Goiânia recebe, em outubro, duas exposições de Vik Muniz, um dos artistas brasileiros de maior reconhecimento internacional. Realizadas pelo Sesc Goiás em parceria com a galeria Nara Roesler, as mostras ocupam a Vila Cultural Cora Coralina e a Galeria Leo Romano, com aberturas nos dias 5 e 6 de outubro, respectivamente. A programação reúne trabalhos que percorrem três décadas de produção do artista e obras recentes construídas com fragmentos de cédulas descartadas pela Casa da Moeda do Brasil. As duas exposições têm entrada gratuita e contam com a presença de Muniz nas aberturas.
Na Vila Cultural Cora Coralina, a exposição Vik Muniz_REVER: imagem e reflexão abre em 5 de outubro, às 17h, com curadoria de Daniel Rangel. Já no dia 6, às 19h, a Galeria Leo Romano recebe Vik Muniz – Dinheiro Vivo, dedicada à série iniciada em 2022. No mesmo endereço, os demais pavimentos apresentam uma seleção de obras do acervo da Nara Roesler, com trabalhos de artistas de diferentes gerações da arte moderna e contemporânea.
Imagens e experimentação

Com 60 fotografias, Vik Muniz_REVER: imagem e reflexão percorre diferentes momentos da trajetória do artista, marcada pela investigação das relações entre imagem, matéria e percepção. Em seu processo criativo, Muniz utiliza materiais como chocolate, pasta de amendoim, geleia, poeira, sucata e cinzas para construir composições que são posteriormente fotografadas. O material empregado não é apenas suporte: participa da construção da imagem e modifica a maneira como o público reconhece aquilo que vê.
Com curadoria de Daniel Rangel, que acompanha a trajetória do artista desde 1999, a exposição parte da ideia de “museu imaginário”, formulada pelo escritor e pensador francês André Malraux. O conceito permite aproximar obras de épocas e tradições distintas, revelando como imagens consagradas da história da arte e da cultura visual atravessam a produção de Muniz. Entre os trabalhos apresentados estão releituras de O nascimento de Vênus, de Botticelli, e A Escola de Atenas, de Rafael, além de referências a Pablo Picasso, Andy Warhol, Joseph Beuys e Yves Klein.
A mostra também inclui dois trabalhos da série Museu das Cinzas, desenvolvida a partir do incêndio que atingiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em 2018. Em colaboração com a instituição e pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Muniz utiliza cinzas e fragmentos recuperados do local para reconstruir imagens de peças do acervo. Em Goiânia, serão apresentados trabalhos de 2019 que recriam, com esse material, imagens de um vaso marajoara e de um afresco de Pompeia.
A produção de Muniz ganhou projeção internacional também com o documentário Waste Land (Lixo Extraordinário), realizado a partir de seu trabalho colaborativo com catadores do Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, e indicado ao Oscar de melhor documentário. Suas obras integram coleções de instituições como o Centre Pompidou, em Paris; o Guggenheim e o Whitney Museum of American Art, em Nova York; e a Tate, em Londres.
Dinheiro como matéria-prima

Na Galeria Leo Romano, Vik Muniz – Dinheiro Vivo apresenta um recorte da produção recente do artista, que transforma fragmentos de cédulas em imagens de animais e paisagens brasileiras. A série teve início em 2022, depois de uma visita à Casa da Moeda do Brasil, quando Muniz conheceu o processo de fabricação do dinheiro e soube que cédulas com imperfeições eram retiradas de circulação antes de serem trituradas e recicladas. Parte desse material foi disponibilizada ao artista, que passou a utilizá-lo como matéria-prima.
A exposição reúne trabalhos de dois conjuntos. No primeiro, Muniz reconstrói animais estampados nas cédulas brasileiras, como mico-leão-dourado, arara, garça, garoupa, lobo-guará e onça-pintada. Cada imagem é composta exclusivamente por fragmentos da nota que traz aquela espécie impressa. Assim, o lobo-guará é formado com partes da cédula de R$ 200, enquanto a garça é construída com fragmentos da nota de R$ 5.
O segundo conjunto utiliza o papel-moeda para refazer paisagens brasileiras representadas por artistas viajantes do século 19. Entre as obras estão releituras de imagens de Johann Moritz Rugendas e Franz Keller Leuzinger, com cenas de praias, montanhas e áreas de mata. O processo também impõe desafios materiais: para compor as paisagens, Muniz precisou lidar com a disponibilidade limitada de pigmentos nas cédulas, já que o verde necessário às imagens aparece apenas na nota de R$ 20.
A série estabelece uma relação entre o dinheiro como símbolo de valor econômico e as imagens que representam a fauna e o território brasileiros. Ao reaproveitar um material produzido para circular como moeda, o artista desloca sua função original e propõe novas leituras sobre representação, memória e identidade.
Programação ampliada
Além da exposição de Muniz, a Galeria Leo Romano apresenta, no primeiro e segundo pavimentos, uma seleção de obras do acervo da Nara Roesler. A curadoria reúne artistas como Abraham Palatnik, Tomie Ohtake, Daniel Senise, Lucia Koch, Julio Le Parc e Rodolpho Parigi, criando aproximações entre diferentes gerações, pesquisas e linguagens artísticas.
A programação acontece no ano em que a galeria celebra 50 anos de trajetória. Fundada em 1976, a Nara Roesler construiu uma atuação voltada à circulação da arte brasileira e à conexão entre artistas, instituições e públicos de diferentes regiões. Sua relação com Goiás inclui exposições de obras de Siron Franco, como trabalhos da série Goiânia Rua 57, criada em resposta ao acidente com césio-137, apresentados em São Paulo em 1987.
Idealizada pelo arquiteto, designer e artista Leo Romano, a galeria que leva seu nome foi inaugurada em Goiânia em 2026 e é dedicada à arte, ao design e à criação contemporânea. A parceria com o Sesc Goiás e a Nara Roesler amplia a programação artística da cidade e aproxima o público de diferentes momentos da produção nacional.
As três exposições permanecem em cartaz até 31 de janeiro de 2027. Com entrada gratuita, a programação oferece ao público goiano a oportunidade de conhecer diferentes vertentes da obra de Vik Muniz e trabalhos de outros nomes relevantes da arte moderna e contemporânea.
Serviço – Mostras e Acervo Nara Roesler
Vik Muniz_REVER: imagem e reflexão
Abertura: 5 de outubro de 2026, às 17h
Visitação: até 31 de janeiro de 2027
Local: Vila Cultural Cora Coralina, Goiânia
Entrada: gratuita
Vik Muniz – Dinheiro Vivo
Abertura: 6 de outubro de 2026, às 19h
Visitação: até 31 de janeiro de 2027
Local: Galeria Leo Romano, Goiânia
Entrada: gratuita
Acervo Nara Roesler
Abertura: 6 de outubro de 2026, às 19h
Visitação: até 31 de janeiro de 2027
Local: Galeria Leo Romano, Goiânia
Seleção artística: Nara Roesler
Realização: Sesc Goiás
Entrada: gratuita














