Morre Eduardo de Almeida, referência da arquitetura brasileira

Arquiteto e professor da USP, ele construiu uma obra marcada pelo rigor técnico e pela busca por uma linguagem própria
Eduardo de Almeida
Eduardo de Almeida (Foto: Ana Ottoni/Divulgação)
Eduardo de Almeida
Eduardo de Almeida (Foto: Ana Ottoni/Divulgação)

Morreu no último domingo (12), aos 92 anos, o arquiteto Eduardo de Almeida, referência da arquitetura brasileira e professor da Universidade de São Paulo. Com mais de seis décadas de atuação, ele construiu uma trajetória que equilibra prática profissional e formação acadêmica, influenciando gerações de arquitetos no país.

O falecimento foi confirmado pela família. Almeida estava internado no Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista. A causa da morte não foi divulgada.

Formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU-USP) em 1960, ele também lecionou na instituição entre 1967 e 1998, consolidando uma atuação que atravessou diferentes gerações de estudantes e profissionais.

Trajetória 

Ao longo da carreira, Eduardo de Almeida desenvolveu mais de 250 projetos. Entre os mais reconhecidos está a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, na Cidade Universitária, realizada em parceria com Rodrigo Mindlin Loeb.

Sua produção inclui ainda os edifícios Gemini 1 e 2, construídos na década de 1970, no bairro de Moema, além de residências como as das famílias Tassinari, Sigrist e Define. Também é de sua autoria a sede do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), no Butantã.

Pai do fotógrafo Lalo de Almeida, o arquiteto conciliou a atuação em escritório com a reflexão teórica e acadêmica, contribuindo para o debate sobre a arquitetura brasileira contemporânea.

Conhecido pelo rigor técnico, Almeida desenvolveu uma linguagem que evitava a rigidez de estilos fechados. Em vez de seguir estritamente a estética do concreto aparente associada à escola paulista, explorou diferentes materiais, como tijolos e estruturas metálicas pintadas.

Legado

Ele reconhecia a influência de nomes como Frank Lloyd Wright e Mies van der Rohe no início de sua trajetória, mas construiu uma obra marcada por contrastes e soluções próprias.

A abordagem mais poética do que formal foi destacada pelo crítico de arte Alberto Tassinari, que definiu sua produção como “sutil e variada”.

A trajetória de Eduardo de Almeida foi registrada no livro Eduardo de Almeida: Arquiteto, lançado em 2023, e no documentário Arquiteto da Medida Justa, dirigido por Thomas Piper, que acompanha o arquiteto em visitas comentadas a suas obras.

Mesmo após décadas de atuação, ele seguia ativo, refletindo sobre seus projetos e compartilhando conhecimento. Deixa cinco filhos e a esposa, Francesca. 

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