A Amazon apresentou nesta quarta-feira (17), em evento realizado no Morumbi, em São Paulo, a Alexa+, nova geração da Alexa baseada em inteligência artificial generativa. A Revista Zelo acompanhou o lançamento a convite da empresa. A atualização marca a entrada definitiva da assistente na nova fase da IA conversacional, em que sistemas deixam de apenas responder perguntas para atuar como agentes capazes de compreender contexto, aprender preferências e executar tarefas.
Disponível inicialmente em Acesso Antecipado, a Alexa+ chega ao Brasil poucos meses após sua apresentação global e coloca a Amazon na disputa por um mercado cada vez mais concorrido, que reúne empresas como OpenAI, Google e Microsoft na corrida pelos chamados assistentes pessoais de IA. Desde seu lançamento, a Alexa se popularizou por comandos de voz simples para tocar músicas, controlar dispositivos domésticos e responder perguntas rápidas. Com a nova versão, a proposta é tornar a interação mais próxima de uma conversa humana.
Segundo Talita Bruzzi Taliberti, country manager de Alexa no Brasil, a principal mudança está justamente na forma de interação. “Agora a gente não precisa mais falar o ‘idioma Alexa’. Basta conversar naturalmente, como se estivesse falando com um amigo, que ela entende o que você precisa”, afirmou durante a apresentação.
A executiva destacou que a assistente consegue manter o contexto de uma conversa mesmo quando o usuário muda de assunto. Em um exemplo demonstrado no evento, após pedir sugestões de roteiro para Belo Horizonte, o usuário pode perguntar apenas “e como está o tempo lá?” e a Alexa compreende a referência sem necessidade de repetir informações. “Alexa+ não é apenas uma atualização. É uma reinvenção da experiência. Nós construímos uma assistente que entende o brasileiro de verdade, seus sotaques, suas expressões e a forma como as pessoas realmente conversam”, disse Talita.
Memória e personalização
Um dos pilares da nova plataforma é a memória contextual. A Alexa+ pode armazenar informações fornecidas pelo usuário para personalizar futuras interações. A assistente consegue lembrar preferências musicais, restrições alimentares, equipes esportivas favoritas e outros hábitos compartilhados ao longo do uso. Segundo a Amazon, o objetivo é que as recomendações se tornem progressivamente mais relevantes.
Para Gabriel Cruz, head de Produto da Alexa no Brasil, essa capacidade aproxima a tecnologia de um verdadeiro assistente pessoal. “Pela primeira vez, a Alexa consegue construir uma relação contínua com o usuário. Ela entende preferências, aprende hábitos e utiliza esse contexto para oferecer respostas mais úteis ao longo do tempo”, explicou.
A personalização também se estende aos diferentes membros da família. Utilizando reconhecimento de voz, a plataforma consegue identificar quem está falando e adaptar respostas e sugestões individualmente.
Além da conversa mais natural, a Amazon aposta na capacidade de transformar a Alexa+ em uma ferramenta de ação. A assistente pode controlar dispositivos inteligentes, gerenciar compromissos, redigir mensagens, criar listas de compras e acompanhar entregas. Em breve, também deve ganhar integração com serviços como Uber, Gol Linhas Aéreas e ClickBus.
Para Gabriel Cruz, essa mudança representa uma transformação importante no papel da inteligência artificial no cotidiano. “Durante muito tempo os assistentes digitais foram ótimos para responder perguntas. Agora estamos entrando em uma fase em que eles passam a resolver problemas e concluir tarefas para os usuários”, afirmou.
Na prática, comandos deixam de ser necessários. Frases informais como “está muito quente aqui” podem ser interpretadas como uma solicitação para ligar o ar-condicionado, enquanto “está escuro” pode acionar automaticamente a iluminação do ambiente.
O futuro da IA
O lançamento acontece em um momento de forte concorrência entre gigantes da tecnologia. Nos últimos anos, empresas como OpenAI, Google, Microsoft e Meta passaram a investir em sistemas de IA capazes de manter conversas complexas e executar tarefas de forma autônoma.
A estratégia da Amazon é utilizar a ampla presença da Alexa em dispositivos domésticos para acelerar a adoção dessa nova geração de assistentes. Segundo dados divulgados pela empresa, os brasileiros já realizaram mais de 60 bilhões de interações com a Alexa nos últimos três anos. “Não estamos falando apenas de uma assistente mais inteligente, mas de uma experiência completamente diferente de interação com tecnologia”, afirmou Gabriel Cruz. “
Inicialmente, a Alexa+ será disponibilizada gratuitamente em Acesso Antecipado para usuários de dispositivos compatíveis da linha Echo e Fire TV. Após essa fase, o serviço passará a integrar os benefícios da assinatura Amazon Prime.

















