Itália recusa pedido do governo dos EUA para substituir o Irã na Copa do Mundo 2026

Pedido de enviado norte-americano à Fifa cita tradição da seleção italiana, mas entidade mantém participação do Irã no Mundial de 2026
Copa do Mundo 2026
O jogador italiano Sandro Tonali (Foto: Repodução)
Copa do Mundo 2026
O jogador italiano Sandro Tonali (Foto: Repodução)

Um pedido do governo dos Estados Unidos para substituir o Irã pela Itália na Copa do Mundo de 2026 provocou reações no cenário esportivo e político internacional. A proposta foi apresentada pelo enviado especial Paolo Zampolli ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, mas não deve avançar, segundo informações divulgadas por veículos internacionais.

A sugestão foi formalizada por Zampolli e, de acordo com o Financial Times, também encaminhada ao presidente Donald Trump. O argumento central é o histórico da seleção italiana, que soma quatro títulos mundiais e, segundo o enviado, teria credenciais esportivas para ocupar uma eventual vaga no torneio.

A Itália, no entanto, não se classificou para a Copa de 2026. A equipe foi eliminada nos playoffs após derrota para a Bósnia e Herzegovina e ficará fora do Mundial pela terceira edição consecutiva. Atualmente, ocupa a 12ª posição no ranking da Fifa, sendo a seleção mais bem colocada entre as que não garantiram vaga.

O Irã, por sua vez, assegurou participação ao se classificar entre as seleções da Confederação Asiática de Futebol. Apesar de tensões geopolíticas recentes, a federação iraniana confirmou que pretende disputar o torneio. Em abril, Gianni Infantino declarou que a presença do país está garantida, afirmando que a equipe “com certeza” participará da competição.

Resposta italiana

A possibilidade de substituição encontra respaldo no regulamento da Fifa apenas em caso de desistência formal. A entidade tem “discricionariedade exclusiva” para decidir sobre eventuais mudanças, mas, até o momento, não há indicação de alteração na lista de participantes.

A proposta também gerou críticas na Itália. O técnico italiano Gianni De Biasi disse à Reuters que uma eventual ausência do Irã deveria ser resolvida com base em critérios esportivos. “Seria lógico que a vaga fosse ocupada pela equipe logo atrás na classificação do grupo”, afirmou.

Ele também descartou a necessidade de qualquer articulação política para beneficiar a Itália. “Acredito que a Itália não precisa do apoio de Trump em uma questão como essa. Acho que podemos lidar com isso sozinhos”, declarou. A proposta também foi rejeitada pelo presidente do Comitê Olímpico Italiano, Luciano Buonfiglio. “Eu me sentiria ofendido. É preciso merecer ir à Copa do Mundo”, disse.

A discussão ocorre em meio a um cenário de tensão entre Estados Unidos e Irã, que chegou a colocar em dúvida a participação iraniana no torneio. Ainda assim, a Fifa tem reiterado o compromisso de garantir a presença das seleções classificadas e as condições necessárias para a realização da competição, que será sediada por Estados Unidos, México e Canadá.

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