Stefano Gabbana, cofundador da Dolce & Gabbana, deixou o cargo de presidente do conselho da marca. Embora a decisão tenha sido tornada pública apenas agora, a renúncia ocorreu ainda em dezembro, conforme registro corporativo italiano divulgado pela Bloomberg. Segundo a publicação, o estilista também avalia possibilidades para sua participação na empresa, estimada em cerca de 40%, em meio a negociações com bancos credores. A posição foi assumida por Alfonso Dolce, atual CEO da empresa e irmão de Domenico Dolce, que fundou a grife ao lado de Gabbana nos anos 1980.
A mudança no comando ocorre em um momento considerado sensível para a companhia. Fontes próximas indicam que Gabbana, de 63 anos, avalia alternativas para sua participação de cerca de 40% no negócio, enquanto a marca se prepara para uma nova rodada de negociações com bancos credores, diante de uma dívida relevante.
Segundo apuração, o processo acontece sob sigilo e reflete a cautela da empresa em meio a um cenário de reestruturação. Nos bastidores, o movimento é interpretado como parte de uma estratégia mais ampla para reorganizar a governança e preservar a operação da marca diante das pressões financeiras.
Glamour e controvérsias
A grife foi fundada nos anos 1980 por Stefano Gabbana e Domenico Dolce, que mantiveram uma relação pessoal entre 1999 e 2004. Mesmo após o fim do relacionamento, os dois seguiram como parceiros criativos à frente da marca. O reconhecimento internacional da Dolce & Gabbana ganhou força em 1993, quando Madonna escolheu a grife para assinar os figurinos da turnê The Girlie Show World Tour. Desde então, a marca consolidou uma estética marcada pelo maximalismo, sensualidade e referências à cultura italiana.
A trajetória da marca também é marcada por crises de imagem que vão de ofensas culturais a questões éticas. O episódio mais grave ocorreu em 2018, quando a grife foi acusada de racismo após uma campanha na China que usava estereótipos grosseiros, resultando em um boicote massivo e no cancelamento de desfiles no país.
Além disso, a marca já enfrentou críticas severas por falta de diversidade em suas passarelas e por utilizar termos insensíveis em seus produtos, como o polêmico batismo de um calçado como “sandália de escravizado”. Os fundadores também causaram revolta ao dizerem que crianças nascidas por fertilização in vitro eram “filhos sintéticos”, o que gerou um boicote liderado por Elton John.
Ao longo das décadas, a maison vestiu nomes como Beyoncé, Kim Kardashian, Whitney Houston e Kylie Minogue. No Brasil, a marca também esteve em evidência recentemente ao assinar a fantasia de Juliana Paes no retorno à Unidos do Viradouro.














