Designer goiano leva luminárias “Pequi” para a Design Week em São Paulo

Marcus Camargo leva à DW!, semana de design de São Paulo peças que unem cerâmica da Cidade de Goiás e palha de taquara de Corumbá de Goiás
Marcus Camargo
Foto: Henrique Padilha
Marcus Camargo
Foto: Henrique Padilha

O designer goiano Marcus Camargo apresenta a coleção Pequi durante a DW! Semana de Design de São Paulo, maior festival urbano de design da América Latina, que começou na última quinta-feira (5) e vai até o dia 22 de março. As luminárias, criadas para a marca de iluminação Itens, traduzem em formas contemporâneas as referências do Cerrado e valorizam o trabalho manual de artesãs de Goiás.

A coleção nasce de uma pesquisa do designer sobre flores e frutos do bioma. “A coleção Pequi faz parte de um processo que eu já venho pesquisando sobre as flores e frutos do Cerrado e como a gente consegue transformar essa inspiração em design”, explica Marcus Camargo. Segundo ele, esta é a segunda série inspirada nesse universo. “A primeira foi a coleção Fruto, que lancei no ano passado direto do nosso estúdio.”

As peças combinam cerâmica produzida na Cidade de Goiás, palha trançada em Corumbá de Goiás e estrutura metálica em latão. A base das luminárias é moldada pela mestra artesã Luiza Pessoa, integrante da Associação Mulheres Coralinas, enquanto a cúpula é confeccionada pela artesã Lucilene, com palha de taquara. A parte elétrica e estrutural fica a cargo da Itens.

Marcus explica que o projeto busca aproximar técnicas tradicionais do desenho contemporâneo. “A gente trabalhou com a cerâmica produzida em Goiás por uma artesã da Associação de Mulheres Coralinas e a palha de taquara produzida em Corumbá, por outra artesã. Já a parte elétrica e estrutural em latão é feita pela Itens”, afirma.

Raízes no Cerrado

A direção criativa da coleção é assinada por Mariana Amaral, que acompanha o processo dentro da marca. Segundo Marcus, o trabalho se desenvolve em diálogo com a empresa, mas preserva a autoria do designer. “Ela entra como diretora geral da marca e vai direcionando o que precisa. Vê os desenhos, dá os pitacos dentro daquilo que acredita que é mais comercial ou não. A criação mesmo é do designer”, diz.

A presença na DW! também tem significado simbólico para o criador, que destaca a importância de representar o design produzido em Goiás no principal circuito do setor no país. “Aqui na Design Week somos poucos goianos nessa cena. Então é importante ter essa identidade enraizada que fala sobre o Cerrado, mas que também é universal”, afirma. Para ele, o design inspirado em referências artesanais não limita o alcance das peças. “Apesar de ter referências manuais, é extremamente contemporâneo e conversa com vários tipos de projetos e regiões.”

Arte, movimento e design

Formado em Artes Visuais e Design de Interiores pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Marcus Camargo construiu uma trajetória marcada por diferentes linguagens criativas. Antes de se dedicar ao design, trabalhou nos bastidores da Quasar Companhia de Dança, em Goiânia, experiência que influenciou diretamente sua percepção estética. “A dança me deu uma percepção estética de movimento. Isso se traduz em linhas que parecem vivas, em formas que respiram”, afirma.

O vínculo com a Cidade de Goiás, onde cresceu, também orienta sua produção. Foi ali que iniciou parcerias com ceramistas locais e passou a incorporar técnicas tradicionais ao desenvolvimento das peças. “Meu trabalho nasce do meu quintal, das minhas referências e da minha história. Gosto de pensar que a base é sempre de onde eu vim”, diz.

Nos últimos anos, o designer ampliou a atuação do estúdio sediado em Goiânia, assinando coleções para marcas nacionais como a Decorale, de tapetes, e a Itens, de iluminação. Em seus projetos, ele busca equilibrar produção artesanal e processos industriais. “Sempre me interessou esse diálogo entre o artesanal e o industrial. Como fazer com que a raiz e o moderno conversem sem que um anule o outro?”

Hoje, com mais de quinze anos de carreira, Marcus define o próprio percurso como um processo contínuo de experimentação. Para ele, o design é uma prática que se transforma com o tempo e com as parcerias que surgem ao longo do caminho. “Estar na DW é uma forma muito importante de mostrar o que está sendo feito em Goiás, valorizando nossas técnicas manuais e a tradição, mas de uma forma contemporânea voltada para o design”, afirma. “A recepção é sempre maravilhosa.”

Foto: Henrique Padilha

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