Acordo entre União Europeia e Mercosul avança e segue para etapa decisiva no Parlamento Europeu

Negociação iniciada no fim dos anos 1990 entra na fase final, apesar da resistência de países agrícolas e críticas ambientais
União Europeia Mercosul
(Foto: Guillaume Périgois/ Unsplash)
União Europeia Mercosul
(Foto: Guillaume Périgois/ Unsplash)

Os embaixadores dos 27 Estados-membros da União Europeia aprovaram provisoriamente, nesta sexta-feira (9), a assinatura do acordo comercial com o Mercosul, encerrando mais de 25 anos de negociações. A decisão reúne o apoio mínimo exigido no bloco, com pelo menos 15 países favoráveis, representando 65% da população europeia.

Com a sinalização favorável das embaixadas, a Comissão Europeia poderá formalizar o acordo com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A entrada em vigor, porém, ainda depende da aprovação do Parlamento Europeu.

O tratado prevê a eliminação de cerca de € 4 bilhões em tarifas aplicadas às exportações europeias, especialmente em setores como máquinas, produtos químicos e equipamentos de transporte. Em contrapartida, a UE ampliará o acesso a produtos do Mercosul, cuja pauta exportadora é concentrada em itens agrícolas, minerais, celulose e papel. Atualmente, o bloco sul-americano mantém tarifas que chegam a 35% sobre autopeças, além de taxas elevadas sobre vinhos e derivados do leite.

Para Bruxelas, o acordo tem peso estratégico. Além de ampliar mercados, ele integra a política europeia de redução de dependências externas, sobretudo em relação à China, e busca mitigar perdas comerciais associadas a tarifas adotadas pelos Estados Unidos. Países como Alemanha e Espanha atuaram ativamente para consolidar apoio ao texto.

A resistência, no entanto, permanece relevante. Liderada pela França, maior produtora agrícola da UE, a oposição argumenta que o aumento das importações de alimentos do Mercosul pode pressionar agricultores europeus. A Polônia também manteve posição contrária. Nesta sexta-feira, produtores rurais realizaram protestos em diferentes países do bloco, com bloqueios de rodovias e manifestações públicas.

Na tentativa de reduzir tensões, a Comissão Europeia incluiu no texto mecanismos de salvaguarda para produtos agrícolas sensíveis, reforçou controles sanitários, criou um fundo de resposta a crises e prometeu acelerar medidas de apoio ao setor rural. Ainda assim, a Itália foi o único país a rever posição recentemente, migrando do voto contrário para o favorável.

A ministra da Agricultura francesa, Annie Genevard, afirmou que a disputa continuará no Parlamento Europeu, onde a votação deve ser apertada. Entidades ambientais também mantêm oposição ao tratado. A organização Friends of the Earth critica o acordo por seus potenciais impactos climáticos.

Apesar do cenário dividido, o presidente da Comissão de Comércio do Parlamento Europeu, Bernd Lange, declarou esperar a aprovação do texto, com votação final prevista para abril ou maio.

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