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Confira 14 exposições de arte para visitar em Goiânia em outubro

De Di Cavalcanti e Vik Muniz a artistas contemporâneos de Goiás, a programação reúne pintura, fotografia, instalações, arte naïf e pesquisas sobre memória, território e identidade
Di Cavalcanti - Serenata, 1925 (Foto: Divulgação
Di Cavalcanti - Serenata, 1925 (Foto: Divulgação
Di Cavalcanti - Serenata, 1925 (Foto: Divulgação

Goiânia recebe, em outubro, uma programação de artes visuais que atravessa diferentes períodos, linguagens e perspectivas. Entre galerias, museus e centros culturais, a agenda reúne nomes fundamentais da arte brasileira, como Di Cavalcanti e Vik Muniz, além de artistas contemporâneos de Goiás e de outras regiões do país.

A programação inclui pinturas, fotografias, esculturas, instalações e trabalhos que investigam temas como memória, território, religiosidade, cotidiano e identidade. A seleção também apresenta exposições que permanecem em cartaz ao longo do mês e outras que estreiam em outubro, criando uma agenda diversa para quem acompanha a produção artística na cidade.

Di Cavalcanti: Lírico, brasileiro, modernista 

A Cerrado Galeria apresenta uma exposição dedicada a Di Cavalcanti, um dos nomes fundamentais do modernismo brasileiro. A mostra reúne desenhos e pinturas realizados entre 1925 e 1972, permitindo acompanhar diferentes momentos de sua produção e a permanência de temas relacionados à cultura brasileira ao longo de quase cinco décadas.

O recorte também evidencia a relação do artista com o processo de modernização do país. Nascido no Rio de Janeiro, Di Cavalcanti incorporou à sua obra referências da paisagem urbana, das desigualdades sociais e econômicas e da presença afrodiaspórica. Sua trajetória esteve diretamente ligada à formação do modernismo brasileiro e à Semana de Arte Moderna de 1922.

Entre 1923 e 1925, o artista viveu em Paris, onde frequentou a Académie Ranson e teve contato com nomes como Pablo Picasso, Georges Braque, Fernand Léger e Henri Matisse. Ao retornar ao Brasil, desenvolveu uma produção voltada à identidade cultural do país. Ao longo da carreira, atuou também como desenhista, ilustrador, cartunista, gravador, muralista e jornalista.

Serviço: Di Cavalcanti: Lírico, brasileiro, modernista
Onde: Cerrado Galeria
Quando: Em cartaz até 14 de novembro de 2026
Entrada: Gratuita
Horário: Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h

Anímica e Estelar 

A Cerrado Galeria também recebe Anímica e estelar, primeira exposição individual de Walter Pimentel no espaço. Nascido em Goiânia em 1998, o artista apresenta trabalhos produzidos entre 2025 e 2026, utilizando guache, têmpera e tinta a óleo sobre papel, tela e madeira.

A produção parte de fotografias feitas pelo próprio artista ou apropriadas de fotógrafos desconhecidos. Imagens de antigos álbuns, paisagens imaginadas e animais domésticos são reconstruídos pela memória e pela imaginação, adquirindo uma atmosfera de mistério e uma dimensão que ultrapassa o registro documental.

Segundo o curador Divino Sobral, os trabalhos também se relacionam a experiências espirituais e aos ciclos de vida e morte. A exposição articula tradição figurativa, memória e uma reflexão sobre a crise espiritual associada à cultura materialista e aos impactos do Antropoceno.

Serviço: Anímica e estelar
Onde: Cerrado Galeria
Quando: Em cartaz até 14 de novembro de 2026
Entrada: Gratuita
Horário: Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h

Vik Muniz – REVER: imagem e reflexão

Com 60 fotografias, Vik Muniz_REVER: imagem e reflexão percorre diferentes momentos da trajetória do artista e sua investigação sobre imagem, matéria e percepção. A exposição chega à Vila Cultural Cora Coralina com trabalhos construídos a partir de materiais como chocolate, pasta de amendoim, geleia, poeira, sucata e cinzas.

