A Casa-Museu Bernardo Élis, localizada no Jardim América, em Goiânia, passa por um amplo trabalho de restauro que busca preservar a memória e o legado do escritor goiano. O imóvel, na Rua C-237, foi a residência onde Bernardo Élis viveu seus últimos anos. Atualmente o local abriga a sede do Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis Para os Povos do Cerrado (ICEBE).
A obra é executada pela Elysium Sociedade Cultural, instituição com mais de 35 anos de atuação em projetos de restauro no Brasil. Em Goiânia, a intervenção é viabilizada por recursos da Lei Goyazes 2025, mecanismo estadual de incentivo à cultura. Os trabalhos começaram em dezembro de 2025 e têm conclusão prevista para maio de 2026.
Nascido em Corumbá de Goiás, em 1915, Bernardo Élis Fleury de Campos Curado foi advogado, professor, poeta, contista e romancista. Até hoje, ele permanece como o único goiano a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. A casa foi construída em 1974 para ele e sua esposa, a escritora e artista plástica Maria Carmelita Fleury Curado, e permaneceu como lar do casal até 1997, ano da morte do autor. Maria Carmelita viveu no imóvel até 2020, quando também faleceu. No mesmo ano, foi fundado o ICEBE.
Valorização do patrimônio
Segundo Nilson Gomes Jaime, sócio-fundador e presidente do ICEBE, o imóvel demandava medidas urgentes. “A Casa-Museu Bernardo Élis encontrava-se em péssimo estado de conservação, com risco de desabamento do telhado, pintura antiga, madeiramento tomado por cupins”, relata. A intervenção contempla a restauração integral das partes superior e inferior da residência, com foco na segurança estrutural e na preservação das características originais do imóvel.
A coordenação técnica dos trabalhos é do engenheiro civil Pedro Carim, integrante da equipe da Elysium. Ele explica que a intervenção combina diferentes frentes: “Uma mescla entre restauro, conservação e reabilitação”. Segundo ele, enquanto o restauro preserva e recupera elementos originais, a conservação atua na prevenção de novas degradações, e a reabilitação busca adequar o imóvel às necessidades atuais do instituto, sem comprometer o valor simbólico e histórico do espaço.
Hub cultural
A obra também segue critérios específicos por ser financiada por lei de incentivo, incluindo aprovação prévia do projeto cultural, cumprimento do orçamento aprovado, prazos e prestação de contas. “A Lei Goyazes exige que o projeto tenha finalidade cultural e interesse público, o que, no caso de um imóvel que abriga um instituto reconhecido como utilidade pública municipal, reforça critérios de transparência e responsabilidade”, destaca Pedro.
Além do restauro físico, a Casa-Museu Bernardo Élis se consolida como um espaço de programação cultural e preservação de acervo. Segundo Nilson Jaime, o modelo de casa-museu segue experiências reconhecidas como a Casa Jorge Amado, na Bahia, a Casa Gilberto Freyre, em Pernambuco, e a Casa de Cora Coralina, na Cidade de Goiás, além de referências internacionais como as casas de Pablo Neruda, no Chile.
O acervo reunido no imóvel inclui itens como o fardão da Academia Brasileira de Letras, cerca de 200 objetos pessoais do escritor e materiais ligados à produção intelectual do autor, considerado uma das vozes centrais da literatura do Cerrado.














