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Filme “Dividindo as Contas” estreia em Goiânia e discute o valor econômico do trabalho das mulheres

Longa-metragem documental dirigido por Patrícia Alves chega ao Cine Cultura no dia 20 de agosto
(Foto: Michelly Matoss)
(Foto: Michelly Matoss)
(Foto: Michelly Matoss)

Mais da metade dos lares brasileiros tem uma mulher como referência financeira, segundo dados do FGV IBRE divulgados em 2024. Apesar disso, o trabalho, o cuidado, os sacrifícios financeiros e as responsabilidades assumidas por muitas mulheres dentro de casa nem sempre são reconhecidos como contribuição econômica.

Essas questões estão no centro de “Dividindo as Contas”, documentário dirigido por Patrícia Alves, com produção da Roch Produções, de Rochelle Silva, e apoio da Pequi Roxo Produções e da É Nóis Ki Tá Produções. O filme terá sessão de lançamento no dia 20 de agosto, às 20h, no Cine Cultura, em Goiânia. A entrada é gratuita, mediante a capacidade de público da sala.

Idealizado em 2021, o longa surgiu a partir da observação da diretora sobre histórias de mulheres que abriram mão de bens para evitar conflitos, assumiram empréstimos em seus próprios nomes para auxiliar companheiros, sustentaram suas famílias por meio de trabalhos informais e acumularam responsabilidades relacionadas ao cuidado e às tarefas domésticas. A produção apresenta depoimentos de mulheres que enfrentaram situações de dependência econômica, controle financeiro, renúncia patrimonial, endividamento e outras formas de desigualdade em relacionamentos afetivos. A reflexão é ampliada pela participação de duas especialistas.

A pesquisadora e ativista Janira Sodré contribui para a compreensão histórica e social das relações de gênero. Já Renata Botelho, doutora em Psicologia, compartilha sua experiência na discussão sobre relações abusivas e estelionato sentimental. O documentário também incorpora uma dimensão poética. Sara e Ester Linhares assinam a criação e a interpretação de poemas que integram a narrativa, estabelecendo conexões entre palavra, memória, experiência e reflexão sobre as relações econômicas e afetivas. O filme foi realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, do Governo Federal, operacionalizados pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura.

Dados reforçam debate sobre trabalho e autonomia financeira das mulheres

A  realidade retratada no documentário encontra respaldo em pesquisas recentes. Levantamento da pesquisadora Janaína Feijó, do FGV IBRE, aponta que, no final de 2024, 51,7% dos lares brasileiros tinham uma mulher como referência financeira, o equivalente a 41,3 milhões de brasileiras.Apesar desse protagonismo econômico, o estudo mostra que essas mulheres recebem, em média, rendimentos inferiores aos dos homens que ocupam a mesma posição familiar. A pesquisa também evidencia desigualdades relacionadas à raça, escolaridade e inserção no mercado de trabalho.

O trabalho que sustenta essas famílias, porém, vai além da renda obtida fora de casa. Dados do IBGE mostram que, em 2022, as mulheres dedicaram, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e aos cuidados de pessoas, enquanto os homens destinaram 11,7 horas às mesmas atividades.A diferença se torna ainda mais evidente quando são consideradas as desigualdades entre grupos de mulheres e diferentes faixas de renda.Ao abordar a relação entre dinheiro, trabalho e reconhecimento, “Dividindo as Contas” propõe uma reflexão sobre os critérios utilizados para definir o que é considerado trabalho, contribuição econômica e interesse dentro das relações afetivas.

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