Com curadoria de Daniel Rangel, a mostra parte do conceito de “museu imaginário”, formulado pelo escritor francês André Malraux. A proposta aproxima obras e referências de diferentes épocas e tradições, mostrando como imagens conhecidas da história da arte aparecem na produção de Muniz. Entre os trabalhos estão releituras de O nascimento de Vênus, de Botticelli, e A Escola de Atenas, de Rafael.

A exposição também apresenta dois trabalhos da série Museu das Cinzas, desenvolvida a partir do incêndio que atingiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em 2018. As obras utilizam cinzas e fragmentos recuperados do local para reconstruir imagens de peças do acervo.

Serviço: Vik Muniz – REVER: imagem e reflexão
Onde: Vila Cultural Cora Coralina – Sala Grande
Quando: De 6 de outubro de 2026 a janeiro de 2027
Entrada: Não informado no material enviado

Das paisagens, dessas que vêm aos lábios

Anália Moraes, Maria Andrade e Raquel Garbelotti apresentam a coletiva Das paisagens, dessas que vêm aos lábios, na Sala Antônio Poteiro, na Vila Cultural Cora Coralina. Com curadoria de Galciani Neves, a exposição reúne esculturas, pinturas e instalações que investigam as relações entre corpo, território e paisagem.

Argila, vidro, latão, óleo sobre madeira e cimento estão entre os materiais empregados pelas artistas. A paisagem aparece na mostra não apenas como aquilo que pode ser observado, mas como uma experiência atravessada pelo corpo, pela memória e pelas formas de habitar o mundo.

A exposição também estabelece relações com questões ambientais e memórias afetivas, propondo uma reflexão sobre os espaços ocupados e as experiências construídas a partir deles.

Serviço: Das paisagens, dessas que vêm aos lábios
Onde: Vila Cultural Cora Coralina – Sala Antônio Poteiro
Quando: De 6 de outubro de 2026 a 31 de janeiro de 2027
Curadoria: Galciani Neves
Entrada: Não informado no material enviado

Ruídos do Silêncio

A Sala Sebastião Barbosa, na Vila Cultural Cora Coralina, recebe Ruídos do Silêncio, individual da artista paraguaia Lilian Camelli, com curadoria de Danilo Garcia e apoio da Contempo Galeria. A exposição reúne pinturas nas quais quartos, corredores, janelas e objetos cotidianos ganham protagonismo.

As cenas construídas pela artista não apresentam histórias completamente definidas. Ao preservar lacunas e elementos de ambiguidade, Camelli cria imagens relacionadas à ausência, à memória e à expectativa, permitindo que o visitante estabeleça suas próprias interpretações.

Nascida em Ypacaraí, no Paraguai, em 1958, e radicada em São Paulo desde a década de 1980, a artista desenvolve uma pintura figurativa intimista, principalmente em acrílica e óleo sobre tela.

Serviço: Ruídos do Silêncio
Onde: Vila Cultural Cora Coralina – Sala Sebastião Barbosa
Quando: A partir de 6 de outubro de 2026
Entrada: Gratuita
Horário: Segunda a domingo, das 9h às 17h

Vik Muniz – Dinheiro Vivo

Vik Muniz_Onça-pintada_2022_Cortesia do artista e Nara Roesler
Onça pintada, 2022 (Foto: Acervo VIk Muniz/ Nara Roesler)

Na Galeria Leo Romano, Vik Muniz – Dinheiro Vivo apresenta um conjunto de trabalhos em que fragmentos de cédulas brasileiras são transformados em imagens de animais e paisagens. A série começou em 2022, depois de uma visita do artista à Casa da Moeda do Brasil, onde conheceu o processo de fabricação do dinheiro.

Parte das cédulas com imperfeições, que seriam retiradas de circulação e trituradas, foi disponibilizada a Muniz. O artista passou a utilizar esse material como matéria-prima para construir suas imagens.

Um dos conjuntos reúne representações de animais estampados nas notas brasileiras, como mico-leão-dourado, arara, garça, garoupa, lobo-guará e onça-pintada. Cada imagem é composta por fragmentos da própria cédula em que a espécie aparece representada.

