Goiás tem 374 mil mulheres à frente de negócios, diz estudo sobre o perfil das empreendedoras no Estado

Estudo do Sebrae Goiás traça o perfil das empreendedoras e aponta avanços, desigualdades e desafios a serem superados
perfil da mulher empreendedora
Polyanna Marques, coordenadora do estudo Perfil da Mulher Empreendedora em Goiás (Foto: Sílvio Simões)
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Polyanna Marques, coordenadora do estudo Perfil da Mulher Empreendedora em Goiás (Foto: Sílvio Simões)

Goiás reúne 374 mil mulheres empreendedoras, segundo o estudo Perfil da Mulher Empreendedora, do Sebrae Goiás, que mapeia quem são, como atuam e quais desafios enfrentam no mercado. Os dados mostram avanço na participação feminina nos negócios, mas também evidenciam desigualdades persistentes, especialmente na renda e no acesso a crédito.

O empreendedorismo feminino em Goiás cresce de forma consistente e já representa uma força relevante na economia do Estado. Entre os cerca de 1 milhão de pequenos negócios ativos, aproximadamente 435 mil são liderados por mulheres, o equivalente a 44% do total. Ainda assim, elas correspondem a 12% da população feminina em idade de trabalhar, o que indica espaço para expansão.

Coordenadora do estudo, Polyanna Marques explica que a pesquisa nasceu da necessidade de compreender esse público com mais profundidade. “O estudo tem como foco oferecer dados confiáveis, de qualidade e com rigor técnico-científico para toda a sociedade”, afirma. Segundo ela, quando o levantamento começou, há cerca de oito anos, praticamente não existiam dados estruturados sobre mulheres empreendedoras. Desde então, o cenário mudou. Hoje, as mulheres representam 41% da criação de novos negócios no Brasil, um avanço significativo em relação aos 29% registrados há mais de quatro décadas. “Houve uma evolução bem significativa nesse aspecto”, destaca Polyanna.

Transformação social

O retrato das empreendedoras goianas revela um perfil diverso e, ao mesmo tempo, marcado por transformações sociais importantes. A idade média é de 43 anos, e a maioria — 53% — se autodeclara negra. Em relação à escolaridade, 38% possuem ensino superior. A renda média mensal é de R$ 3.723, valor que cresceu 44% na última década. Apesar do avanço, a desigualdade de gênero ainda é evidente: homens empreendedores ganham, em média, 35% a mais que as mulheres, diferença que chega a 56% entre aqueles com ensino superior.

Outro dado relevante é o papel dessas mulheres dentro de casa. Atualmente, 53% são chefes de família, o que amplia a responsabilidade sobre a renda doméstica. “O negócio muitas vezes representa a principal fonte de renda”, explica Polyanna. Segundo o estudo, isso acontece em 76% dos casos. O crescimento da participação feminina no empreendedorismo está diretamente ligado a mudanças estruturais, como o aumento da escolaridade e a busca por autonomia.

Para Polyanna, o empreendedorismo também oferece uma vantagem decisiva: a flexibilidade. “O empreendedorismo permite uma melhor gestão do tempo para conciliar as várias responsabilidades ao longo do dia”, afirma. Essa característica se torna ainda mais relevante para mulheres que são mães, que precisam equilibrar trabalho, cuidado com os filhos e tarefas domésticas. Esse contexto ajuda a explicar por que 38% das empreendedoras trabalham a partir de casa. Ao mesmo tempo em que essa modalidade amplia possibilidades, também traz desafios, como a sobreposição de funções e a falta de infraestrutura adequada.

A força do MEI

Quase metade dos negócios liderados por mulheres em Goiás está enquadrada como Microempreendedor Individual (MEI). São mais de 214 mil empreendedoras nessa categoria, que representa 49% das empresas comandadas por mulheres no Estado. Para Polyanna, o modelo é fundamental para quem está começando. “É uma porta de entrada muito eficiente. O MEI permite emitir nota fiscal, contratar um funcionário e prestar serviços para empresas maiores”, explica. Segundo ela, o formato não limita o crescimento, mas funciona como impulsionador da atividade empreendedora.

Essa característica dialoga com outro dado do estudo: 60% dos negócios liderados por mulheres têm até 3,5 anos de funcionamento, concentrados principalmente nos setores de serviços pessoais, comércio de vestuário e alimentação.

Apesar dos avanços, os obstáculos ainda são significativos. A pesquisa mostra que 78% das empreendedoras enfrentam dificuldades financeiras, sendo o acesso ao crédito o principal problema para 39% delas. De acordo com a coordenadora, essa barreira está diretamente ligada à falta de informação. “Esse desafio está fortemente ligado ao desconhecimento sobre como obter financiamento”, afirma.

Avanços e Desafios

A digitalização também aparece como um ponto crítico. Embora muitas já utilizem redes sociais, 25% ainda não fazem uso de ferramentas digitais básicas, e 75% não utilizam inteligência artificial nos negócios. “Hoje é impossível ficar sem ferramentas como WhatsApp Business e Instagram Business”, pontua Polyanna, ao destacar que o desconhecimento e a percepção de custo elevado ainda afastam parte dessas mulheres do ambiente digital.

Para avançar, o estudo aponta três pilares fundamentais: educação, orientação e rede de apoio. O acesso a conhecimento — especialmente nas áreas financeira e de marketing — é considerado essencial para melhorar a gestão dos negócios. Além disso, a orientação prática e a troca de experiências com outras empreendedoras podem reduzir inseguranças e acelerar o crescimento. “A rede de apoio ajuda não só na orientação, mas também no suporte emocional”, destaca Polyanna.

Políticas públicas também têm papel estratégico, principalmente no suporte à maternidade. A ampliação de creches e escolas em tempo integral, por exemplo, pode liberar tempo para que essas mulheres invistam no desenvolvimento de seus negócios. Entre avanços e desafios, o empreendedorismo feminino em Goiás segue em expansão, não apenas como motor econômico, mas como agente de transformação social dentro e fora de casa.

O estudo Perfil da Mulher Empreendedora 2026 está disponível para download no site do Sebrae-GO.

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