A Zara lança nesta quinta-feira (1º) a primeira coleção de sua colaboração com John Galliano, às 10h, sob o título “Re{form}”. O projeto propõe uma nova leitura de peças já existentes da marca espanhola, transformadas pelo estilista britânico por meio de desconstrução, cortes, inversões e reconstruções inspiradas na alta-costura.
Um dia antes do lançamento, imagens da coleção “Re{form} Zara Authored by the Couturier John Galliano” foram reveladas em um ensaio feito por Rafael Pavarotti para a Vogue US. O trabalho parte principalmente de peças de estoque da Zara, como casacos, vestidos de alças e camisas, que ganham novas proporções e construções a partir do olhar de Galliano. A proposta faz parte de uma parceria criativa de dois anos anunciada pela Zara em março. Ao longo do projeto, coleções serão apresentadas sazonalmente e terão como ponto de partida peças e referências de diferentes temporadas da marca.
Em vez de criar roupas completamente novas a partir do zero, Galliano trabalha sobre peças que já fazem parte do universo da Zara. O processo envolve desmontar, inverter, cortar e reconstruir os modelos, aproximando itens de produção em escala de procedimentos associados à alta-costura. O resultado traduz a linguagem autoral do estilista para um público mais amplo e transforma a própria memória da marca em matéria-prima. A ideia aparece também na comunicação da coleção, apresentada como “Authored by Couturier John Galliano. Built from our Memory, Made for Now. Vol 1”.
O projeto marca uma nova etapa na trajetória de Galliano, de 65 anos, conhecido por seu trabalho à frente de importantes casas de moda. Nascido em Gibraltar, Juan Carlos Antonio Galliano passou pela Dior e pela Maison Margiela, onde permaneceu como diretor criativo por uma década.

Parceria e controvérsia
O lançamento acontece em um momento de renovado debate sobre a trajetória do estilista. Em agosto, o Metropolitan Museum of Art, em Nova York, anunciou que uma exposição prevista para inspirar o Met Gala de 2027 seria dedicada à carreira de Galliano e abordaria tanto suas conquistas criativas quanto os episódios de 2011 que alteraram sua trajetória profissional.
Naquele ano, Galliano foi condenado na França por manifestações antissemitas relacionadas a dois episódios ocorridos em um bar de Paris. As declarações, registradas em vídeo e divulgadas publicamente, levaram à sua demissão da Dior, onde ocupava o cargo de diretor criativo havia 15 anos.
As críticas à homenagem proposta pelo Met cresceram após o anúncio, com manifestações de integrantes da comunidade judaica, artistas, doadores e políticos de Nova York. Diante da repercussão, Galliano anunciou em 31 de agosto que havia decidido não participar da exposição. Em comunicado publicado no Instagram, o estilista reconheceu o impacto de suas declarações do passado e afirmou que não queria que a discussão sobre sua trajetória colocasse o museu em uma situação difícil ou desviasse a atenção do trabalho do Instituto do Traje.
Apesar da controvérsia, a Zara mantém a colaboração com Galliano. A primeira parte do projeto chega às lojas e aos canais da marca nesta quinta-feira, dando início a uma série de coleções que pretende aproximar a lógica da alta-costura das peças já produzidas pela varejista espanhola.