A segunda parte da série utiliza o papel-moeda para reconstruir paisagens brasileiras retratadas por artistas viajantes do século 19, entre eles Johann Moritz Rugendas e Franz Keller Leuzinger. O trabalho estabelece uma relação entre o dinheiro como símbolo de valor econômico e as imagens associadas à fauna e ao território brasileiros.

Serviço: Vik Muniz – Dinheiro Vivo
Onde: Galeria Leo Romano
Quando: De 6 de outubro de 2026 a 31 de janeiro de 2027
Abertura: 6 de outubro, às 19h
Entrada: Gratuita

Acervo Nara Roesler

A Galeria Leo Romano também apresenta uma seleção do acervo da Nara Roesler, distribuída entre o primeiro e o segundo pavimentos do espaço. A seleção reúne trabalhos de artistas de diferentes gerações, pesquisas e linguagens.

Entre os nomes presentes estão Abraham Palatnik, Tomie Ohtake, Daniel Senise, Lucia Koch, Julio Le Parc e Rodolpho Parigi. A exposição integra a programação realizada no ano em que a galeria Nara Roesler celebra 50 anos de trajetória.

Fundada em 1976, a galeria construiu sua atuação a partir da circulação da arte brasileira e da aproximação entre artistas, instituições e públicos de diferentes regiões. A relação com Goiás também aparece na trajetória da instituição, que já apresentou obras de Siron Franco, incluindo trabalhos da série Goiânia Rua 57, criada em resposta ao acidente com césio-137.

Serviço: Acervo Nara Roesler
Onde: Galeria Leo Romano
Quando: De 6 de outubro de 2026 a 31 de janeiro de 2027
Abertura: 6 de outubro, às 19h
Seleção artística: Nara Roesler
Realização: Sesc Goiás
Entrada: Gratuita

À grande festa

A Legado Galeria apresenta À grande festa, coletiva com curadoria de Thaís Pureza. A exposição reúne trabalhos de Camila Bardhele, Danilo Barbosa, Estudio Manus, Nino Cais, Tabatta Isecke, Vic Zuffo e Virgílio Neto em uma seleção construída a partir dos encontros e atravessamentos reunidos pela curadora ao longo de sua trajetória em São Paulo.

As diferentes linguagens e percursos dos sete artistas se encontram em Goiânia em torno de temas como amizade, memória e produção artística. A proposta da exposição parte justamente da ideia de encontro entre obras, histórias, artistas e público, criando uma seleção marcada pela diversidade de trajetórias.

Serviço: À grande festa
Onde: Legado Galeria — Rua 89, nº 437, Goiânia
Quando: De 10 de outubro a 7 de novembro de 2026
Abertura: 9 de outubro, às 18h
Entrada: Não informado no material enviado

Estrela Dançante

A Galeria ELO apresenta Estrela Dançante, exposição individual da artista Desirée Hirtenkauf realizada em parceria com a Galeria Tato. A mostra parte de processos, memórias e narrativas desenvolvidos pela artista em sua pesquisa, propondo uma reflexão sobre aquilo que permanece, se transforma e encontra novas formas de existir.

A programação da exposição inclui também uma conversa com Hirtenkauf, realizada na galeria, para apresentar ao público os processos que atravessam a produção reunida na mostra.

Serviço: Estrela Dançante
Onde: Galeria ELO
Quando: Em cartaz até 10 de outubro de 2026
Horário: Terça a sexta-feira, das 10h às 18h
Entrada: Não informado no material enviado

Quem não Toma Benção não Cresce

Estêvão Parreiras apresenta Quem não Toma Benção não Cresce no Centro Cultural Octo Marques. Nascido em Pouso Alegre (MG), em 1993, e radicado em Goiânia, o artista é graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e desenvolve uma pesquisa concentrada principalmente no desenho e na pintura.

Sua produção utiliza materiais como papel, lápis de cor, giz de cera e aquarela e é atravessada pela religiosidade popular, pela fé católica e pelas memórias afetivas da infância. Elementos associados aos ex-votos e às salas de milagres aparecem em trabalhos que articulam corpo humano, paisagens rochosas e referências ao misticismo.

Na exposição, essa relação entre herança devocional, raízes familiares e amadurecimento pessoal e artístico ganha uma nova organização, aproximando memória e experiência individual.

