O projeto “Casa de Amélia”, assinado pelo escritório Bendito Traço Arquitetura, foi escolhido para representar Goiás na 1ª Bienal de Arquitetura Brasileira, em exibição no Pavilhão das Culturas Brasileiras (Pacubra), no Parque Ibirapuera, em São Paulo, até 30 de abril. A mostra reúne ambientes que representam os estados brasileiros e seus biomas e o Distrito Federal.
A Bienal de Arquitetura Brasileira estreia com a proposta de aproximar a arquitetura do público e apresentar a diversidade de linguagens e territórios do país. Ao todo, 28 pavilhões apresentam identidades regionais por meio de soluções que articulam materiais naturais, referências modernistas, arte local e saberes tradicionais.
Cada espaço apresenta uma proposta expositiva própria. No caso de Goiás, o projeto selecionado propõe uma narrativa afetiva, com foco nas relações humanas.

Encontro e convivência
No Pavilhão Goiás, a Casa de Amélia parte de uma figura feminina para estruturar o espaço. A proposta destaca o papel das mulheres na construção dos lares e das memórias coletivas, colocando-as como protagonistas de uma arquitetura voltada ao convívio.
O projeto toma como eixo o encontro ao redor da mesa, gesto recorrente na cultura goiana, e o transforma em elemento organizador do ambiente. A cozinha, integrada às áreas de estar e jantar, ocupa posição central e reforça a ideia de convivência.
As arquitetas Mara Sandra e Luyara Godoy explicam que a escolha da personagem Amélia surgiu a partir de vivências pessoais e referências culturais. A figura da doceira, ligada à tradição das quitandas, orienta a narrativa e a materialidade do espaço, que combina madeira, tons terrosos e paleta inspirada na paisagem do Cerrado.
A proposta também dialoga com o bioma regional ao incorporar o conceito do fogo como elemento simbólico, presente na estética e na organização espacial. Um volume central em tonalidade escura estrutura a circulação e delimita os ambientes, conectando áreas sociais e íntimas.


Referência cultural
Inspirado no poema “Ninha e Suas Pedras”, de Cora Coralina, o projeto articula passado e presente ao reinterpretar elementos tradicionais em linguagem contemporânea. A casa funciona como espaço de evocação de experiências cotidianas, como reunir a família e compartilhar refeições.



Serviço: 1ª Bienal de Arquitetura Brasileira
Data: Até 30 de abril de 2026
Local: Pavilhão das Culturas Brasileiras (Pacubra), Parque Ibirapuera, São Paulo
Horário: Das 12h às 21h
Ingressos: Disponíveis para compra em bienaldearquiteturabrasileira.com
Valores: R$ 80 (semana) e R$ 100 (finais de semana).













