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Estêvão Parreiras apresenta exposição no Centro Cultural Octo Marques

“Cada desenho é um santuário” reúne cerca de 100 obras do artista na Galeria Frei Confaloni, com curadoria de Bitu Cassundé
O artista Estêvão Parreiras
O artista Estêvão Parreiras (Foto: Divulgação)
O artista Estêvão Parreiras
O artista Estêvão Parreiras (Foto: Divulgação)

A Galeria Frei Confaloni, no Centro Cultural Octo Marques, recebe a partir de 15 de outubro a exposição Cada desenho é um santuário, individual do artista Estêvão Parreiras. Com curadoria de Bitu Cassundé, a mostra reúne cerca de 100 desenhos que articulam palavra, imagem, memória, religiosidade, corpo e desejo. A abertura acontece às 19h, com entrada gratuita, e inclui visita guiada pelo curador às 19h45. A exposição permanece em cartaz até 28 de novembro.

A construção da mostra começou a partir de encontros entre artista e curador e de uma imersão de Bitu Cassundé no ateliê de Estêvão, em Goiânia. Durante o processo, o curador percorreu mapotecas, arquivos e cadernos do artista, revisitando diferentes momentos de sua produção, interesses e materiais. A pesquisa orientou a organização da exposição e colocou o desenho no centro da investigação.

O trabalho de Estêvão estabelece uma relação constante entre palavra e imagem. Para o artista, esses dois elementos não funcionam como explicação ou ilustração um do outro, mas como pontos de partida para novas interpretações. “A palavra e a imagem existem, de certo modo, em uma relação harmoniosa, mas também dúbia, em que uma provoca a outra. Nenhuma das duas está ali para ilustrar a outra; elas existem para abrir novas questões dentro do desenho, dentro da obra”, afirma.

Desenho da mostra “Cada desenho é um santuário”, de Estêvão Parreiras (1)
Desenho da mostra “Cada desenho é um santuário”, de Estêvão Parreiras (Foto: Divulgação)

Entre sagrado e memória

A religiosidade também ocupa lugar central na produção apresentada na exposição. Corações, anjos, estrelas, coroas de espinhos, chamas e ex-votos aparecem entre os elementos recorrentes nos desenhos e remetem às experiências vividas pelo artista desde a infância, quando morava em Pouso Alegre, em Minas Gerais, e participava de romarias com a família.

Na leitura de Bitu Cassundé, essas referências formam uma espécie de ritual entre imagem e palavra e estabelecem relações com as experiências do artista com o sagrado. Nesse contexto, o ex-voto ganha importância por representar a celebração de uma graça alcançada e criar uma aproximação entre aquilo que se deseja e aquilo que se consegue alcançar.

Estêvão transforma essa referência em uma investigação sobre o sagrado, a oferta e o próprio ato de criar. “Hoje, deixo-me impregnar por isso. Tento, à minha maneira, transformar meu trabalho também em uma oferta ao divino”, afirma. Nos desenhos, o ex-voto também se relaciona à ideia de guardar um corpo, uma memória ou um desejo.

Essa dimensão ritual ajuda a compreender o título da exposição. No texto curatorial, Bitu observa uma circularidade entre traços, cores e palavras na produção de Estêvão, aproximando o desenho de uma oração. O corpo também aparece nesse percurso, entre buscas, chagas e desejos, enquanto a ficção impede que os trabalhos sejam lidos apenas como registros autobiográficos.

Processo criativo

A boca e a ideia de “regurgitar” também aparecem como elementos recorrentes na produção de Estêvão. O artista parte daquilo que o atravessa — uma música, um livro, uma conversa, um filme, uma experiência religiosa ou uma situação cotidiana — para transformar essas referências em desenho. “O movimento de receber, assimilar, transformar e devolver ao mundo aquilo que me atravessou é justamente uma das formas pelas quais compreendo meu processo artístico”, pontua.

Os desenhos também apresentam personagens envolvidos em jornadas de solidão, encontro e transcendência. Figuras como ermitões e peregrinos atravessam montanhas, rios e paisagens imaginárias, em percursos que ultrapassam o deslocamento físico e se relacionam a questões existenciais, ao inconsciente e ao consciente.

O título Cada desenho é um santuário sintetiza essa compreensão do papel como espaço de abrigo e permanência. Em cada obra, podem permanecer aquilo que dói, aquilo que se deseja e aquilo que se reza. Assim como um ex-voto, o desenho reúne a dimensão da súplica e do agradecimento e se completa também no encontro com o olhar do público.

Serviço: Exposição “Cada desenho é um santuário”

Abertura: 15 de outubro, às 19h
Visita guiada: 15 de outubro, às 19h45
Período: até 28 de novembro
Local: Galeria Frei Confaloni – Centro Cultural Octo Marques
Endereço: Rua 4, nº 515, Edifício Parthenon Center, Centro
Entrada: gratuita

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