Olhar atento à destruição do Cerrado

Os galhos e troncos retorcidos do Cerrado clamam por atenção. Não dos milhares de admiradores que se encantam com sua beleza. Essa existe e pode ser conferida em obras de artistas, trabalhos de pesquisadores ou no simples olhar de contemplação de quem entra em contato com sua natureza. A atenção que faz falta é daqueles que não parecem se importar com a devastação acelerada do segundo maior bioma do Brasil.

Na luta para que as árvores retorcidas não se tornem apenas retratos em livros de história, o Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA) chega a sua 12ª edição de olhos atentos ao Cerrado. Realizado na Cidade de Goiás entre os dias 8 e 13 de junho de 2010, o FICA não poderia deixar de lado o bioma que completa o cenário de ruas de pedras e construções históricas da antiga capital do estado.

O Cerrado

O Cerrado brasileiro ocupa uma área aproximada de 2 milhões de km² e se estende por dez estados e o Distrito Federal. Goiás é onde há maior predominância desse tipo de vegetação, atingindo uma proporção de 97% de seu território em se tratando de mata originária. O bioma se estende ainda pelo Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Maranhão, Piauí, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e pelo Paraná.

Grande parte da paisagem do Cerrado, porém, está transformada em centros urbanos, áreas de agricultura intensiva e pecuária de corte, e pela desolação nas regiões onde ocorre a exploração de madeira, quase sempre ilegal. Mais da metade da área original do Cerrado já não existe. Entre os biomas brasileiros, é o que apresenta maior grau de desmatamento, com um processo de devastação mais intenso e acelerado do que o da Amazônia ou o da Mata Atlântica.

Debate no FICA

Mesmo considerado uma das mais importantes florestas de savana do mundo, o Cerrado não recebe atenção suficiente por parte dos programas governamentais de preservação ambiental. Há leis determinando que propriedades rurais reservem 20% de sua área para conservação permanente e proibindo o desmatamento em áreas de nascente ou próximas a leitos de rios. Mas nem sempre são cumpridas. Além do mais, ao contrário do que acontece com a Amazônia, raramente se discute a intensificação do uso do solo em áreas agricultáveis pouco produtivas do Cerrado.

Assim, o FICA aproveita este ano para intensificar sua atenção ao bioma. Para isso, conta com a participação de Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília (UNB), uma das maiores especialistas mundiais em Cerrado, e de João Campari, diretor do Programa de Conservação das Savanas Centrais da The Nature Conservancy. Os especialistas vão compor a mesa “Mudanças Climáticas e Cerrado”, dia 11/06, às 9 horas, e aproveitam o clima do festival para compartilhar suas visões com quem deseja que a beleza do Cerrado permaneça sempre no olhar, e não na memória.

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