Goiânia recebeu, nesta quarta-feira (16), o “Conexão 2026 – Família e Empresa”, encontro voltado aos desafios da sucessão e da governança em empresas familiares. Realizado no Hotel Transamerica, no Setor Marista, o summit reuniu empresários, executivos e especialistas em torno de questões que acompanham a passagem dos negócios entre gerações, da profissionalização da gestão à preparação de sucessores.
Tradição, inovação e os limites entre interesses familiares e empresariais deram o tom do primeiro painel, “Como estruturar negócios que atravessam o tempo”. À frente da conversa, Alexandre Baumgart, conselheiro do Agro do Grupo Baumgart, e Daniela Lupo, presidente do Conselho de Família da Lupo S.A., partiram das experiências de suas próprias famílias para discutir os caminhos para a continuidade das empresas.
Para Alexandre, um desses pontos está na capacidade de separar as questões individuais das decisões relacionadas ao negócio. “A partir do momento que você entende que não é a opinião que vale, mas o bem do negócio, é possível. A saída para os problemas não vem de fora da empresa. A saída está dentro”, afirmou.
Daniela levou a discussão para a definição de papéis e responsabilidades dentro da estrutura familiar. Na avaliação da executiva, a longevidade da empresa passa por estabelecer com clareza o lugar de cada integrante e por preservar os interesses do negócio diante das demandas particulares dos sócios.
Transformação e recuperação
Na sequência, o painel “Sucessão em movimento: quando a próxima geração assume a governança do negócio” reuniu Manuella Curti, CEO da Purificadores Europa, e Nathalia Bassi, coordenadora de Governança Familiar na Açotubo. As executivas discutiram a preparação de sucessores e compartilharam diferentes experiências de transição entre gerações.
Os relatos partiram de contextos distintos. Manuella assumiu responsabilidades na gestão e na continuidade da empresa familiar após a perda dos pais e do irmão. Nathalia, por sua vez, relatou um processo planejado de sucessão, com a preparação da nova geração para ocupar posições estratégicas na empresa.
O encontro teve ainda palestra de Richard Doern, conselheiro de empresas familiares, que abordou governança e decisões estratégicas a partir de sua experiência em processos de transformação e recuperação empresarial. Doern relacionou a organização da governança à eficiência da gestão, à tomada de decisões e à percepção da empresa pelo mercado. “Empresas que têm boa governança têm foco no resultado, e foco no resultado quer dizer tentar fazer mais com menos. Isso é um trabalho do conselho. Decisões estratégicas de melhor qualidade também são resultado desse processo. Quando a gente fala de crescimento da empresa, os conselhos começam a tomar decisões mais importantes, sentam à mesa com uma pauta muito bem estabelecida. Melhora a imagem da empresa no mercado”, afirmou.
Realizado pela EXEC e pela Harvest Governança Corporativa, o Conexão 2026 buscou aproximar famílias empresárias do Centro-Oeste e estimular a discussão sobre sucessão antes da necessidade de uma mudança de comando. Para Ana Paula Machado, cofundadora da Harvest, esse processo envolve pessoas, família, propriedade, estratégia, gestão, cultura e governança. Já para Luis Filipe Dutra, sócio da Harvest, o número de empresas familiares em Goiânia faz da cidade um espaço propício para ampliar o debate sobre sucessão e governança empresarial.





























