Zelo 53 – Acesse

Morre Luiz Carlos Barreto, produtor que marcou mais de seis décadas do cinema nacional

Produtor, diretor de fotografia e um dos nomes centrais do Cinema Novo, "Barretão" participou de clássicos como Vidas Secas, Terra em Transe e Dona Flor e Seus Dois Maridos
luiz-carlos-barreto
Luiz Carlos Barreto (Foto: Divulgação)
luiz-carlos-barreto
Luiz Carlos Barreto (Foto: Divulgação)

Luiz Carlos Barreto, um dos principais nomes da história do cinema brasileiro, morreu nesta quarta-feira (22), aos 98 anos. Conhecido como “Barretão”, o produtor, diretor de fotografia e roteirista construiu uma trajetória de mais de seis décadas dedicada ao fortalecimento do audiovisual nacional, participando de obras que se tornaram referências da cinematografia brasileira e ajudando a projetar o país no cenário internacional.

Nascido em Sobral (CE), em 1928, Barreto iniciou a carreira como fotógrafo da revista O Cruzeiro. O contato com as filmagens de Barravento (1961), primeiro longa-metragem de Glauber Rocha, despertou seu interesse pelo cinema. No ano seguinte, assinou, ao lado de Roberto Farias, o roteiro de O Assalto ao Trem Pagador (1962), considerado um dos clássicos do cinema nacional.

Produções históricas

Ao longo da década de 1960, Barretão consolidou sua atuação como diretor de fotografia em filmes fundamentais do Cinema Novo. Entre eles estão Vidas Secas (1963), dirigido por Nelson Pereira dos Santos e premiado no Festival de Cannes em 1964, e Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha, duas obras que ajudaram a redefinir a produção cinematográfica brasileira.

Pouco depois, voltou sua atuação para a produção audiovisual. Ao lado da esposa, Lucy Barreto, fundou a produtora L.C. Barreto, responsável por dezenas de filmes que marcaram diferentes gerações de espectadores.

Sob o comando dos dois, foram produzidos títulos de grande impacto, como Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), dirigido por Bruno Barreto e, por muitos anos, recordista de público do cinema brasileiro, além de Bye Bye Brasil (1979), de Carlos Diegues, e Memórias do Cárcere (1983), de Nelson Pereira dos Santos.

A produtora também esteve por trás de duas obras indicadas ao Oscar de Melhor Filme Internacional: O Quatrilho (1996), dirigido por Fábio Barreto, e O Que É Isso, Companheiro? (1997), de Bruno Barreto. Além da produção de mais de 70 filmes, Luiz Carlos Barreto teve atuação destacada na defesa da indústria audiovisual brasileira, participando de debates e iniciativas voltadas ao fortalecimento das políticas públicas para o setor. Seu trabalho contribuiu para consolidar o cinema brasileiro como uma das principais expressões culturais do país.

Leia também:

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

Fique por dentro das atualizações do Portal Zelo!
Inscreva-se em nossa newsletter e receba reportagens e outros conteúdos imperdíveis semanalmente diretamente no seu e-mail.

Gostaria de receber notificações da Zelo?

Este site utiliza cookies

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.