Serviço: Quem não Toma Benção não Cresce
Onde: Centro Cultural Octo Marques
Quando: De 15 de outubro a 30 de novembro de 2026
Horário: Todos os dias, das 9h às 13h e das 13h30 às 17h
Entrada: Gratuita

Alumbramento

Também a partir de 15 de outubro, o Centro Cultural Octo Marques recebe Alumbramento, de Hortência Eduarda dos Santos. A artista integra uma geração contemporânea que vem participando de salões de arte, mostras coletivas e programas de fomento à produção visual.

Sua pesquisa explora cores, sensibilidades táteis e a representação de espaços íntimos. As obras trabalham com memórias, transições da vida e experiências relacionadas ao sensível, aproximando elementos do cotidiano de uma construção visual marcada pela atenção às formas e às cores.

O título da exposição remete ao estado de maravilhamento ou revelação e sintetiza uma pesquisa interessada na experiência estética e na percepção de pequenas situações do cotidiano.

Serviço: Alumbramento
Onde: Centro Cultural Octo Marques
Quando: De 15 de outubro a 30 de novembro de 2026
Horário: Todos os dias, das 9h às 13h e das 13h30 às 17h
Entrada: Gratuita

Memórias de Dona Lourdes: Ver para não esquecer 

O Museu de Arte de Goiânia apresenta Memórias de Dona Lourdes: Ver para não esquecer, exposição dedicada à memória do acidente radiológico com césio-137 ocorrido em Goiânia, em 1987. A mostra apresenta parte do testemunho de Dona Lourdes das Neves Ferreira, mãe de Leide das Neves, uma das vítimas da tragédia.

Ao recuperar esse testemunho, a exposição aborda um dos episódios mais marcantes da história recente de Goiânia a partir da memória de uma das famílias diretamente atingidas pelo acidente.

Serviço: Memórias de Dona Lourdes: Ver para não esquecer
Onde: Museu de Arte de Goiânia — Bosque dos Buritis, Setor Oeste
Quando: Em cartaz até 12 de outubro de 2026
Entrada: Gratuita
Horário: Terça a sexta, das 8h às 12h e das 13h às 17h; sábados, domingos e feriados, das 8h às 18h

3º Encontro Nacional de Artistas Naïfs

Arte Naif no MAG
(Foto: Secult Goiânia)

O Museu de Arte de Goiânia também recebe a terceira edição do Encontro Nacional de Artistas Naïfs (Enanco), com obras de 86 pintores e criadores autodidatas de diferentes regiões do Brasil. A exposição reúne trabalhos marcados pela espontaneidade, pela imaginação e pela representação de cenas, crenças e memórias do cotidiano.

A edição inclui uma homenagem ao artista Waldomiro de Deus, nome de destaque da arte naïf brasileira. A seleção amplia o contato do público goiano com diferentes manifestações da cultura popular brasileira por meio de uma linguagem visual caracterizada pela liberdade formal e pelo uso expressivo das cores.

Serviço: 3º Encontro Nacional de Artistas Naïfs
Onde: Museu de Arte de Goiânia — Bosque dos Buritis, Setor Oeste
Quando: Até 18 de outubro de 2026
Entrada: Não informado no material enviado
Horário: Terça a sexta, das 8h às 12h e das 13h às 17h; sábados, domingos e feriados, das 8h às 18h

Gestos Autobiográficos 

O Centro Cultural UFG recebe Gestos Autobiográficos, exposição individual de Brayan Arantes derivada de uma pesquisa de doutorado em arte e cultura visual. A mostra investiga sentimentos e memórias a partir de diferentes formas de registro e construção artística.

Rascunhos, pinturas e objetos fazem parte da exposição, que aproxima pesquisa acadêmica, experiência pessoal e produção visual. O conjunto ocupa a Galeria de Vidro do Centro Cultural UFG.

Serviço: Gestos Autobiográficos
Onde: Centro Cultural UFG — Galeria de Vidro
Quando: De 8 de outubro a 13 de novembro de 2026
Entrada: Gratuita
Horário: Terça a sexta, das 10h às 17h30

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