A artista visual goiana Sallisa Rosa está entre os convidados da terceira edição do Seminário Internacional Transmutar, promovido pelo Instituto Inhotim nos dias 6 e 7 de junho. Integrando a programação especial de 20 anos do instituto, o encontro reúne artistas, pesquisadores, cientistas e lideranças de diferentes países em torno de debates sobre arte, natureza, biodiversidade, memória e futuros possíveis.
Com o tema Transfluências, o seminário foi inspirado na obra e no pensamento de Nêgo Bispo e propõe reflexões sobre convivência, ancestralidade, território e relações entre seres humanos e natureza. A programação integra a Semana do Meio Ambiente do Inhotim e reafirma o museu e jardim botânico como espaço de troca, escuta e criação coletiva.
Além de Sallisa Rosa, participam do encontro nomes como o pesquisador italiano Stefano Mancuso, referência internacional no estudo da inteligência das plantas; o arqueólogo Eduardo Góes Neves; a pesquisadora Sue Anne Costa; a conservacionista queniana Sharon Kogo; a comunicadora colombiana Ana Ochoa Acosta; além das artistas Rose Afefé e Walla Capelobo.
Território e memória
Natural de Goiânia, Sallisa Rosa desenvolve uma produção que articula fotografia, vídeo, performance, instalação e escultura a partir de elementos naturais, especialmente o barro. Sua pesquisa investiga as relações entre corpo, território e memória, tratando o solo como registro histórico e elemento simbólico.
Atualmente radicada no Rio de Janeiro, a artista participou do ciclo 2023–2025 da residência artística da Rijksakademie van Beeldende Kunsten, uma das mais reconhecidas plataformas internacionais de formação e experimentação em arte contemporânea.
Seu trabalho já foi apresentado em instituições como o Museu de Arte de São Paulo, o Museu de Arte do Rio, além de espaços expositivos em Austin, Xangai e Genebra. Sallisa também foi indicada ao Prêmio PIPA e possui obras incorporadas ao acervo do MASP.
Na itinerância da 36ª Bienal de São Paulo apresentada em Goiânia, a artista participou com a instalação Muitos nomes, composta por galhos, cipós, fibras naturais e cerâmicas produzidas com argila recolhida em campo. A obra refletia sobre paisagem, memória e presença humana no território.
Arte e paisagem
Fundado em 2006, o Inhotim consolidou um modelo singular ao unir arte contemporânea, arquitetura e paisagem em um mesmo percurso. Considerado um dos maiores museus a céu aberto do mundo, o instituto ocupa cerca de 140 hectares em uma área de transição entre Mata Atlântica e Cerrado, reunindo um importante acervo artístico e uma das maiores coleções botânicas do planeta.
Em 2026, o Inhotim foi incluído na lista “52 Places to Go in 2026”, do The New York Times, como o único destino brasileiro entre os recomendados.
A participação de Sallisa Rosa no seminário reforça a presença da produção goiana em circuitos internacionais de arte contemporânea e amplia discussões sobre ecologia, ancestralidade e modos de habitar o mundo. a artista também estará presente na próxima edição impressa da Revista Zelo, em um perfil dedicado à sua trajetória e processos criativos.














