
Só no Brasil, o hábito de fumar provoca cerca de 161 mil mortes anuais, o equivalente a 13% dos óbitos no país, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima mais de 8 milhões de mortes por ano, sendo 1,2 milhão de não fumantes expostos passivamente à fumaça em ambientes compartilhados.
Para a pneumologista e gerente médica do Instituto de Neurologia de Goiânia (ING), Letícia Ferreira Neves Arantes, o cigarro permanece entre os maiores desafios da saúde pública. “Qualquer quantidade de cigarros é prejudicial ao organismo. A inflamação é desencadeada imediatamente após a exposição, e o corpo não diferencia se o uso é eventual ou frequente. Todo contato traz danos”, explica.
O tabagismo é responsável por doenças como câncer de pulmão, infarto, acidente vascular cerebral, bronquite crônica, asma e pneumonia. Além disso, a simples exposição ao cigarro eletrônico, muitas vezes vendido como alternativa “mais segura”, também representa uma ameaça à vida.
“O cigarro eletrônico expõe o usuário a uma carga maior de nicotina e a substâncias aromatizantes tóxicas. Ele pode reativar doenças respiratórias, causar lesões pulmonares agudas e aumentar a suscetibilidade a infecções”, alerta a médica.
Impacto na qualidade de vida
Muitos fumantes relatam que, no início, fumar traz sensação de relaxamento, mas essa impressão é passageira e logo dá lugar à dependência, que compromete progressivamente a saúde. O uso contínuo reduz significativamente a qualidade de vida e a expectativa de longevidade.
A médica ressalta que parar de fumar traz benefícios imediatos. “Nos primeiros minutos após a interrupção, a pressão arterial e a frequência cardíaca começam a se normalizar. Em até nove meses, há melhora da função pulmonar, com redução da tosse e da falta de ar. Em um ano, o risco de doenças cardíacas cai pela metade. Já entre cinco e quinze anos, o risco de derrame e câncer de pulmão pode se igualar ao de quem nunca fumou”, detalha.
O tabagismo passivo também preocupa. Crianças, amigos e familiares de fumantes ficam expostos a riscos semelhantes de alterações celulares, doenças respiratórias e cardiovasculares. “Inalar a fumaça do cigarro é capaz de desencadear inflamação, provocar alterações genéticas nas células e, em indivíduos predispostos, levar ao surgimento de doenças graves”, explica Letícia.
Outro ponto de atenção é o avanço do uso de dispositivos eletrônicos, especialmente entre os jovens. Esses produtos são apresentados com aparência moderna, promessa de tecnologia e ausência do cheiro característico do cigarro comum, o que amplia sua atratividade.
Por fim, a pneumologista reforça: “Parar de fumar é uma decisão que transforma o futuro e preserva a saúde. Não se deixe enganar por propagandas que mascaram os riscos do tabaco e não alimente uma indústria que lucra às custas da doença das pessoas”.