O acerto de Woody Allen

  • O casal do filme, interpretado por Owen Wilson e Rachel McAdams. (Foto: Divulgação)
O tema de Meia-Noite em Paris é o fantasma de um passado que teima em assombrar um pobre roteirista de Hollywood (Owen Wilson), que acha viver em uma época errada. A analogia pode ser feita com a atual carreira do diretor Woody Allen, que tem um currículo tão pesado em clássicos que fica difícil produzir um filme com o mesmo impacto. Mas a busca por esse tempo que não mais funciona para criatura e criador. O longa é, certamente, o mais leve de Allen em anos, e o mais popularesco – não à toa já rendeu mais de US$ 15 milhões nos Estados Unidos, três vezes mais que toda a carreira de Tudo Pode Dar Certo, sua obra anterior. Woody Allen encontra em Owen Wilson um alter ego de seu lado mais Boris Grushenko e menos Larry David, mais solar e menos melancólico.

Equilíbrio de inocência e inteligência

Na busca pela inspiração para escrever um livro, o personagem de Wilson, apenas chamado de Gil, vaga pela Paris moderna em busca da Paris da década de 1920, infestada de intelectuais e modernistas. Infeliz no casamento com uma riquinha fútil (Rachel McAdams), que cai na conversa de qualquer pseudointelectual pedante (Michael Sheen, ótimo), Gil “encontra” uma realidade alternativa que o leva para o passado, para beber com Ernest Hemingway (Corey Stoll), ouvir Cole Porter (Yves Heck) em uma festinha particular, ouvir conselhos de Scott Fitzgerald, ser criticado por Gertrude Stein (Kathy Bates) e assim por diante. Apesar da aparição genial de Adrien Brody como Salvador Dali, o recurso quase se torna repetitivo – ainda mais por gerar gritinhos no cinema de quem acha incrível conhecer todos os nomes jogados na telona.

O truque, no entanto, não chega perto de estragar a graça de Meia-Noite em Paris. Primeiramente, e pensei que nunca seria capaz de escrever isso, por causa da atuação delicadíssima e contagiante de Wilson. O ator passa exatamente o equilíbrio de inocência e inteligência que Allen pede em suas comédias românticas mais alegres, e tem uma química brilhante com Marion Cotillard, uma francesa do século 20 que, ironicamente, sonha com um passado ainda mais distante para o escritor. E, no fim, Woody Allen passa uma lição sem impor regras ou cartilhas. É seu melhor filme desde Vicky Cristina Barcelona.

Veja o trailer do filme:

Fonte: GQ

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