Por Johan Larsen
A edição 2026 da SP-Arte, realizada no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, apresenta um panorama atualizado do mercado de arte brasileiro, com crescimento interno, presença internacional e ampliação de linguagens.
Ao lado desse movimento, a feira reúne galerias, artistas e projetos que evidenciam mudanças no perfil de colecionadores, estratégias comerciais e práticas curatoriais.
Em meio a um cenário global marcado por crises e instabilidade, a arte volta a se afirmar como um ativo resiliente, ainda que sujeito a oscilações e, para 2026, a feira investiu na curadoria do espaço de objetos de design colecionável, com atenção aos jovens designers da Designers Group Gallery, ao mobiliário de Percival Lafer, aos 90 anos, e a Lucas Recchia, cujas peças já integram projetos em diferentes regiões do País.

No mercado secundário, chama atenção a quantidade e a qualidade de obras de Alfredo Volpi, com peças de escala museológica. Destaque para o mural de mais de três metros na Galeria Paulo Kuczynski e para trabalhos na Galeria Ipanema, indicando possível renovação de coleções.

Dados da Act/Art, principal pesquisa nacional sobre o setor, indicam crescimento médio anual de 8% entre 2021 e 2025. Ao mesmo tempo, as exportações caíram 21% desde 2024, sinalizando fortalecimento do mercado interno. O cenário também se reflete no reconhecimento internacional, com artistas como Antonio Obá integrando coleções como Tate Modern, Collection Pinault e MoMA.
No mercado primário, observa-se o retorno de galerias internacionais após alguns anos de ausência, acompanhado da expansão de linguagens. Além de pintura e escultura, há uso de materiais como pedra, epóxi, vidro e couro, além de tecnologia e inteligência artificial na produção visual.
Na galeria Inox+Radiante, do Rio de Janeiro, o cubano Zé Angel aborda temas como religião, migração e memória em pinturas realizadas sobre mantas térmicas, em composições que exploram a materialidade refletiva do suporte e sua relação com deslocamento e sobrevivência.

Na Galeria Raquel Arnaud, obras com efeitos visuais minuciosamente construídos. Entre elas, “Gallium”, da costa-riquenha Gisela Colón, chama atenção pela superfície em acrílico azul moldado por sopro, com acabamento translúcido que altera a percepção conforme a incidência de luz e o deslocamento do observador.
A mexicana RGR Galeria apresenta uma cromografia em alumínio e fita elástica do venezuelano Carlos Cruz-Diez, explorando variações ópticas e a instabilidade da cor a partir do movimento.

Na Galatea, as esculturas de Ygor Landarin, feitas com resina, areia e conchas, dialogam com a combinação de materiais, com formas orgânicas que tensionam limites entre natureza e construção artificial.

Luiz Paulino Bizil apresenta obras com forte carga emocional, marcadas por narrativas ligadas à sua trajetória pessoal, com bom desempenho de vendas e exposição individual prevista no Instituto Tomie Ohtake.
A Orma Galeria, de Milão, propõe diálogo entre Brasil e Itália, com foco nas cenas de caráter cotidiano e sugestivo do pintor Daniel Lannes.
Bianca Caloi Di Grassi apresenta trabalhos inéditos, com mensagens em código binário em estruturas espelhadas, articulando linguagem digital e reflexão sobre comunicação contemporânea.

A Galeria Cerrado apresenta artistas do Centro-Oeste, com esculturas em couro e vidro temperado de Helô Sanvoy e aquarelas de Dalton Paula, já comercializadas antes da montagem final do estande, indicando demanda antecipada por obras ligadas à produção fora do eixo tradicional.
Outro dado observado é o crescimento da participação feminina no colecionismo. Relatório UBS + Art Basel aponta o avanço de colecionadoras mulheres no mercado global, movimento que também se reflete na feira. Em um setor ainda majoritariamente composto por artistas homens, mulheres ampliam sua presença como compradoras e agentes.















