória, religiosidade, corpo e desejo. A abertura acontece às 19h, com entrada gratuita, e inclui visita guiada pelo curador às 19h45. A exposição permanece em cartaz até 28 de novembro.
A construção da mostra começou a partir de encontros entre artista e curador e de uma imersão de Bitu Cassundé no ateliê de Estêvão, em Goiânia. Durante o processo, o curador percorreu mapotecas, arquivos e cadernos do artista, revisitando diferentes momentos de sua produção, interesses e materiais. A pesquisa orientou a organização da exposição e colocou o desenho no centro da investigação.
O trabalho de Estêvão estabelece uma relação constante entre palavra e imagem. Para o artista, esses dois elementos não funcionam como explicação ou ilustração um do outro, mas como pontos de partida para novas interpretações. “A palavra e a imagem existem, de certo modo, em uma relação harmoniosa, mas também dúbia, em que uma provoca a outra. Nenhuma das duas está ali para ilustrar a outra; elas existem para abrir novas questões dentro do desenho, dentro da obra”, afirma.
Serviço: Quem não Toma Benção não Cresce
Onde: Centro Cultural Octo Marques
Quando: De 15 de outubro a 30 de novembro de 2026
Horário: Todos os dias, das 9h às 13h e das 13h30 às 17h
Entrada: Gratuita
Alumbramento
Também a partir de 15 de outubro, o Centro Cultural Octo Marques recebe Alumbramento, de Hortência Eduarda dos Santos. A artista integra uma geração contemporânea que vem participando de salões de arte, mostras coletivas e programas de fomento à produção visual.
Sua pesquisa explora cores, sensibilidades táteis e a representação de espaços íntimos. As obras trabalham com memórias, transições da vida e experiências relacionadas ao sensível, aproximando elementos do cotidiano de uma construção visual marcada pela atenção às formas e às cores.
O título da exposição remete ao estado de maravilhamento ou revelação e sintetiza uma pesquisa interessada na experiência estética e na percepção de pequenas situações do cotidiano.
Serviço: Alumbramento
Onde: Centro Cultural Octo Marques
Quando: De 15 de outubro a 30 de novembro de 2026
Horário: Todos os dias, das 9h às 13h e das 13h30 às 17h
Entrada: Gratuita
Memórias de Dona Lourdes: Ver para não esquecer
O Museu de Arte de Goiânia apresenta Memórias de Dona Lourdes: Ver para não esquecer, exposição dedicada à memória do acidente radiológico com césio-137 ocorrido em Goiânia, em 1987. A mostra apresenta parte do testemunho de Dona Lourdes das Neves Ferreira, mãe de Leide das Neves, uma das vítimas da tragédia.
Ao recuperar esse testemunho, a exposição aborda um dos episódios mais marcantes da história recente de Goiânia a partir da memória de uma das famílias diretamente atingidas pelo acidente.
Serviço: Memórias de Dona Lourdes: Ver para não esquecer
Onde: Museu de Arte de Goiânia — Bosque dos Buritis, Setor Oeste
Quando: Em cartaz até 12 de outubro de 2026
Entrada: Gratuita
Horário: Terça a sexta, das 8h às 12h e das 13h às 17h; sábados, domingos e feriados, das 8h às 18h
3º Encontro Nacional de Artistas Naïfs

O Museu de Arte de Goiânia também recebe a terceira edição do Encontro Nacional de Artistas Naïfs (Enanco), com obras de 86 pintores e criadores autodidatas de diferentes regiões do Brasil. A exposição reúne trabalhos marcados pela espontaneidade, pela imaginação e pela representação de cenas, crenças e memórias do cotidiano.
A edição inclui uma homenagem ao artista Waldomiro de Deus, nome de destaque da arte naïf brasileira. A seleção amplia o contato do público goiano com diferentes manifestações da cultura popular brasileira por meio de uma linguagem visual caracterizada pela liberdade formal e pelo uso expressivo das cores.
Serviço: 3º Encontro Nacional de Artistas Naïfs
Onde: Museu de Arte de Goiânia — Bosque dos Buritis, Setor Oeste
Quando: Até 18 de outubro de 2026
Entrada: Gratuita
Horário: Terça a sexta, das 8h às 12h e das 13h às 17h; sábados, domingos e feriados, das 8h às 18h
Gestos Autobiográficos
O Centro Cultural UFG recebe Gestos Autobiográficos, exposição individual de Brayan Arantes derivada de uma pesquisa de doutorado em arte e cultura visual. A mostra investiga sentimentos e memórias a partir de diferentes formas de registro e construção artística.
Rascunhos, pinturas e objetos fazem parte da exposição, que aproxima pesquisa acadêmica, experiência pessoal e produção visual. O conjunto ocupa a Galeria de Vidro do Centro Cultural UFG.
Serviço: Gestos Autobiográficos
Onde: Centro Cultural UFG — Galeria de Vidro
Quando: De 8 de outubro a 13 de novembro de 2026
Entrada: Gratuita
Horário: Terça a sexta, das 10h às 17h30














