Plantas que crescem espontaneamente em quintais, calçadas e áreas urbanas serão o centro de uma oficina gratuita em Goiânia ao longo do mês de agosto. As chamadas PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), também conhecidas por alguns pesquisadores como plantas alimentícias não colonizadas, serão tema da oficina VERDEJÁ, que acontece nos dias 1º, 15 e 29 de agosto, sempre às 9h, no Coletivo Centopeia, dentro da programação do ATAC Pro.
A atividade será conduzida pelo chef, educador ambiental e pesquisador de gastronomia Humberto Marra, que propõe encontros práticos voltados à agroecologia, à culinária e à economia criativa. Segundo ele, as PANCs têm chamado atenção por aliarem facilidade de cultivo e potencial nutritivo. “As PANCs são de fácil cultivo, não exigem solos férteis e dispensam o uso de venenos ou repelentes para insetos”, afirma Marra.
Durante os encontros, os participantes aprenderão a identificar espécies com segurança, multiplicá-las por sementes, mudas e estacas e preparar receitas simples utilizando plantas pouco comuns na alimentação cotidiana. A oficina é aberta ao público a partir de quatro anos, desde que crianças estejam acompanhadas por um responsável.
Na primeira atividade, marcada para 1º de agosto, os participantes iniciarão uma compostagem doméstica, semearão trigo para produção de suco verde, colherão e degustarão uma salada de PANCs e ainda poderão levar mudas de ora-pro-nóbis e joão-gomes para casa.
Para Vinicius Gade, produtor da oficina e integrante da ATAC, o tema precisa ganhar mais espaço na alimentação e na cultura. “Gastronomia também é cultura, é conhecimento que permite diversificar a dieta no dia a dia. Ficamos satisfeitos em oferecer uma atividade que mostra o potencial alimentício e nutritivo de plantas como as PANCs”, destaca.
Benefícios à saúde
O interesse pelas PANCs também vem crescendo no meio acadêmico. Uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP) analisou espécies consumidas no estado de São Paulo, como taioba, ora-pro-nóbis, serralha, capuchinha e beldroega, identificando diferenças importantes em sua composição nutricional.
Entre os resultados, a taioba apresentou altos teores de carotenoides e vitamina C; a capuchinha destacou-se pelas concentrações de proteínas, fibras e selênio; e a ora-pro-nóbis pelos teores de magnésio e manganês. Marra afirma que algumas espécies também são tradicionalmente associadas a benefícios imediatos no cotidiano. “Um exemplo é mastigar cinco folhas de ora-pro-nóbis para aliviar a queimação e a azia no estômago”, comenta.
Outro estudo, publicado pelo Instituto Federal Goiano (IF Goiano), aponta que as PANCs despertam interesse pelo potencial nutricional, pela presença de compostos bioativos e pelas possibilidades de aplicação na alimentação e na tecnologia de alimentos, embora ainda existam lacunas científicas sobre diversas espécies e seus efeitos.
A oficina integra o ATAC Pro, programa de formação cultural e criativa que reúne mais de 30 palestras e oficinas gratuitas até o fim de agosto. A iniciativa é realizada pelo Instituto BR e pela Prospera, com idealização, curadoria e produção da ATAC – Associação dos Trabalhadores em Arte e Cultura.
Criada em 2026, a associação busca fortalecer trabalhadores da cultura, articular iniciativas culturais e ampliar as condições para a circulação da arte em Goiânia, conectando diferentes redes independentes da cidade. As inscrições para a oficina permanecem abertas enquanto houver vagas.
Serviço – Oficina VERDEJÁ: PANCs – Plantas Alimentícias Não Convencionais
Data: 1º, 15 e 29 de agosto de 2026
Horário: 9h
Local: Coletivo Centopeia, Goiânia
Entrada: gratuita
Inscrições: Forms
















