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Goiás lidera investimento proporcional em incentivo à cultura, aponta estudo

Levantamento do Conselho Estadual de Cultura indica aplicação de R$ 21,50 por habitante pela Lei Goyazes, com projetos alcançando 148 municípios
Carvalhada
(Foto: Secult)
Carvalhada
(Foto: Secult)

Goiás apresenta o maior investimento proporcional em programas estaduais de incentivo fiscal à cultura entre os estados analisados em levantamento do Conselho Estadual de Cultura. Segundo o estudo, a Lei Goyazes destinou R$ 160 milhões ao setor nos últimos quatro anos, o equivalente a aproximadamente R$ 21,50 por habitante, considerando uma população superior a 7,4 milhões de pessoas.

O levantamento compara os recursos aplicados por programas estaduais de incentivo fiscal à cultura e aponta que o valor proporcional de Goiás supera o registrado em São Paulo. No mesmo período, o Programa de Ação Cultural (ProAC) paulista destinou R$ 400 milhões, o que corresponde a cerca de R$ 8,60 por habitante, considerando uma população superior a 46 milhões.

A comparação indica que o investimento proporcional de Goiás é cerca de 150% maior que o paulista. Os dados utilizados pelo Conselho Estadual de Cultura têm como base informações dos últimos quatro anos disponíveis no Portal da Transparência do Governo de Goiás.

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A procissão do Foragéu na Cidade de Goiás (Foto: Secult)

Recursos chegam ao interior

Além do volume proporcional de recursos, o estudo destaca a distribuição territorial dos projetos financiados pela Lei Goyazes. Segundo o levantamento, iniciativas contempladas pelo programa chegaram diretamente a 148 municípios, cerca de 60% das cidades goianas.

Para o presidente do Conselho Estadual de Cultura, o jornalista e poeta Carlos William, a presença dos projetos fora da capital amplia o alcance da política de incentivo e cria oportunidades para artistas das próprias localidades. “Goiás tem o maior projeto cultural de incentivo à cultura do país. É maior do que São Paulo proporcionalmente”, afirma.

O Programa Goyazes é um mecanismo de incentivo fiscal que permite a empresas contribuintes de ICMS apoiar projetos culturais por meio de abatimento do imposto. O programa foi criado em 2000, interrompido em 2018 e retomado após autorização do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), em 2021. Entre 2022 e 2025, segundo a Secretaria de Estado da Cultura, foram aprovados 472 projetos, com R$ 127 milhões em créditos de ICMS.

Para 2026, o programa prevê R$ 40 milhões para o financiamento de projetos culturais, distribuídos entre ações culturais dos municípios, festivais e demais áreas artístico-culturais.

Outro aspecto destacado pelo Conselho Estadual de Cultura é a participação de artistas locais nas ações realizadas nos municípios contemplados. Segundo o levantamento, mais de 200 artistas beneficiados pelo programa já participaram de eventos realizados fora de Goiás e também no exterior. O modelo também prevê gratuidade para o público nos eventos financiados pela Lei Goyazes, segundo as informações apresentadas pelo Conselho. A medida busca ampliar o acesso às atividades culturais realizadas com recursos do programa.

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O Festival Internacional de Cinema e Víídeo Ambiental (FICA) Foto: Secult)

Política cultural em expansão

A política de descentralização se soma a outras ações de financiamento e preservação cultural realizadas pelo Estado. Segundo os dados apresentados no levantamento, desde 2019 foram investidos mais de R$ 18,7 milhões na restauração de sete igrejas, enquanto uma nova etapa de recuperação de templos históricos tem previsão de outros R$ 15 milhões.

O Estado também destinou mais de R$ 20,7 milhões a intervenções em 13 prédios, entre museus, cinemas, centros culturais e imóveis históricos, além de mais de R$ 106,3 milhões para festivais, cavalhadas e eventos de música, cinema, teatro e artesanato.

A Secretaria de Estado da Cultura é responsável pela formulação e execução das políticas estaduais de desenvolvimento cultural. Atualmente, a pasta é comandada por Yara Nunes, que ocupa o cargo desde 2023. Segundo a secretária, a recriação da pasta como estrutura autônoma permitiu reorganizar as políticas públicas do setor e ampliar a presença dos programas culturais no interior do Estado.

Os números do Programa Goyazes mostram uma ampliação recente do mecanismo. Além dos R$ 127 milhões em créditos de ICMS destinados a projetos aprovados entre 2022 e 2025, a Secretaria informa que mais de 900 projetos foram inscritos em 2025 para concorrer aos R$ 40 milhões disponibilizados naquele ciclo.

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O Canto da Primavera em Pirenópolis (Foto: Secult)

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